Entre os dias 7 e 8 de fevereiro, 21.780 cidadãos portugueses recenseados no estrangeiro, neste caso em países de Fora da Europa, votaram presencialmente na 2ª volta das eleições presidenciais de Portugal, num total de 726.592 inscritos (3% de votantes), destacando-se algumas variações territoriais na afluência e nos resultados eleitorais.
Embora André Ventura tenha repetido a vitória de Fora da Europa, já observada na 1ª volta (na altura com 41,62%), a votação destes portugueses na 2ª volta representou um crescimento não apenas no número total de votantes (na 1ª volta votaram 18.292 cidadãos portugueses) como também na percentagem de votantes face ao número de eleitores registados nos cadernos eleitorais (na 1ª volta foram 2,57% de votantes).
Além do voto presencial, alguns eleitores, em conformidade aos motivos previstos na lei, optaram por votar antecipadamente entre os dias 27 e 29 de janeiro nas embaixadas ou consulados, enquanto eleitores em mobilidade mas que estão recenseados em território nacional.
Foi neste âmbito que Manuel Beninger, deputado municipal em Barcelos, denunciou ter recebido no Consulado-Geral de Portugal no Rio de Janeiro um boletim idêntico ao da primeira volta, com candidatos já eliminados, comprometendo o voto consciente.
Segundo ele, esta questão revela falta de preparação das autoridades e reforça a necessidade de revisão do sistema de voto no estrangeiro.
Em resposta, o Ministério dos Negócios Estrangeiros afirmou que a reutilização de boletins foi uma medida de contingência legal, aplicada apenas quando os novos não chegaram a tempo, sendo depois enviados milhões de boletins corretos para todos os consulados.
Outra regra fundamental observada na segunda volta das presidenciais de Portugal assentou nas regras de votação: embora todas as votações tenham ocorrido entre as 08h00 e as 19h00 locais na Europa, África, Ásia e Oceânia, no continente americano a votação abriu às 08h00 e encerrou entre as 12h00 e as 17h00 locais, dependendo dos locais de voto.
De acordo com os dados definitivos da Comissão Nacional de Eleições (CNE), visto que já foi apurada a votação em todos os Consulados, a distribuição da votação por país mostra diferenças significativas na participação e nos candidatos mais votados, refletindo as dinâmicas demográficas e políticas das comunidades portuguesas de Fora da Europa.
Os 3 países com maior afluência às urnas da diáspora portuguesa
No Brasil, país onde se registou a maior afluência eleitoral, 7.308 votantes compareceram às urnas, num universo total de 303.670 inscritos (2,41% de votantes). O candidato mais votado foi André Ventura (58,73%), ficando António José Seguro em segundo lugar (41,27%).
Na Venezuela, país com a segunda maior afluência eleitoral, 1.980 eleitores recenseados exerceram o seu direito de voto, num total de 55.823 inscritos (3,55% de votantes). O candidato mais votado foi André Ventura (69,01%), com António José Seguro em segundo lugar (30,99%).
Nos Estados Unidos da América, país com a terceira maior afluência eleitoral, 1.745 votantes, num total de 76.397 inscritos (2,28% de votantes), exerceram o seu direito de voto. O candidato mais votado foi André Ventura (50,78%), sendo que António José Seguro (49,22%) ficou em segundo lugar.
Restantes países do continente americano
Continuando pelo continente americano, e mantendo a ordem decrescente de votação, segue-se o Canadá, com 1.709 votantes num total de 64.357 inscritos (2,66% de votantes). O candidato mais votado foi André Ventura (66,63%), com António José Seguro em segundo lugar (33,37%).
Em quinto lugar, está a Argentina, onde votaram 192 eleitores num total de 9.157 inscritos (2,10% de votantes). O candidato mais votado foi André Ventura (56,02%), sendo que António José Seguro ficou em segundo lugar (43,98%).
Nos restantes países americanos com uma diáspora portuguesa relevante, destaque-se o Chile, onde votaram 49 eleitores num total de 2.210 inscritos (2,22% de votantes). O candidato mais votado foi António José Seguro (54,35%), com André Ventura em segundo lugar (45,65%).
No Uruguai, 40 eleitores votaram, num universo de 1.232 inscritos (3,25% de votantes). O candidato mais votado foi António José Seguro (73,68%), sendo que André Ventura ficou em segundo lugar (26,32%).
No Panamá, 36 eleitores votaram, num universo de 1.870 inscritos (1,93% de votantes). O candidato mais votado foi António José Seguro (74,29%), com André Ventura em segundo lugar (25,71%).
Resultados no continente africano
A África do Sul foi o país africano onde mais portugueses se deslocaram às urnas, com 1.655 votantes num total de 33.027 inscritos (5,01% de votantes). O candidato mais votado foi André Ventura (90,06%), com António José Seguro em segundo lugar (9,94%).
Em Angola, 1.303 eleitores foram às urnas, num total de 16.111 inscritos (8,09% de votantes). O candidato mais votado foi António José Seguro (68,40%), com André Ventura em segundo lugar (31,60%)
De seguida, está Moçambique, onde votaram 901 eleitores num universo total de 8.984 inscritos (10,03% de votantes). O candidato mais votado foi António José Seguro (56,81%), sendo que André Ventura ficou em segundo lugar (43,19%).
Em quarto lugar, está Cabo Verde, país onde votaram 897 eleitores num total de 5.600 inscritos (16,02% de votantes). O candidato mais votado foi António José Seguro (94,02%), com André Ventura em segundo lugar (5,98%).
Sublinhe-se ainda São Tomé e Príncipe (votaram 104 eleitores em 590 inscritos – 17,63% de votantes), onde ganhou António José Seguro (83,17%), seguido de André Ventura (16,83%), bem como Guiné-Bissau, onde votaram 33 pessoas, em 278 inscritos (11,87% de votantes), e onde ganhou António José Seguro (87,50%), seguido de André Ventura (12,50%).
Resultados no continente asiático e na Oceânia
Na China, país com a maior afluência eleitoral nesta região do globo, 1.416 eleitores recenseados exerceram o seu direito de voto, num total de 57.877 inscritos (2,45% de votantes), não obstante ainda não se saberem os resultados da votação dos portugueses em Pequim. O candidato mais votado foi António José Seguro (68,60%), com André Ventura em segundo lugar (31,40%).
Depois da China, o país onde os portugueses mais votaram nesta região foi a Austrália, com 645 votantes num universo total de 7.424 inscritos (8,69% de votantes). O candidato mais votado foi António José Seguro (52,22%), sendo que André Ventura ficou em segundo lugar (47,78%).
Em Timor-Leste, votaram 185 eleitores num universo total de 1.586 inscritos (11,66% de votantes). O candidato mais votado foi António José Seguro (77,84%), com André Ventura em segundo lugar (22,16%).
No Japão, votaram 46 eleitores num universo total de 341 inscritos (13,49% de votantes). O candidato mais votado foi António José Seguro (86,67%), com André Ventura em segundo lugar (13,33%). ■





