
A primeira missão humanitária da Associação “Mais Lusofonia” à República Democrática de São Tomé e Príncipe, realizada de 27 de maio a 4 de junho deste ano, levou doações de medicamentos, vestuários e materiais consumíveis a postos de saúde e instituições sociais no país africano. Com sede em Castelo Branco, Portugal, a associação, voltada para causas humanitárias e intercâmbio cultural, é presidida por Sofia Lourenço.
Com pouco mais de 230 mil habitantes e o português como língua oficial, São Tomé e Príncipe enfrenta desafios sociais significativos. Em 2017, a ONU revelou que 66,7% da população vivia abaixo da linha da pobreza, evidenciando a urgência de ações solidárias no arquipélago.
Em solo são-tomense, e com uma agenda intensa, Sofia Lourenço e os voluntários da associação foram recebidos pelo ministro da Saúde e Desporto, Celso Matos, e por Vinicio Pina, do Ministério das Finanças e Contratação Pública, acompanhados por Eliezer Pereira, responsável pela Delegação de Saúde. No encontro, foram identificadas novas ações para a continuidade do projeto social da associação.
“O mais importante é saber que somos capazes e, com a ajuda de todos, faremos a diferença na vida de muitas pessoas”, afirmou Sofia.
02Durante a jornada solidária, o grupo vivenciou experiências marcantes com a comunidade local, reforçando o desejo de retornar ao país. O acolhimento da população foi determinante. Um exemplo foi a Escola Preparatória Oque del Rei, que funciona com abastecimento de água limitado a uma hora por dia e utiliza mobiliário com mais de meio século de uso.
“Ficamos sempre com o sentimento de que tudo o que levamos é uma gota no oceano”, observou a presidente da associação.
Outra instituição visitada foi a ARCAR, que acolhe rapazes de 3 a 18 anos em regime de internato. Apesar das imensas carências, a diretora Balbina Trindade e a sua equipa “dedicam-se ao máximo”. O lema da “Mais Lusofonia”, “Ajude a ajudar” fez-se presente em cada encontro, escutando os relatos de quem depende de apoio.
Sofia também enalteceu a atuação da Irmã Maria do Carmo, enfermeira que divide o seu tempo entre o hospital e o lar de idosos.
“As necessidades são imensas, mas, com um sorriso no rosto, a irmã fala com os utentes, um a um pelo nome”, relatou Sofia.
Outra figura marcante foi a Madre Lúcia, religiosa de Portalegre, que, apesar da saúde frágil, transformou a vida de mais de duas mil pessoas ao coordenar creche, escola e lar, oferecendo serviços médicos e apoio alimentar às famílias.
“Há dias que não sabemos o que vamos fazer para alimentar tanta gente, mas Deus ajuda”, disse a madre, vista pela população de Neves como uma “salvadora”.
Os voluntários também passaram pelo Mercado Municipal, onde conheceram “tia Didi”, vendedora de especiarias que, mesmo com filhos a viverem em Portugal, se alegrou ao saber que havia se tornado avó.
A missão incluiu visitas culturais visando apoiar e divulgar o trabalho local. Na Embaixada do Brasil no país e no Instituto Guimarães Rosa, a “Mais Lusofonia” conheceu o apoio a estudantes brasileiros e são-tomenses.
“Um trabalho de intercâmbio cultural incrível e divulgação da diversidade académica”, constatou Sofia, destacando o acesso a material informático literário.
Já no Centro Cultural Português, a associação identificou necessidades e comprometeu-se a colaborar com o seu projeto de apoio à comunidade, estudantes e todos os que necessitam de recursos.
Ao retornar a Portugal, os voluntários levaram o compromisso de “continuar a ajudar”.
“Partimos de São Tomé e Príncipe com o compromisso de regressar e continuar o trabalho que começamos”, disse Sofia Lourenço, sublinhando que “sabemos que nada se consegue sozinho e, com um pouquinho de cada um, é possível transformar realidades”.
Recorde-se que a “Mais Lusofonia”, com sede em Castelo Branco, na região Centro de Portugal, atua no campo da ajuda humanitária e na ação social no mundo lusófono, com atividades desenvolvidas em países como Portugal, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e São Tomé e Príncipe. ■