“Embaixada gastronómica informal” de Portugal no coração do Rio de Janeiro recorda frequentadores de renome

Liderado por Domingos Cunha, o tradicional “Bar e Restaurante Glória” tornou-se ponto estratégico para negócios, encontros diplomáticos e o fortalecimento da comunidade luso-brasileira na cidade

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Fundado em 1945, o local preserva e reinventa a tradição luso-brasileira no Centro do Rio, sob a liderança de Domingos Cunha. Foto: José Luís Figueiredo/Agencia Incomparáveis
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O tradicional “Bar e Restaurante Glória”, fundado em 1945, e liderado pelo português Domingos Cunha, é mais do que uma referência em gastronomia luso-brasileira. Ao longo dos anos, o local firmou-se como um ponto estratégico para o relacionamento de negócios e para a “diplomacia informal” no Rio de Janeiro, atraindo jornalistas, políticos, empresários e membros da comunidade portuguesa na cidade.

Localizado no Centro carioca, o “Glória” é famoso pelo seu leitão à bairrada, além de uma variedade de pratos apreciados pelos cariocas. Desde a sua fundação, o restaurante superou inúmeros desafios provenientes das transformações urbanas dos anos 1960, além 2013 à pandemia de Covid-19, período em que muitos comércios da região fecharam.

No “Glória”, a mesa também serve como espaço de trocas culturais, ideias e negócios. O espaço foi eleito como um ponto cultural, onde se debatem ideias e projetos, sobretudo pelos empresários e gestores que circulam e trabalham na região, que alberga entidades públicas e privadas. As relações bilaterais entre Brasil e Portugal também são frequentes com encontros entre amigos ou conversas com os visitantes lusos, o que fortalece os laços entre as comunidades. A reputação do bar espalhou-se “organicamente”, tornando-o num polo de conexões estratégicas e de encontros privados ou diplomáticos discretos.

O “Bar e Restaurante Glória”, situado na Rua Acre, 6, tem como “vizinha”  uma região estratégica que atrai um público diversificado, composto por profissionais, turistas e imigrantes. A proximidade com instituições históricas e culturais, como o “Edifício A Noite”, a “Rádio Nacional”, o “Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI)”, a “Praça Mauá” e o “Píer Mauá”, contribui para a formação de um ambiente dinâmico e multicultural.

O “Edifício A Noite”, inaugurado em 1929, foi o primeiro arranha-céu do Brasil e sede do jornal “A Noite”, além de abrigar a “Rádio Nacional” desde sua fundação em 1936. Já o “INPI”, fundado em 1970, é responsável pela proteção da propriedade industrial no Brasil e está situado nas imediações. A “Praça Mauá”, inaugurada em 1910, por sua vez, passou por uma revitalização significativa entre 2011 e 2015, no âmbito do projeto “Porto Maravilha”. Essa praça histórica, que homenageia o Barão de Mauá, pioneiro da industrialização brasileira, serve como ponto de encontro para diversos grupos sociais e culturais. A sua proximidade com o “Píer Mauá”, construído entre 1948 e 1953 para receber transatlânticos durante a Copa do Mundo de 1950, reforça a vocação da região para o turismo e a integração cultural.

Além disso, a região foi sempre um ponto de chegada para imigrantes, especialmente portugueses, que desembarcavam no porto do Rio de Janeiro. Entre 1884 e 1959, o Brasil recebeu mais de 1,3 milhão de imigrantes portugueses, muitos dos quais chegaram através do porto carioca, estabelecendo-se nas proximidades. Fatores que convergem para tornar o “Bar e Restaurante Glória” num local frequentado por um público diversificado, incluindo profissionais de diferentes áreas, turistas e imigrantes, que buscam não apenas uma refeição, mas também uma imersão na rica história e cultura da região.

“Durante todos esses anos vivendo no Rio, já presenciei muitas coisas e enfrentei uma série de problemas”, ressaltou Domingos Cunha, que chegou ao Brasil em 1964, aos 14 anos.

“Hoje, fico feliz quando vejo o meu negócio cumprir um papel social e estratégico, onde as pessoas conversam, debatem, realizam negócios e constroem vínculos duradouros”, disse este responsável, natural de Póvoa de Lanhoso, Braga, em Portugal.

Domingos iniciou a sua trajetória profissional no comércio carioca, sendo um dos sócios do “Glória”, que, sob a sua gestão, preserva e reinventa a tradição luso-brasileira e a capacidade de se adaptar aos tempos, consolidando-se como um refúgio para a comunidade na cidade. ■

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