Ciro José de Freitas, natural de Pará de Minas Gerais, no Brasil, tem 59 anos e é hoje presidente da Associação Portuguesa de Brasília (APB), entidade que visa “ser um elo entre Portugal e o Brasil”, mantendo “vivas as tradições”, além de “oferecer um espaço acolhedor onde portugueses, lusodescendentes e brasileiros se sintam em casa”.
Bacharel em Direito e pós-graduado em Ciências Criminais, Ciro Freitas é servidor público do Distrito Federal e assessor jurídico, sublinha ter “orgulho” em ser sócio da Associação desde 1994, instituição que lidera desde maio de 2022.
Em entrevista à nossa reportagem, este responsável, que possui raízes portuguesas por parentesco de terceiro grau, defende a interação entre os dois países por meio de ações culturais, sociais e também por meio da interação com outras entidades luso-brasileiras.
Como define a comunidade portuguesa em Brasília?
É uma comunidade atuante, marcada pela forte presença no comércio e na gastronomia. A língua comum facilita a integração, mas também preserva expressões típicas. Vejo muitos jovens lusodescendentes buscando as suas raízes, inclusive por meio da cidadania portuguesa, e muitos consideram Portugal como opção de futuro.
Que trabalhos são realizados na Associação Portuguesa de Brasília?
A nossa programação é extensa, com atividades desportivas, sociais e culturais para todas as idades. Realizamos eventos típicos como festas juninas, almoços lusitanos e a tradicional Bacalhoada Portuguesa. Temos projetos sociais, parcerias com escolas, universidades e entidades comunitárias. A nossa estrutura oferece campos, quadras, piscinas, salões de festas, restaurante, churrasqueiras e uma ampla área verde. Desenvolvemos escolinhas de desporto, como ténis, natação, beach tennis, futebol, vólei, basquete, além de oficinas culturais. A APB é um verdadeiro espaço de lazer, convivência, cultura e pertencimento.
Como acontece a interação da Associação com outras entidades portuguesas na região?
A Associação Portuguesa de Brasília é a maior representação dos portugueses e lusodescendentes no Centro-Oeste do Brasil. A nossa sede tem 75 mil metros quadrados e mais de 1.400 associados. Somos, de facto, um grande clube com estrutura completa. Em Brasília, também convivemos com outras instituições lusófonas, como a Associação dos Amigos da Praça Portugal, o Centro Cultural Camões (sediado na Embaixada) e a Confraria Portuguesa Academia do Bacalhau, todas com as quais mantemos relações respeitosas e cooperativas.
Que ações desenvolvem para promoção de Portugal em Brasília?
A APB participa ativamente das principais datas comemorativas portuguesas, como o Dia da Liberdade (25 de abril), o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades (10 de junho) e outras celebrações históricas. Promovemos a gastronomia, a música e os costumes lusitanos, mas reconhecemos que poderíamos ir além. Um maior apoio da Embaixada e maior articulação com outras entidades lusófonas fortaleceria ainda mais a nossa atuação.
Como é a interação com a comunidade portuguesa da capital federal?
A nossa missão é ser um elo entre Portugal e o Brasil. Queremos manter vivas as tradições e oferecer um espaço acolhedor onde portugueses, lusodescendentes e brasileiros se sintam em casa. A APB é, antes de tudo, um projeto coletivo de identidade e pertencimento.
Mantêm ligação com as autoridades portuguesas e luso-brasileiras?
Sim. Apesar do contacto mais frequente ser com o Cônsul, recentemente recebemos a visita do deputado luso-brasileiro Manuel Magno. Em 2022, durante o bicentenário da independência do Brasil, tivemos a honra de receber o presidente Marcelo Rebelo de Sousa na nossa sede, evento marcante para a comunidade portuguesa em Brasília.
Onde estão localizados e há quanto tempo existem?
Estamos localizados na QS 05, Rua 312, lote 14, em Águas Claras, Brasília (DF), uma das maiores regiões urbanas do Distrito Federal. Fundada em 1º de junho de 1962, a Associação Portuguesa de Brasília nasceu do desejo de imigrantes portugueses por um espaço de encontro, cultura e identidade. Crescemos junto com a capital do Brasil, mantendo viva a herança portuguesa.
Como conseguem manter o funcionamento da Associação?
Dirigir uma instituição desse porte exige dedicação, criatividade e compromisso. Trabalhamos com eventos, parcerias, locações e ampliação do quadro associativo para manter a sustentabilidade da APB. Mais do que um clube, somos um espaço de memória, cultura e apoio para a comunidade. ■