Opinião: “UNEF em Portugal: o que muda para os brasileiros”, por Luíz Fernandes

“Para quem já possui residência ou cidadania, pouco muda além de uma maior atenção às identificações”

Luíz Fernandes, advogado especialista em direito digital e desenvolvimento de negócios
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Na última semana, o Consulado do Brasil em Lisboa emitiu um alerta sobre o início das operações da Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF), nova força policial da PSP dedicada à fiscalização migratória. A medida afeta diretamente a comunidade brasileira, hoje a maior em Portugal, incluindo muitos ainda em processo de regularização ou à espera de cidadania.

O que é a UNEF e qual o seu impacto

Criada em 2024 e em funcionamento desde agosto de 2025, a UNEF assumiu as funções de fiscalização antes exercidas pelo extinto SEF. Com mais de mil agentes, tem como missão verificar documentos, identificar situações de irregularidade e executar ordens de deportação. Isso significa que abordagens em transportes públicos, zonas urbanas e aeroportos poderão tornar-se mais frequentes.

Para quem já possui residência ou cidadania, pouco muda além de uma maior atenção às identificações. Já para quem está irregular ou apenas com processos pendentes, a UNEF representa maior risco de fiscalização. O objetivo do governo é dar andamento a milhares de processos de afastamento acumulados ao longo dos anos.

Orientações práticas

A recomendação central é ter sempre em mãos documentos de identificação válidos e, se estiver em processo de regularização, portar comprovativos como protocolos da AIMA, contratos de trabalho, recibos de contribuição à Segurança Social ou comprovativos de morada. Em caso de abordagem, o estrangeiro deve manter a calma, colaborar e anotar a identificação dos agentes.

Se houver detenção, inicia-se um processo formal de afastamento. O imigrante tem direito a apresentar provas dos seus vínculos com Portugal (trabalho, família, residência) e a contestar judicialmente a decisão. Caso não disponha de recursos, pode solicitar apoio de advogado nomeado pelo Estado e isenção de custas judiciais. Além disso, é direito do cidadão brasileiro comunicar-se de imediato com o consulado.

Direitos e deveres

É importante frisar que a fiscalização deve respeitar a Constituição e a Lei de Estrangeiros. Estar em processo de legalização não significa ilegalidade, e nenhuma detenção pode ocorrer sem fundamento. O imigrante tem direito ao devido processo legal, à defesa e à dignidade, independentemente da sua situação documental.

Conclusão

A UNEF simboliza uma nova fase do controle migratório em Portugal. Para uns, é um reforço da segurança; para outros, um fator de incerteza. Para a comunidade brasileira, a melhor resposta é informação: manter documentos em dia, conhecer os próprios direitos e acionar os mecanismos de defesa quando necessário. O equilíbrio entre ordem pública e respeito aos imigrantes será decisivo para que esta política se traduza em confiança, e não em medo. ■

Luíz Fernandes

Advogado especialista em direito digital e desenvolvimento de negócios

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