Austrália: comunidade portuguesa envelhece e regista declínio demográfico

A emigração portuguesa para a Austrália encontra-se hoje em retração, com cerca de 18 mil residentes e um volume de entradas insuficiente para contrariar o envelhecimento da comunidade

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Atualmente, 18 mil portugueses residem no país oceânico. Foto: divulgação
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De acordo com o mais recente OEm Country Reports – Austrália, do Observatório da Emigração, coordenado por Sofia Vilhena e publicado em dezembro de 2025, a presença portuguesa na Austrália continua a perder expressão, refletindo um processo de declínio e envelhecimento que se arrasta há vários anos. 

Segundo o relatório, a emigração portuguesa para a Austrália foi sobretudo um fenómeno da segunda metade do século XX, um período em que o país se afirmou como um destino relevante para trabalhadores portugueses. 

Atualmente, o stock de portugueses residentes é estimado em cerca de 18 mil indivíduos, um número residual que tem vindo a diminuir progressivamente, acompanhando o envelhecimento da população emigrada.

Embora ainda se observe uma maior presença masculina, os dados apontam para uma tendência de equilíbrio entre sexos. 

Em termos de distribuição geográfica, a maioria da comunidade portuguesa concentra-se nos estados de New South Wales, Victoria e Western Australia, que historicamente acolheram os principais fluxos migratórios.

Do ponto de vista sociodemográfico, trata-se maioritariamente de uma população com médias a baixas qualificações escolares, embora amplamente integrada no mercado de trabalho. 

As principais ocupações exercidas pelos portugueses na Austrália incluem técnicos e outros comerciantes, operários, profissionais qualificados, gestores, trabalhadores clericais e administrativos, trabalhadores comunitários e de serviços pessoais, operadores de maquinaria, condutores e vendedores.

A análise do Observatório da Emigração revela ainda que a comunidade portuguesa no país oceânico é maioritariamente católica e composta, em grande parte, por agregados familiares de casais com filhos, refletindo padrões migratórios associados à emigração permanente e à reunificação familiar.

Apesar da estabilidade social e profissional da população residente, o relatório conclui que o reduzido número de novas entradas não é suficiente para inverter o declínio demográfico nem o acentuado envelhecimento da comunidade portuguesa no país. 

Neste contexto, a Austrália assume hoje um papel claramente secundário no mapa da emigração portuguesa, contrastando com o dinamismo observado noutros destinos europeus nas últimas décadas.  ■

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