A União Europeia e o Mercosul assinaram no sábado, 17 de janeiro, em Assunção, no Paraguai, o acordo de parceria que cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, reunindo aproximadamente 720 milhões de pessoas e um PIB estimado em US$ 22 trilhões. As negociações, iniciadas há mais de 26 anos, foram concluídas em 6 de dezembro de 2024 sob coordenação da presidência brasileira do Mercosul.
A cerimônia teve início às 12h15 (horário de Brasília), no Teatro José Asunción Flores, do Banco Central do Paraguai, o mesmo local onde, em 1991, foi assinado o Tratado de Assunção que criou o Mercosul. O acordo foi firmado pelos representantes de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, e pelo comissário europeu do Comércio, Maros Sefcovic, com a presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa.
A assinatura ocorreu um dia após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reunir-se com Von der Leyen no Rio de Janeiro. No encontro de sexta-feira (16), Lula classificou as negociações como “25 anos de sofrimento e tentativa de acordo”. Von der Leyen chamou o tratado de “conquista de uma geração inteira” e agradeceu a liderança brasileira nas tratativas finais.
O texto prevê a eliminação gradual de tarifas de importação para mais de 90% do comércio bilateral, envolvendo bens industriais e agrícolas. O acordo abre caminho para a eliminação de tarifas em 91% das exportações europeias com destino ao Mercosul e em 92% das exportações sul-americanas que visam à Europa. Também estabelece compromissos em direitos trabalhistas, proteção ambiental e respeito ao Estado de Direito.
Lula não participou da cerimônia no Paraguai. O Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Outros líderes estiveram presentes, como os presidentes Javier Milei (Argentina), Rodrigo Paz (Bolívia) e Santiago Peña (Paraguai).
O acordo foi aprovado em 9 de janeiro de 2026 no Conselho da UE por 21 votos a favor e 5 contra (Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia). A Bélgica se absteve. Após a assinatura, o texto será submetido à ratificação pelo Parlamento Europeu e pelos congressos nacionais de cada país integrante do Mercosul. ■





