Peter Thiel é um dos personagens mais influentes — e ao mesmo tempo menos visíveis — do mundo contemporâneo. Cofundador do PayPal, empresa que também teve Elon Musk entre seus sócios, Thiel tornou-se uma figura-chave da economia digital e da arquitetura de poder do século XXI.
Sua trajetória
Revela como tecnologia, segurança, finanças e política passaram a operar de forma profundamente integrada.
Atualmente, Thiel é sócio e um dos principais nomes por trás da Palantir Technologies, empresa especializada em análise de dados, inteligência artificial e cibersegurança. A Palantir atua diretamente em serviços estratégicos do governo dos Estados Unidos, especialmente nas áreas de defesa, inteligência e segurança nacional.
Antecipar é o desafio
Trata-se de uma empresa que não apenas interpreta dados, mas antecipa comportamentos, riscos e cenários — um poder silencioso, porém decisivo, no mundo digital.
Nesse contexto, o poder deixou de ser apenas territorial ou militar. Ele passou a ser algorítmico, preditivo e informacional. Controlar dados é controlar decisões. E é nesse ponto que figuras como Peter Thiel se tornam centrais: não pelo espetáculo, mas pela infraestrutura invisível que sustenta o funcionamento do mundo contemporâneo.
Redes sociais, desejo e dopamina
Muito se afirma que as redes sociais dominam os indivíduos pelo medo. No entanto, o mecanismo mais eficiente não é o medo, mas o prazer. As plataformas digitais foram desenhadas para estimular desejo, recompensa imediata e liberação constante de dopamina. Likes, notificações, vídeos curtos e feeds infinitos criam sistemas de consumo emocional que capturam atenção e moldam comportamentos.
Esse modelo não apenas vende produtos; ele vende estados mentais. O usuário torna-se simultaneamente consumidor e mercadoria.
A economia da atenção é, na verdade, uma economia do desejo.
Do petrodólar ao IAdólar
Assim como o século XX foi marcado pelo petrodólar, o século XXI caminha para a era do IAdólar.
Os grandes investimentos estratégicos globais
Já não se concentram apenas em petróleo, energia ou indústria pesada, mas em inteligência artificial, dados e capacidade computacional.
Países, empresas e fundos que lideram o desenvolvimento de IA passam a deter vantagem econômica, militar e cultural. A moeda de poder não é mais apenas o barril de petróleo, mas o algoritmo capaz de aprender, prever e decidir.
O novo mundo
É a solidão conectada
Vivemos, paradoxalmente, o século da solidão conectada. Nunca estivemos tão interligados digitalmente e, ao mesmo tempo, tão fragmentados nas relações reais. O desafio contemporâneo não é apenas tecnológico, mas humano: restabelecer vínculos autênticos em um mundo mediado por telas, dados e estímulos artificiais.
A grande questão que se impõe
Não é se a tecnologia continuará avançando — isso é inevitável, mas quem controla suas estruturas, com quais valores e a serviço de quais finalidades. Figuras controversas como Peter Thiel simbolizam essa encruzilhada histórica: entre inovação, poder e o futuro da própria existência humana. ■
Antônio Campos
Advogado e escritor





