O acordo entre a União Europeia e o Mercosul, aprovado em janeiro de 2026, é um marco histórico para Portugal. Para regiões com forte tradição exportadora de produtos de qualidade, como as Beiras, este acordo representa uma oportunidade única para valorizar a nossa identidade regional e acelerar a internacionalização da economia.
A região das Beiras está particularmente bem posicionada para beneficiar da remoção de barreiras comerciais e da proteção legal dos nossos produtos emblemáticos.
Existem vantagens concretas para as Beiras porque o acordo concentra-se na eliminação de obstáculos para produtos de alto valor acrescentado, especialmente aqueles que enfrentavam taxas proibitivas nos mercados do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Há ainda a Proteção das Indicações Geográficas (IG), o que garante a proteção directa de nomes como “Queijo Serra da Estrela DOP” e “Azeites da Beira Interior”, impedindo a sua utilização indevida por produtores locais no Mercosul.
Mais, preserva a autenticidade e o valor dos nossos produtos, distinguindo-os como referências de qualidade.
Temos a competitividade dos vinhos e azeites, dois produtos de excelência.
Para todas as regiões, mas especialmente para os Vinhos da Beira Interior e Dão, as tarifas actuais (até 35% no Brasil) serão eliminadas progressivamente, tornando os nossos vinhos mais competitivos face aos concorrentes sul-americanos.
O fio de Ouro, o Azeite da Beira Interior. A proteção da denominação e a eliminação de taxas (cerca de 10%) vão obviamente facilitara exportação para o Brasil, o maior mercado lusófono do bloco.
A Câmara de Comércio da Região das Beiras vê também oportunidades para as Pequenas e Médias e Empresas.
O acordo simplifica os controlos sanitários e fitossanitários, agilizando a exportação para as PME da região. Além disso, abre portas em sectores estratégicos tais como os Bens industriais na eliminação progressiva de tarifas (que chegavam a 35%) para componentes automóveis, máquinas, moldes e produtos químicos.
Em Serviços e contratação pública, as regras são claras para telecomunicações, comércio electrónico e acesso transparente a concursos públicos no Mercosul.
Reconheço também as preocupações legítimas de sectores como a carne bovina e os cereais.
No entanto, o acordo inclui mecanismos robustos para garantir uma concorrência justa, as quotas limitadas.
As importações de carne bovina do Mercosul estão restritas a cerca de 1,4% do consumo total da UE.
Existem Cláusulas de salvaguarda que podem ser activadas em caso de surtos descontrolados de importações que prejudiquem o mercado local.
Por outro lado, temos as normas de sustentabilidade pela Exigência de cumprimento integral das regras europeias, incluindo o combate ao desmatamento.
A CCRBeiras saúda este acordo como um passo decisivo para a competitividade regional.
Comprometemo-nos a Informar e formar os empresários sobre procedimentos e oportunidades específicas; promover activamente os nossos produtos no Mercosul, com enfoque no Brasil.
Bem como acompanhar rigorosamente a aplicação do acordo, garantindo condições equitativas para as nossas empresas.
Acredito, enquanto presidente da Câmara de Comércio da Região das Beiras, que esta é a Oportunidade para Agir!
Este acordo é uma porta de ouro que se abre para as Beiras. Cabe-nos, como região empreendedora e de excelência, atravessá-la com confiança e determinação, levando o melhor dos nossos 111 municípios para o mundo.
Agora é o momento de agir, unindo esforços com associações sectoriais, o Governo e a AICEP para maximizar o potencial desta nova era comercial.
Das Beiras para o mundo… O Mundo à nossa Beira! ■
Ana Correia
Presidente da Câmara de Comércio da Região das Beiras





