Cidadã luso-brasileira nomeada cônsul honorária de Cabo Verde para Castelo Branco, Viseu e Guarda

Empresária e ativista social, Sofia Lourenço assume novo papel no apoio oficial à comunidade cabo-verdiana na região Centro de Portugal; nomeação reforça cooperação entre Cabo Verde e Portugal

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Momento da entrega da homenagem à Sofia Lourenço pelas mãos de Elisângela Carvalho, conselheira da Embaixada da República de Cabo Verde em Portugal. Fotos: Foto: Luz & Cor studio
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“No intuito de dar continuidade as ações desenvolvidas ao longo dos últimos anos, tanto em Cabo Verde como em Portugal, mas principalmente promover os interesses de Cabo Verde e auxiliar a comunidade cabo-verdiana de forma oficial, temos a honra de comunicar que o Senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros e Ministro das Comunidades da República de Cabo Verde, José Luís Livramento, nomeou a Senhora Sófia Conceição Reixa Lourenço como cônsul honorário de Cabo Verde para os distritos de Castelo Branco, Viseu e Guarda”. 

Foi desta forma que Elisângela Carvalho, conselheira da Embaixada da República de Cabo Verde em Portugal, anunciou as novas funções da empresária e ativista social luso-brasileira Sofia Lourenço, residente em Castelo Branco, que está agora responsável pelo consulado honorário desse país africano, tendo como missão auxiliar nos trabalhos nos distritos de Castelo Branco, Viseu e Guarda, que, juntos, somam dezenas de cidadãos provenientes de Cabo Verde e que escolheram a região Centro de Portugal para viver, trabalhar e estudar.

No seu pronunciamento, que aconteceu no âmbito da quarta Gala Beneficente da Associação Mais Lusofonia, dia 10 de janeiro, na Quinta das Olelas, Elisângela Carvalho avançou que, nos próximos dias, será entregue a carta patente para que Sofia possa “dar início às funções” no território assinalado. Segundo apurámos, o documento oficial será disponibilizado numa cerimónia oficial em Lisboa, ainda sem data.

Em declarações à nossa reportagem, Sofia Lourenço não escondeu a emoção em virtude deste reconhecimento.

“Recebo esta nomeação com muita honra e sentido de responsabilidade. Temos muito trabalho pela frente. Apesar de já desenvolvermos atividades de apoio à comunidade cabo-verdiana na região Centro de Portugal há alguns anos, agora teremos uma melhor estrutura para realizar ações consulares e dar maior atenção às problemáticas vivenciadas pela comunidade de Cabo Verde na região”, frisou Sofia Lourenço.

Apoio associativo

A valorizar a temática social, Elisângela Carvalho sublinhou o trabalho da “Mais Lusofonia”, entidade liderada por Sofia Lourenço e que tem “contemplado Cabo Verde com diversas ações de solidariedade, em várias ilhas, tais como Brava, Santiago, Santo Antão e São Vicente”.

A conselheira da Embaixada de Cabo Verde em Portugal recordou que a “Mais Lusofonia” vem “apoiando ativamente os doentes evacuados de Cabo Verde em Portugal, colaborando com a Embaixada de Cabo Verde em iniciativas como recolha de bens, entrega de brinquedos para crianças e outras ajudas essenciais para tornar a sua estadia e tratamento mais dignos e reconfortante”.

Durante a sua intervenção, o presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, reconheceu o trabalho de Sofia Lourenço.

“Quero cumprimentar e felicitar a Sofia pela distinção de Cabo Verde. É uma honra também para nós, porque sabemos que ela tem sido uma verdadeira embaixadora da nossa terra em África e também na América”, afirmou o autarca, que destacou o percurso e a ação cívica da dirigente associativa homenageada.

“Conheço a Sofia há algum tempo e sempre vi nela jovialidade, dinamismo, sensibilidade, emotividade e capacidade de fazer. É assim que ela tem representado a comunidade. Enquanto autarca, entendo que uma comunidade se faz com todos. Com quem nasce cá, com quem escolhe o nosso território para viver, com quem nos visita e com as instituições. Portugal é um país que sabe e gosta de acolher. A presença de imigrantes no nosso território é fundamental para o seu desenvolvimento. Acolhemo-los com honra e com respeito”, referiu.

Cristina Granada, presidente da mesa da Assembleia Geral da Mais Lusofonia, deputada da Assembleia Municipal de Castelo Branco, onde exerce a função de Secretária da Mesa da Assembleia, e antiga deputa à Assembleia da República portuguesa, comentou que, a visibilidade que hoje Sofia Lourenço goza, é reflexo do seu trabalho e ajuda também no desenvolvimento de ações da Associação e na promoção de Castelo Branco internacionalmente.

O momento foi acompanhado de perto por entidades e autoridades lusófonas, como Maria de Jesus Ferreira, embaixadora da República de Angola em Portugal; Vicência Ferreira Morais de Brito, cônsul-geral da República de Angola em Portugal; Felino Carvalho, embaixador jubilado da República de Cabo Verde em Portugal; Jonathan Vieira, representante do Departamento de Doentes Evacuados da Embaixada de Cabo Verde em Portugal; Armindo Luz, presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, na ilha de Santo Antão, em Cabo Verde; José Pires, presidente da Junta de Freguesia de Castelo Branco; Fátima Marques, representante da Junta de Freguesia de Cebolais de Cima e Retaxo; Clara Marques, presidente da Assembleia Municipal da Praia, na ilha de Santiago, em Cabo Verde; Francisco Tavares, ex-autarca na ilha Brava, em Cabo Verde; Margareth Neves, presidente da Associação dos Angolanos de Castelo Branco; e João Morgado, presidente da Casa do Brasil e Terras de Cabral.

O anúncio foi celebrado também por Higor Esteves, diretor da Start CPLP e vice-presidente da Comissão Executiva da CE-CPLP, que destacou, através de mensagem, o trabalho ativo da Sofia na região. O mesmo caminho foi seguido pelo embaixador da Guiné Equatorial em Portugal e junto da CPLP, Tito Mba Ada, que expressou reconhecimento pelo trabalho desenvolvido e pela promoção da integração, do intercâmbio cultural e da solidariedade entre as comunidades de língua portuguesa.

Território de acolhimento

Também presente no evento, Carlos Almeida, diretor do Agrupamento de Escolas Amato Lusitano, localizado em Castelo Branco, explicou à nossa reportagem que existem, no Agrupamento, 1985 alunos distribuídos por cinco escolas, sendo 229 alunos imigrantes, oriundos de 27 nacionalidades. Ao todo, são 97 brasileiros, 38 angolanos, cinco moçambicanos, dois cabo-verdianos e dois naturais de São Tomé e Príncipe.

Dados do Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes de Castelo Branco (CLAIM), de 2024, indicam que 753 pessoas migrantes e refugiadas vivem no concelho de Castelo Branco. Um público que tem recebido a atenção de entidades locais e nacionais, como a “Mais Lusofonia”.

Em setembro do ano passado, Sofia Lourenço, enquanto presidente da Associação Mais Lusofonia, integrou um dos painéis da “VII Feira +Social”, realizada no Mercado Municipal de Castelo Branco. Nessa ocasião, esta responsável deixou claro que “a nossa principal parceira é a população de Castelo Branco”, tendo em conta as ações levadas a cabo pela entidade em África, incluindo Cabo-Verde.

Por sua vez, a secretária de Serviços das Comunidades da Embaixada de Cabo Verde em Portugal, Manuela Oliveira, afirmou à nossa reportagem, durante o Festival Mais Solidário, em 2024, que a diáspora cabo-verdiana constitui “uma parte crucial” do desenvolvimento de Cabo Verde, reforçando que a comunidade cabo-verdiana residente no Interior de Portugal é maioritariamente composta por estudantes, muitos dos quais acabam por permanecer no país após os estudos, atraídos por oportunidades profissionais, sem deixarem de contribuir para o desenvolvimento nacional através de remessas, conhecimento e experiência acumulada.

Manuela Oliveira alertou para as dificuldades iniciais enfrentadas por imigrantes, sobretudo em matéria de documentação e integração, destacando o trabalho articulado com a AIMA no apoio à regularização e inserção laboral.

Novo papel

“As funções que me caberão oficialmente ainda não posso divulgar, mas, com toda a certeza, iremos ampliar a proximidade da comunidade cabo-verdiana espalhada pelo território, além de ouvir as dificuldades desse público e promover a inclusão. Essas serão as nossas prioridades”, confirmou Sofia Lourenço, que prometeu que “o meu trabalho continuará com a maior seriedade como tem sido até aqui. Ter Castelo Branco como ponto principal facilitará a identificação aos cabo-verdianos”.

“Quanto às necessidades, a identificação será crucial, começando por um recenseamento para percebermos quais são as principais dificuldades nas mais variadas áreas. Na minha opinião, somos todos pessoas no mesmo território e, quanto melhor for a integração, melhor será o desenvolvimento entre os dois países”, finalizou Sofia Lourenço.

Currículo marcado pela integração e multiculturalidade

Sofia Lourenço é cidadã luso-brasileira, residente em Castelo Branco, terra dos seus pais, há mais de 30 anos. Traz no peito as suas raízes na região e um sentimento ativo de valorização das migrações.

É jurista, licenciada em Direito, com especialização em Medicina Legal. É também pós-graduada em Medicina Ortomolecular, Nutrição Funcional e Bioquímica. Conta com outra licenciatura em Medicina Tradicional Chinesa com especialidade em Acupuntura. É preparadora física e tem na veia os passos e a beleza do ballet clássico.

Empresária conhecida em Castelo Branco no ramo da Saúde e Bem Estar, lidera a Clinibeira. É ainda, no campo literário, membro correspondente da Associação Luso brasileira de Letras. Atua como conselheira da Sociedade da Excelência Luso-Brasileira e integra a Direção de Ação Social da Associação Romã Azul.

Reconhecida por ser ativista social e pela igualdade de género, foi condecorada pela Academia de Filosofia e Ciências Humanísticas Lucentina. É responsável por várias ações humanitárias de solidariedade social e intercâmbio cultural entre Brasil, Cabo Verde, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Hoje, é presidente da Associação Mais Lusofonia, fundada em 2021.  ■

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