
Portugal precisará incorporar cerca de 1,3 milhão de novos trabalhadores até 2030 para garantir a sustentabilidade financeira da Segurança Social. A estimativa consta de um estudo do Centro de Formação Prepara Portugal, elaborado com base em dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (Aima) e da Pordata.
A análise toma como referência o rácio (proporção) entre população ativa e pensionistas, indicador central para o financiamento das pensões. Estudos atuariais indicam que o sistema precisa aproximar-se de 2,5 trabalhadores no ativo por cada reformado. Hoje, esse rácio situa-se em cerca de 1,7, pressionado pela previsão de saída de aproximadamente 500 mil pessoas para a reforma até o fim da década.
Portugal apresenta taxa de dependência de idosos superior a 37%, o que indica um número crescente de pensionistas por trabalhador ativo, segundo o INE.
O estudo destaca que a imigração tem desempenhado papel relevante no equilíbrio das contas previdenciárias. O número de imigrantes residentes passou de cerca de 430 mil em 2010 para mais de 1,5 milhão em 2024. Desse total, aproximadamente 85% estão em idade ativa, entre 18 e 64 anos.
A taxa de emprego da população imigrante atingiu 67% em 2025, próxima à taxa dos nacionais (72%). A participação dos trabalhadores estrangeiros na base contributiva mais que dobrou no período, passando de cerca de 3% para uma projeção de 6% do total. Em 2024, as contribuições ultrapassaram 3,6 mil milhões de euros, representando mais de 12% da arrecadação do regime contributivo, com saldo líquido positivo.
Apesar do impacto positivo, o levantamento aponta entraves estruturais à retenção dessa mão de obra, como a demora no reconhecimento de qualificações acadêmicas e profissionais e nos processos administrativos de regularização da residência. Esses fatores têm levado trabalhadores qualificados a procurar outros países europeus, reduzindo o potencial contributivo para o sistema de proteção social. ■




