Apresentado, no último dia 28 de janeiro, no quadro das comemorações dos 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o inédito estudo Barómetro da Lusofonia reúne dados comparativos sobre perceções, prioridades sociais e vínculos culturais em oito países, confirmando, de acordo com Antônio Lavareda, idealizador e diretor geral do projeto, uma base sólida de legitimidade social no espaço da CPLP.
Em declarações exclusivas à Agência Incomparáveis, Antônio Lavareda, que é também presidente do Conselho Científico do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Económicas, com sede no Brasil, sublinhou que o projeto vai além de uma pesquisa de opinião tradicional.
“O nosso objetivo é ajudar a integrar ainda mais os países de língua portuguesa”, afirmou, defendendo que a língua comum funciona como um espaço simbólico de pertença num universo marcado por realidades geográficas, sociais e económicas muito distintas.
O coordenador destacou ainda que, apesar de os países lusófonos não partilharem fronteiras, existe um capital político e cultural relevante que pode ser mobilizado para reforçar a cooperação.
“A pátria nossa é a língua portuguesa”, recordou, citando Fernando Pessoa, para enfatizar o papel do idioma como facilitador do intercâmbio cultural, social, institucional e económico entre os Estados-Membros.
Lavareda explicou que o Barómetro introduz uma dimensão inovadora ao analisar não apenas preocupações internas, mas também o grau de conhecimento, interesse e perceção que as populações têm umas das outras, incluindo temas como trocas culturais, migrações, consumo de informação, indústrias criativas, desinformação e até preferências desportivas.
Segundo o investigador, estes dados constituem um instrumento estratégico para apoiar políticas públicas e decisões multilaterais mais informadas no âmbito da CPLP, estando já previstos seminários internacionais para análise e reflexão sobre os resultados do Barómetro.
Nesta primeira edição, o estudo ouviu 5.400 pessoas em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, pelo que os resultados, para Antônio Lavareda, demonstram que compreender simultaneamente as convergências e as singularidades das sociedades lusófonas é essencial para “promover a cooperação e, através de tudo isso, ajudar a fortalecer e a promover os valores democráticos” no espaço da língua portuguesa. ■





