António José Seguro eleito novo Presidente português

Mandato de Seguro iniciará em 09 de março

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António José Seguro, Presidente português eleito. Foto: JOSE COELHO/LUSA
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António José Seguro tornou-se, hoje, 8 de fevereiro, no sexto Presidente da República eleito da democracia portuguesa, ultrapassando a barreira dos três milhões de votos expressos, algo que anteriormente somente Mário Soares, António Ramalho Eanes e Jorge Sampaio tinham conseguido. O mandato de Seguro iniciará em 09 de março. André Ventura teve mais de 1 milhão e 712 mil votos.

Até o fecho da nossa edição, Seguro foi o candidato mais votado com 66,73% na segunda volta, à frente de André Ventura com 33,27% quando estavam apurados os resultados provisórios em 3.233 das 3.259 freguesias e 99 de 107 consulados.

Na segunda volta destas eleições presidenciais, o antigo secretário-geral do Partido Socialista superou os três milhões de votos quando ainda faltavam apurar 42 freguesias e nove consulados, de acordo com os dados da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna.

António José Seguro considerou, após conhecer o resultado, que o “o povo português é o melhor povo do mundo” e elogiou a sua “responsabilidade cívica e o apego à democracia”.

“A primeira palavra é simples: o povo português é o melhor povo do mundo. Excelente, de uma responsabilidade cívica enorme e de um apego aos valores da democracia”, disse Seguro aos jornalistas à saída de sua casa, nas Caldas da Rainha, naquela que foi a primeira declaração depois de ser conhecida a sua vitória na segunda volta das presidenciais.

Questionado sobre se acreditava num resultado como o conseguido esta noite, disse ter “imaginado que podia merecer a confiança dos portugueses”.

O Presidente da República eleito afirmou ainda ter como único objetivo “servir o país”.

Nas redes sociais, o presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, deu os parabéns a António José Seguro, “pela vitória expressiva nas urnas, numa eleição que se desenvolveu de forma pacífica e representa a vitória da democracia num momento tão importante para a Europa e o mundo” e que “consolida a posição de Portugal de apoio ao acordo Mercosul-União Europeia”.

“O Brasil seguirá trabalhando em parceria com o presidente eleito e o primeiro-ministro Luís Montenegro pelo fortalecimento das relações bilaterais históricas entre nossos países, em defesa do multilateralismo e do desenvolvimento sustentável”, frisou Lula.

Declarações à Agência Incomparaveis

Dias antes da segunda volta, António José Seguro afirmou, em entrevista à nossa reportagme, que “a relação com os portugueses que vivem e trabalham no estrangeiro, bem como com os seus descendentes, será uma prioridade no exercício da Presidência”. O candidato enquadrou a diáspora como ativo estratégico para a projeção internacional de Portugal, sublinhando o seu peso demográfico, económico e cultural, e frisou que “Portugal é maior do que o seu território”, defendendo uma visão de país assente na presença global dos seus cidadãos.

Ao longo da entrevista, Seguro assumiu que pretende usar “a autoridade moral e o prestígio da função presidencial para unir vontades e defender sempre a dignidade e os direitos dos portugueses espalhados pelo mundo”, disse o candidato, reforçando que o Presidente da República deve ser garante da coesão nacional alargada.

“Não há portugueses de primeira nem de segunda”, afirmou, acrescentando que o país “afirma-se melhor no mundo quando conta com os portugueses que desempenham um papel relevante nos países de acolhimento, como embaixadores naturais dos nossos valores, da nossa cultura e da nossa influência”.

O agora Presidente eleito destacou ainda o contributo do Conselho das Comunidades Portuguesas, do Conselho da Diáspora Portuguesa, dos deputados eleitos pelos círculos da emigração e do movimento associativo, defendendo uma ligação institucional mais próxima e eficaz.

Seguro anunciou a intenção de promover um Fórum Anual das Comunidades Portuguesas e garantiu especial atenção à juventude lusodescendente, através de intercâmbios e programas de aproximação a Portugal.

“Onde está um português, está Portugal”, sublinhou, reafirmando o compromisso de ser “o Presidente de todos os portugueses, estejam onde estiverem”.

Resultados Globais

Dos mais de 11 milhões de inscritos, mais de 3,3 milhões votaram em Seguro, com André Ventura a obter mais de 1,6 milhões de votos, segundo dados que, ao fecho da nossa edição, apontavam para uma abstenção de cerca de 50%.

Apenas outras quatro vezes desde 1976 um Presidente da República foi eleito com mais de três milhões de votos, sendo Mário Soares o único a consegui-lo por duas vezes, nomeadamente em 1991, naquela que foi a maior vitória em termos de percentagem e de votos de um chefe de Estado.

Na sua reeleição, 3.459.521 eleitores votaram em Soares, que venceu com expressivos 70,35%, uma percentagem que ainda hoje figura como a maior de sempre.

Antes, nas presidenciais de 1986, as únicas até hoje a terem uma segunda volta, o histórico líder socialista obteve 3.010.756 de votos (51,18%) no segundo sufrágio frente a Freitas do Amaral.

António Ramalho Eanes também foi reeleito com mais de três milhões de votos (3.262.520, ou 56,44%) em 1980, enquanto Jorge Sampaio recebeu 3.035.056 milhões de votos (53,91%) na sua primeira eleição, em 1996.

Esta foi a 11.ª vez que os portugueses foram chamados a escolher o Presidente da República em democracia, desde 1976.

O atual Presidente da República, eleito em 2016, é Marcelo Rebelo de Sousa, que termina o seu mandato em março de 2026.

Desde 1976, foram eleitos António Ramalho Eanes (1976-1986), Mário Soares (1986-1996), Jorge Sampaio (1996-2006), Cavaco Silva (2006-2016) e Marcelo Rebelo de Sousa (2016-2026).

Marcelo felicitou Seguro

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, felicitou o seu sucessor, António José Seguro, que venceu a segunda volta das eleições presidenciais, e a agenda aponta para que haja já um encontro amanhã, dia 9, segundo apurámos.

Segundo nota publicada no sítio oficial da Presidência da República na Internet, o chefe de Estado “telefonou a António José Seguro para o felicitar pela sua vitória nas eleições presidenciais, desejando-lhe as maiores felicidades e êxitos para o mandato que os portugueses lhe atribuíram”, que se iniciará em 09 de março.

Marcelo Rebelo de Sousa manifestou a António José Seguro “toda a disponibilidade para assegurar a transição institucional”.

No passado, o Presidente da República referiu ainda que, como aconteceu no seu caso, quem lhe suceder na chefia do Estado terá um espaço para trabalhar no Palácio de Queluz entre a respetiva eleição – seja à primeira volta, em 18 de janeiro, ou à segunda, em 08 e fevereiro – e a posse, em 09 de março, que já “está preparado”.

PSD espera “cooperação interinstitucional intensa” com Seguro

A primeira vice-presidente do PSD, Leonor Beleza, afirmou hoje que o partido espera uma “cooperação interinstitucional intensa” com António José Seguro, garantindo da parte dos sociais-democratas uma “colaboração leal e frutífera”.

Leonor Beleza reagiu, em nome do PSD, à vitória de António José Seguro nas presidenciais, depois de ter sido a única dirigente nacional de topo dos sociais-democratas a manifestar apoio a um dos candidatos, precisamente ao antigo secretário-geral do PS, que teve como adversário na segunda volta André Ventura, presidente do Chega.

“O povo português votou, escolheu. Saudamos todos, em particular todos aqueles que participaram de alguma maneira no processo, incluindo todos aqueles que ajudaram outros a ir votar”, afirmou, salientando que esta eleição decorreu num momento em que o país está a passar por “grandes dificuldades”. ■

Agência Incomparáveis, com Lusa

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