Siro Darlan, desembargador brasileiro, apresenta em Lisboa “A Cor da Lei”, de “Marcinho VP”

Snob – Livraria e Editora terá sessão de autógrafos; valor arrecadado com a venda do livro será destinado ao Fundo Municipal para Atendimento dos Direitos da Criança e do Adolescente do Rio de Janeiro, Brasil; objetivo da obra é promover “reparação social” por parte do autor

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Siro Darlan, desembargador brasileiro. Foto: Acervo pessoal
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Lisboa acolhe, no próximo dia 14 de fevereiro, às 17h, o lançamento do romance “A Cor da Lei”, da autoria de Márcio Nepomuceno – “Marcinho VP”. A apresentação decorre na Snob – Livraria e Editora, situada na Travessa de Santa Quitéria, 32A, na capital portuguesa, e contará com sessão de autógrafos.

A obra será apresentada por Siro Darlan, desembargador e vice-presidente da Academia Brasileira de Letras do Cárcere (ABLC). Magistrado com percurso reconhecido na área da Justiça e dos direitos humanos, Darlan participa na introdução do livro, reforçando o enquadramento jurídico e social da publicação, tendo no currículo fama de juiz rigoroso em temas ligados à infância e juventude, área em que atuou por mais de uma década.

Editado pela Kotter Editorial, “A Cor da Lei” propõe, segundo apurámos, “uma reflexão sobre o sistema judicial e as dinâmicas sociais que o atravessam”. O título sugere um olhar crítico sobre a aplicação da lei e os seus impactos em diferentes contextos sociais, tema que tem gerado debate no espaço público.

Márcio dos Santos Nepomuceno nasceu no Rio de Janeiro, em 12 de fevereiro de 1970, e ficou conhecido como “Marcinho VP”, tendo um passado ligado ao crime no Brasil, sendo apontado como “um dos dois principais líderes da organização criminosa Comando Vermelho (CV), ao lado de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar”. É pai de Oruam, jovem rapper brasileiro.

O lançamento em Lisboa integra a agenda internacional da obra e assinala a sua apresentação ao público português, num momento que reúne literatura, justiça e reflexão cívica no mesmo palco.

“ressignificar a sua história”

Mais conhecido no passado como “Marcinho VP”, Márcio não é o erro cometido há 30 anos. Preso há três décadas, sendo 20 delas em regime de isolamento absoluto, escreveu e publicou quatro livros. Em “A Cor da Lei”, romance de 500 páginas, o autor procura ressignificar a sua história longe das manchetes, transformando a cela num espaço de estudo, reflexão, escrita e reconexão com a própria humanidade.

Atualmente, Márcio é membro da Academia Brasileira de Letras do Cárcere, ocupando a cadeira nº 1, que homenageia Graciliano Ramos. Fundada no Rio de Janeiro, a ABLC tem como missão “estimular a leitura e a escrita entre pessoas encarceradas e egressas do sistema prisional, promovendo a reinserção social por meio da literatura”.

Lançado em julho de 2025 no Complexo do Alemão, “A Cor da Lei” foi apresentado em importantes eventos literários do país, como a Bienal do Livro do Rio de Janeiro, a Flip – Festa Literária Internacional de Paraty – e a Feira Literária da USP, em São Paulo.

“reparação social”

De acordo com a nossa apuração, com mais de três mil exemplares vendidos, o romance “expõe as cicatrizes de uma sociedade marcada pelo racismo estrutural, pela seletividade penal e pela desigualdade de acesso à justiça”.

A narrativa acompanha a trajetória de Eduardo, um jovem negro que luta para romper estigmas e ciclos impostos pela origem social, numa busca por dignidade, pertencimento e justiça. Ao contar essa história, o autor também revela sua própria caminhada, afirmando a literatura como “a única arma que nenhum ser humano deve temer”.

Os organizadores do evento indicaram que todo o valor arrecadado com a venda do livro será destinado ao Fundo Municipal para Atendimento dos Direitos da Criança e do Adolescente do Rio de Janeiro, Brasil, numa tónica de “reafirmação do compromisso do autor com a reparação social”. ■

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