Portugal: Marcelo e Seguro encontram-se em Belém para iniciar transição presidencial

O presidente da República cessante recebeu o presidente eleito no Palácio de Belém, numa reunião marcada pela cordialidade e centrada na transição de mandatos e nos principais dossiês nacionais e internacionais

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António José Seguro toma posse como novo presidente da República Portuguesa a 9 de março. Foto: divulgação
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No dia seguinte às eleições presidenciais portuguesas, o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reuniu-se com o novo presidente eleito, António José Seguro, no Palácio de Belém, num encontro que durou cerca de três horas e meia e que marcou formalmente o início do processo de transição presidencial.

De acordo com uma nota divulgada pela Presidência da República, a reunião em Belém decorreu num “ambiente muito cordial” e centrou-se em assuntos de política nacional e internacional que irão requerer atenção prioritária do novo chefe de Estado, bem como em matérias relacionadas com a transição dos mandatos. 

Após o encontro, Marcelo Rebelo de Sousa convidou o seu sucessor a visitar as instalações do Palácio de Belém, incluindo a Sala do Conselho de Estado, onde António José Seguro foi conselheiro entre 2011 e 2014.

António José Seguro chegou ao Palácio poucos minutos antes das 16h00, sendo recebido pelo chefe da Casa Civil, Fernando Frutuoso de Melo, antes de se encontrar com Marcelo Rebelo de Sousa na Sala das Bicas, onde ambos trocaram um demorado aperto de mão perante a comunicação social. 

O presidente eleito deixou Belém pouco antes das 19h30, sem prestar declarações aos jornalistas, acompanhado até à saída pelo atual chefe de Estado.

Este encontro realizou-se no dia seguinte à vitória de António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais, nas quais obteve cerca de 67% dos votos, derrotando André Ventura. 

Na noite eleitoral, Marcelo Rebelo de Sousa já tinha felicitado o seu sucessor por telefone e manifestou disponibilidade total para assegurar uma transição institucional tranquila.

Neste sentido, a posse do novo presidente da República está marcada para 9 de março, perante a Assembleia da República, tornando António José Seguro o sexto presidente eleito na democracia portuguesa, depois de Ramalho Eanes (1976-1986), Mário Soares (1986-1996), Jorge Sampaio (1996-2006), Aníbal Cavaco Silva (2006-2016) e do próprio Marcelo Rebelo de Sousa (2016-2026).

“Vitória de Seguro foi a melhor coisa que aconteceu a Portugal”

A vitória de António José Seguro foi recebida com forte entusiasmo dentro do Partido Socialista. Em entrevista ao BOM DIA, Paulo Pisco, diretor do Departamento de Comunidades do PS e mandatário da candidatura de Seguro para a diáspora, considerou que o resultado das presidenciais “foi a melhor coisa que aconteceu a Portugal”, destacando o facto de Seguro se ter tornado o candidato mais votado de sempre em eleições presidenciais, com mais de 3,4 milhões de votos.

No entanto, Paulo Pisco chamou a atenção para o comportamento eleitoral das comunidades portuguesas no estrangeiro, onde André Ventura venceu contra António José Seguro. 

Para o socialista, estes números refletem o crescimento da direita entre os emigrantes, mas também a elevada abstenção e as dificuldades logísticas associadas ao voto presencial. 

Neste sentido, Paulo Pisco defendeu uma reflexão profunda sobre o modelo de participação eleitoral da diáspora, sublinhando que o novo presidente deverá cumprir os compromissos assumidos junto das comunidades portuguesas.

Carlos Gonçalves espera que Seguro traga estabilidade ao país

Também Carlos Gonçalves, deputado eleito pela AD pelo círculo da Europa, considerou que o resultado das presidenciais representou uma “vitória clara” de António José Seguro, sustentada numa mobilização transversal do eleitorado para travar a extrema-direita. 

Para o parlamentar, muitos portugueses exerceram um “voto republicano”, colocando a defesa dos valores democráticos no centro da decisão eleitoral.

O deputado destacou ainda os resultados expressivos de André Ventura em países europeus como a Suíça e a França, atribuindo-os à implantação da extrema-direita nesses contextos e a sentimentos de revolta entre emigrantes, frequentemente potenciados por campanhas de desinformação. 

Contudo, Carlos Gonçalves criticou as dificuldades logísticas enfrentadas pelos eleitores no estrangeiro e lamentou o chumbo de propostas para uniformizar metodologias de voto e introduzir o voto eletrónico, considerando que o atual sistema afasta muitos cidadãos do exercício do direito de voto. ■

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