Portugal enfrenta uma crescente pressão para acelerar medidas de adaptação à emergência climática, numa altura em que o país continua a ser fustigado por uma série sem precedentes de tempestades que já provocaram pelo menos 16 mortos, deixaram dezenas de milhares de pessoas sem eletricidade e causaram elevados danos materiais.
Na quarta-feira, mais de 3.000 pessoas foram evacuadas na região de Coimbra, depois de o rio Mondego ter atingido níveis críticos, o que inclusive levou parte da A1 (principal autoestrada do país) a colapsar após a rutura de um dique no Mondego, que cedeu sob a pressão das águas.
Entretanto, as autoridades avançaram esta sexta-feira para uma operação de evacuação em maior escala na cidade de Coimbra, que poderá abranger cerca de 9.000 pessoas, face ao elevado risco de inundações no centro urbano.
O município já tinha alertado a população para preparar kits de emergência, enquanto equipas no terreno patrulhavam zonas comerciais e residenciais para avisar moradores e comerciantes em caso de agravamento da situação.
Desde o final de janeiro, altura em que começou aquilo que os cientistas classificaram como o “mais longo comboio de tempestades de que há memória”, centenas de pessoas foram deslocadas em várias zonas do território, sobretudo no centro e sul do país.
Mais de 30.000 pessoas já ficaram sem energia elétrica e os prejuízos são estimados em 775 milhões de euros.
Em 68 concelhos, o governo, liderado por Luís Montenegro, declarou o estado de calamidade até domingo, numa tentativa de acelerar respostas administrativas e operacionais.
O primeiro-ministro cancelou também compromissos internacionais para acompanhar a evolução da crise e apelou à população para manter “vigilância total” nos próximos dias, sobretudo perante novos picos previstos no caudal do Mondego.
Perante a crescente contestação à gestão da crise, a ministra portuguesa da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, apresentou a demissão, alegando não reunir “as condições pessoais e políticas necessárias” para continuar em funções.
Especialistas têm criticado a falta de preparação estrutural do país para lidar com fenómenos meteorológicos extremos cada vez mais frequentes na Península Ibérica.
Neste sentido, o governo de Montenegro tem sido alvo de críticas persistentes: enquanto o secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, considerou que a demissão da ministra demonstra falhas na resposta à emergência, o líder do Chega, André Ventura, acusou o executivo de incapacidade para gerir as sucessivas crises que têm afetado o país, desde as ondas de incêndios até às recentes tempestades.
TAP reforça voos entre Lisboa e Porto
Na sequência do colapso parcial da A1, a principal ligação rodoviária entre Lisboa e Porto, a TAP Air Portugal anunciou o reforço da ponte aérea entre as duas cidades.
A companhia vai disponibilizar até mais sete voos por semana e aumentar a capacidade em alguns horários, com o objetivo de mitigar os constrangimentos na mobilidade.
Segundo fonte oficial da transportadora, citada pela Lusa, o reforço será ajustado em função da procura e da disponibilidade operacional: “A companhia vai disponibilizar até mais sete voos por semana e aumentar a capacidade nalguns horários de acordo com a procura e disponibilidade de recursos”, indicou a mesma fonte.
A medida insere-se num esforço temporário de realocação de meios para responder às necessidades da população afetada pela interrupção da autoestrada e manter-se-á enquanto se revelar necessária.
Perante a intensidade e frequência destes fenómenos, cresce o consenso entre especialistas de que a adaptação climática deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade urgente. ■





