Açores: Letras Lavadas promove lançamento de livros e tertúlia literária no Centro de Estudos Natália Correia

Apresentação das obras “Bento de Goes - A Long Journey Through Central Asia” e “Suspended Worlds”, seguida da tertúlia “Entre Ilhas e Línguas: A Tradução como Ponte, Memória e Horizonte”, marcou sessão cultural dedicada à tradução e à projeção internacional da literatura açoriana

Da esquerda para a direita: Henrique Levy, Diniz Borges e Ângela de Almeida. Foto: divulgação
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O Centro de Estudos Natália Correia, na freguesia açoriana de Fajã de Baixo, terra natal da escritora, recebeu, no dia 27 de fevereiro, uma sessão cultural promovida pela editora Letras Lavadas, que juntou o lançamento de duas novas obras em língua inglesa e uma tertúlia dedicada ao papel da tradução na projeção da literatura açoriana além-fronteiras.

A sessão contou com a presença do autor Henrique Levy, da escritora açoriana Ângela de Almeida e de Diniz Borges, diretor da editora universitária Bruma Publications, localizada no Portuguese Beyond Borders Institute da Universidade do Estado da Califórnia, em Fresno, nos Estados Unidos, que mantém uma parceria editorial com a Letras Lavadas em Ponta Delgada.

A iniciativa começou com a apresentação dos livros “Bento de Goes – A Long Journey Through Central Asia”, de Henrique Levy, e “Suspended Worlds”, uma seleção de poemas de Natália Correia agora traduzidos para o inglês por Diniz Borges.

Seguiu-se a tertúlia literária “Entre Ilhas e Línguas: A Tradução como Ponte, Memória e Horizonte”, moderada pelo jornalista Clife Botelho e que contou com a participação de Diniz Borges e do diretor regional das Comunidades, José Andrade. 

O debate centrou-se na importância da tradução e no papel das comunidades emigrantes na difusão da literatura açoriana em contexto internacional.

Durante a sessão, Diniz Borges sublinhou a relevância da publicação de obras açorianas em inglês para aproximar a literatura regional das novas gerações da diáspora: “No contexto dos Estados Unidos e do Canadá, é importante ter autores açorianos em tradução para chegarmos às segundas, terceiras e quartas gerações de açor-descendentes”, destacou.

“E luso-americanos em geral, assim como ao mercado americano onde existem leitores que gostam de literaturas mundiais, mas só leem em inglês”, acrescentou.

O responsável destacou também a ligação entre literatura e turismo cultural: “É também um projeto para o turismo que visita os Açores e que em grande parte fala em inglês. Há cada vez mais pessoas interessadas no turismo literário”, afirmou Diniz Borges.

Para o editor, a tradução representa igualmente um instrumento essencial para manter a ligação identitária das comunidades emigrantes: “Ou chegamos às novas gerações na língua delas, com a nossa literatura em tradução, ou vamos perder a essência da açorianidade nas gerações mais distantes”, referiu, apontando dados do censo norte-americano que indicam a existência de cerca de 350 mil pessoas de origem portuguesa na Califórnia, das quais apenas cerca de 35 mil falam português.

A sessão serviu ainda para destacar o contributo do governo regional dos Açores no apoio à internacionalização da produção literária regional, sublinhando a tradução como ferramenta essencial de circulação cultural, preservação da memória e criação de novas pontes entre os Açores e as suas comunidades espalhadas pelo mundo. ■

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