
Uma pesquisa da Universidade de Notre Dame, publicada em 3 de março de 2026 na revista Nature Communications, retomou o debate sobre modelos de inteligência ao apontar que o desempenho cognitivo resulta da coordenação eficiente entre redes cerebrais distribuídas, e não da atuação isolada de regiões específicas do cérebro.
O estudo, liderado pelo pesquisador Aron Barbey, baseia-se na chamada teoria da neurociência de redes e indica que a inteligência geral emerge da eficiência, flexibilidade e integração de sistemas como a Default Mode Network (DMN), Executive Control Network (ECN) e Salience Network (SN). A abordagem questiona modelos tradicionais baseados exclusivamente em testes de QI ao enfatizar a comunicação e a sincronização entre redes neurais.
Publicações do neurocientista português Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues apresentam conceitos semelhantes em estudos divulgados a partir de 2021. No artigo “DWRI Intelligence and Other Intelligences”, publicado no International Journal of Development Research, o autor descreve a chamada inteligência DWRI (“Development of Wide Regions of Intellectual Interference”) como resultado da interação ampliada entre regiões cerebrais, influenciando processos cognitivos e lógicos.
Abreu retomou o tema em 2022 no estudo “Inteligência DWRI”, publicado na revista científica RECISATEC, no qual argumenta que testes de QI captam apenas dimensões específicas da cognição e não refletem a integração global dos processos neurais.
Outros trabalhos publicados em 2024 e 2025 aprofundam aspectos neurobiológicos do conceito e relacionam a inteligência à conectividade sináptica, plasticidade cerebral e interação entre redes cognitivas. Segundo Abreu, a hipótese da DWRI parte da ideia de que a inteligência resulta de uma integração ampla entre regiões do cérebro, perspectiva que, segundo ele, se aproxima das conclusões recentes apresentadas pela pesquisa de Notre Dame. ■




