Autor de obra sobre a nobreza Hispânica Luso-Brasileira defende: “entender a nobreza é, em última análise, entender a engrenagem que deu forma ao Brasil”

Augustus Bragança de Lucena, escritor, jornalista e psicanalista, apresenta a obra “Personagens da Nobreza Hispânica Luso-Brasileira”, um mergulho genealógico e histórico que resgata linhagens aristocráticas e as suas conexões entre a Península Ibérica e o Brasil; autor acredita que a obra contribui para a “preservação de quem fomos para melhor entender quem somos”

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Augustus Bragança de Lucena. Foto: divulgação
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A história da nobreza volta ao centro do debate através de uma obra que combina rigor documental com sensibilidade narrativa. Em “Personagens da Nobreza Hispânica Luso-Brasileira”, Augustus Bragança de Lucena propõe uma viagem pelas raízes familiares que ajudaram a moldar estruturas sociais, políticas e culturais ao longo dos séculos.

Mais do que um levantamento genealógico, o livro surge como uma tentativa de preservar a memória histórica e torná-la acessível a um público mais amplo. A obra explora não apenas nomes e títulos, mas também trajetórias humanas, contextos históricos e a continuidade entre Europa e Brasil.

Fundador e presidente da Academia de Filosofia e Ciências Humanísticas Lucentina, o carioca Augustus Bragança de Lucena, 54 anos, casado e pai de três filhos, é jornalista, psicanalista e investigador, com uma vasta produção intelectual e reconhecimento em diversas áreas das ciências humanas, destacando-se pelo trabalho de valorização da memória histórica, da cultura e dos direitos humanos.

Em entrevista à Agência Incomparáveis, o autor defende que o estudo da nobreza permite compreender as bases históricas que moldaram a sociedade e a identidade contemporânea, ao destacar a “Real Casa de Lucena-Veintimiglia” como exemplo dessa continuidade entre passado e presente.

Como nasceu a ideia da obra?

Sempre fui movido por uma curiosidade profunda sobre a história e o tempo. A genealogia, para mim, nunca foi apenas sobre nomes em papéis antigos, mas sobre a preservação da memória viva. Durante anos, enquanto mergulhava em arquivos e documentos, percebi que um património imenso estava disperso, correndo o risco de se apagar. O livro nasceu da necessidade quase urgente de reunir essas peças e dar voz a uma linhagem que, em última análise, ajuda a explicar a nossa própria identidade.

Qual é a importância do livro?

Acredito que ele serve como um elo. Ele não apenas resgata personagens que foram fundamentais na construção social e política do mundo ibérico e brasileiro, mas também oferece um espelho para quem busca entender suas próprias raízes. Ao sistematizar essas conexões, o livro torna acessível um património que, muitas vezes, parecia restrito aos corredores académicos.

Que temas podem ser encontrados na obra?

Navegamos pela genealogia das grandes casas aristocráticas, mas também pela heráldica e pelo cotidiano dessas figuras. O foco é a continuidade: como o legado da Península Ibérica fincou raízes no Brasil, criando um fio condutor que une essas duas realidades através dos séculos.

A obra centra-se na “Real Casa de Lucena-Veintimiglia”. O que o motivou a investigar essa linhagem?

Investigar essa linhagem da qual também sou membro foi, para mim, um exercício de observar a resiliência humana. O que me fascina na Casa de Lucena-Veintimiglia, que, inclusive, é uma instituição honorífica de direito privado, é a sua capacidade de adaptação. Os seus membros enfrentaram transformações sociais e políticas drásticas, mas mantiveram uma identidade cultural inabalável. Foi essa “permanência na mudança” que me impulsionou a dedicar tanto tempo a esse estudo.

Como foram selecionados os personagens?

A seleção foi guiada pelo rigor documental, mas também pelo impacto da trajetória. Eu buscava indivíduos cujas vidas pudessem ilustrar não apenas uma árvore genealógica, mas o próprio “espírito do tempo” em que viveram. Cada personagem presente no livro é, de certa forma, uma testemunha de um momento crucial da nossa história.

Como a pesquisa permitiu reconstruir essas ligações?

Foi um trabalho de paciência, como montar um quebra-cabeça de séculos. Ao cruzar registos eclesiásticos, arquivos de família e bibliografias clássicas, a distância geográfica entre o Brasil e a Europa começou a diminuir. Revelar essa rede de parentesco é mostrar que a nossa história não começou ontem; ela é um desdobramento direto de um passado que ainda pulsa em nossas tradições.

Qual a relevância do estudo da nobreza para compreender o Brasil?

Muitas vezes, olhamos para a história de forma fragmentada. Mas, ao estudar as elites e as estruturas de poder dessas famílias, entendemos melhor como as bases da nossa administração, da nossa cultura e até da nossa política foram lançadas. Entender a nobreza é, em última análise, entender a engrenagem que deu forma ao nosso país.

Quais foram os principais desafios na pesquisa?

O maior desafio é, sem dúvida, o silêncio do tempo. Documentos se perdem, registos se fragmentam. Muitas vezes, precisei agir como um detetive, fazendo a verificação cruzada de informações para separar o fato histórico do mito. É um trabalho exaustivo, mas gratificante quando a verdade histórica finalmente se alinha.

De que forma sua bagagem como jornalista e psicanalista influenciou o livro?

Acredito que essa mistura é o diferencial da obra. O jornalismo me deu a clareza e a objetividade para narrar fatos complexos de forma acessível. Já a psicanálise me deu a sensibilidade para olhar além do documento – para entender as motivações, os medos e as aspirações desses personagens. Não queria apenas listar nomes; queria entender o que movia aquelas pessoas.

Qual a relação com a Academia Lucentina?

O livro é um braço vivo desse projeto institucional. A “Academia de Filosofia e Ciências Humanísticas Lucentina” e eu compartilhamos o mesmo objetivo: não deixar que a memória se torne um objeto de museu, mas sim algo vivo, estudado e valorizado. A obra é uma contribuição direta para esse esforço de preservar quem fomos para melhor entender quem somos.

Onde o livro pode ser adquirido?

A obra “Personagens da Nobreza Hispânica Luso-Brasileira” está disponível na plataforma editorial da UICLAP voltada para o público que busca literatura independente e curadoria de conteúdo histórico. Pode ser visualizado em: https://loja.uiclap.com/titulo/ua151030/

Por fim, quem é Augustus Bragança de Lucena?

Sou alguém que encontra na história um caminho para a autodescoberta. Como escritor, jornalista e psicanalista, dedico os meus dias a desvendar esses fios invisíveis que nos conectam ao passado. O meu trabalho é, acima de tudo, um convite para que as pessoas valorizem as suas próprias histórias e reconheçam o valor da herança cultural que carregam.  ■

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