Açores: Diretor regional das Comunidades sublinha imigração como “oportunidade estratégica” para o futuro dos Açores

José Andrade destaca o contributo dos cidadãos estrangeiros para a demografia, economia e diversidade cultural da Região, além de sublinhar a necessidade de políticas de proximidade e integração

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José Andrade, diretor regional das Comunidades. Fotos: Agência Incomparáveis
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José Andrade, diretor regional das Comunidades do governo dos Açores, afirmou que o crescimento da imigração no arquipélago “é bom para os Açores”, destacando o impacto dos cidadãos estrangeiros na evolução demográfica, económica e social da Região.

Em declarações à Agência Incomparáveis, durante o 4.º Fórum das Migrações, realizado entre 8 e 10 de abril nas ilhas do Corvo e das Flores, este responsável referiu que a realidade migratória açoriana tem vindo a crescer de forma consistente e já representa uma componente estrutural da sociedade regional.

“Temos, nos Açores, mais de oito mil cidadãos estrangeiros, provenientes de 97 países diferentes, que estão em todas as nove ilhas, em todos os 19 concelhos e em muitas das 155 freguesias”, afirmou José Andrade, que explicou também a distribuição das principais comunidades estrangeiras no arquipélago, sublinhando o peso de países como Brasil, Alemanha, Cabo Verde, Estados Unidos e Espanha. Segundo acrescentou, esta população representa já uma parcela relevante da sociedade açoriana, ainda que abaixo de outros territórios nacionais.

“Correspondem, já, a cerca de 3,5% da população dos Açores, menos do que os 7% da Madeira, muito menos do que os 15% do continente português”, declarou.

Para o governante, esta evolução deve ser encarada como “positiva e estratégica” para o futuro da Região.

“De ano para ano, temos vindo a verificar um aumento significativo de imigrantes, e isso é bom para os Açores”, sublinhou José Andrade.

No plano demográfico, o diretor regional destacou o papel da imigração na compensação do envelhecimento populacional.

“É bom por causa da demografia, porque o saldo migratório é que tem ajudado a compensar o saldo natural negativo”, referiu.

No plano económico, Andrade salientou a importância da mão de obra estrangeira em setores essenciais.

“Graças aos imigrantes, nós temos capacidade de resposta em áreas crescentes, como a restauração, a hotelaria, a construção, e mesmo a agricultura e as pescas”, destacou.

Já na vertente cultural, considerou que a diversidade migratória representa um ganho para a identidade açoriana.

“É bom, também, por causa da cultura, porque a vinda dessa diversidade cultural acrescenta valor à sociedade açoriana”, afirmou.

José Andrade defendeu também uma visão mais aberta para o futuro da Região.

“Queremos que seja cada vez mais cosmopolita, não apenas multicultural, mas até intercultural, e, portanto, isso é bom para todas as partes”, declarou, lembrando ainda a história migratória dos Açores como elemento de responsabilidade coletiva no presente.

“Sempre fomos um povo emigrante, e agora temos a obrigação também de bem acolher e de bem integrar na nossa terra”, sublinhou.

Entre as medidas em curso, destacou o protocolo entre o governo dos Açores e a AIMA – Agência para a Integração, Migrações e Asilo, operacionalizado através da RIAC.

“Está a ser possível, progressivamente, em todas as lojas da RIAC, e são 55 nos 19 concelhos”, explicou, acrescentando que este modelo permite maior proximidade e simplificação administrativa.

“A partir daqui qualquer cidadão emigrado, a partir da sua própria ilha, consegue resolver localmente o seu processo administrativo de regularização, sem ter necessidade de se deslocar a outra ilha ou até ao continente”, referiu.

Na sua perspetiva, este sistema coloca os Açores na linha da frente em matéria de apoio à integração.

“Isso faz dos Açores a região com a maior e a melhor resposta de proximidade no âmbito da regularização dos processos dos imigrantes que escolhem os Açores para desenvolverem aqui connosco o seu projeto de vida”, afirmou.

Sobre o 4.º Fórum das Migrações, considerou que a edição “não podia ser melhor”, destacando o crescimento da iniciativa desde 2023.

“Desta vez, quisemos assumir o exemplo máximo da descentralização regional”, disse este governante, que sublinhou também o simbolismo das ilhas anfitriãs.

“O conjunto dessas duas ilhas, que simbolicamente representam o extremo ocidental dos Açores, de Portugal e da Europa, personifica, por si só, o tema central deste 4.º Fórum das Migrações, que é contextualizar as migrações num quadro de ultraperiferia”, explicou.

Depois de passar pelas ilhas do Faial e do Pico (2023), da ilha de São Miguel (2024) e da ilha da Terceira (2025), o diretor regional defendeu a continuidade do Fórum das Migrações no futuro.

“Este Fórum das Migrações merece continuar, porventura, prosseguindo esse esforço de descentralização para as demais ilhas dos Açores”, referiu.

José Andrade salientou ainda a crescente relevância institucional do evento.

“Nós, de ano para ano, de fórum para fórum, temos sido cada vez mais ambiciosos, com entidades cada vez mais representativas, de âmbito regional e nacional”, afirmou, salientando a presença nesta 4.ª edição de “nomes de reconhecida competência e autoridade em matéria de migrações”, tais como “o presidente da AIMA, Pedro Portugal Gaspar, ou o chefe da missão em Portugal da Organização Internacional para as Migrações, Vasco Malta”.

Em tom de conclusão, deixou uma mensagem de envolvimento coletivo na integração dos imigrantes que vão viver para os Açores.

“Essa integração, para ser bem-sucedida, não pode ser apenas a responsabilidade do governo. Ela deve ser a responsabilidade da sociedade em geral e de cada cidadão em particular”, declarou.

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“A causa é comum, que é o desenvolvimento dos Açores, quem quer que venha por bem será recebido de braços abertos e ficará para sempre no nosso coração”, concluiu José Andrade.  ■

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