Madrid: Cantautor e produtor português Edgar Pinto recebeu o “Prémio de Excelência Artística” na categoria “cantautor”

Eddie, como é conhecido, conta com diversos prémios e uma obra marcada por referências portuguesas, elementos da tradição andaluza e ligação ao espaço latino-americano. É também membro votante da Academia Latina da Gravação e da Recording Academy, integra a Academia da Música de Espanha e a Sociedade Portuguesa de Autores, e soma mais de duas décadas de percurso

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Cantautor e produtor português Edgar Pinto, conhecido artisticamente como Eddie, venceu o “Prémio de Excelência Artística” na categoria “cantautor”, no âmbito dos “Premios Europa Multicultural”, durante cerimónia em Madrid. Foto: Mario Pazmiño
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“Vejo esta distinção como um momento bonito de um percurso construído com tempo, trabalho, coerência, dedicação e foco”. Foi desta forma que o cantautor e produtor português Edgar Pinto, conhecido artisticamente como Eddie, reagiu ao receber o “Prémio de Excelência Artística” na categoria “cantautor”, no âmbito dos “Premios Europa Multicultural”, numa cerimónia de gala realizada no Hotel Ilunion Pio XII, em Madrid, Espanha, no último dia 11 de abril.

“Sinto um misto de orgulho, responsabilidade e plena consciência do caminho que está por trás.

Recebê-la em Madrid tem também um significado especial por toda a ligação que tenho à cidade. Para mim, vai além de uma obra ou de um momento concreto. Leio-a como a valorização de um trajeto que, ao longo do tempo, foi ganhando consistência e reconhecimento”, disse Eddie à nossa reportagem, reforçando a sua conexão especial à capital espanhola.

“Madrid tem um peso real e profundo na minha história. Ainda nos anos 1990, já mantinha contacto com a cidade, onde passava pontualmente férias com amigos madrilenos que conhecera anos antes em Andaluzia. Mais tarde, no início do milénio, vivi, estudei e trabalhei em Madrid. Esse período permitiu-me conhecer bem o seu pulsar, da música, da cultura, da sua diversidade e da sua forte ligação à América Latina”, sublinhou este artista, que não esconde que a cidade foi também “importante” na sua “formação humana e artística”.

“Frequentei com regularidade circuitos musicais, convivi com muitos músicos e absorvi parte desse ambiente. A minha ligação à música e à América Latina vem muito desse tempo, dessas vivências e dessas memórias. Muitas das relações profissionais que hoje mantenho com o México e com outros espaços latino-americanos nasceram precisamente em Madrid. Ao longo dos anos, essa relação foi se renovando de forma muito concreta”, confirmou.

Prova dessa interação é o facto de que, em 2021, Madrid foi palco da gravação do dueto “Dime

Dónde Estás”. Em 2023, aconteceu o mesmo com “Nuestro Juego”, em 2024, com “Otra Noche de Soledad” e, em 2025, com a gravação do videoclip de “No Puedo Vivir Sin Ti”. Segundo apurámos, está também prevista para o final deste ano a gravação de um “TV Special” em Madrid.

Autor de singles reconhecidos pelo público, como “Sueño”, gravado recentemente em Sevilha, também em Espanha, Eddie carrega no peito as suas origens lusas, mas é no ambiente latino que encontra espaço para chegar também a outras geografias, tendo atuado no México, mas também em Macau. Agora, a sua agenda, além de passar pela Espanha, está focada na América do Norte e do Sul, onde o público já tem referências sobre o seu percurso, sobretudo nos últimos 20 anos, tendo hoje, segundo o próprio, “mais maturidade artística”.

“A visão artística e o sentido de direção estiveram muito presentes em mim desde cedo. O tempo trouxe-me, acima de tudo, mais maturidade na leitura do momento, das escolhas e das prioridades. Hoje valorizo ainda mais a consistência, a qualidade das decisões e a capacidade de distinguir entre impacto imediato e construção real. Uma coisa pode funcionar num determinado momento. Outra é sustentar um caminho com verdade. Também fui aprendendo a ler melhor os contextos. Nem sempre o desafio está em saber o que se quer fazer. Muitas vezes está em perceber o que é possível fazer em cada momento, com que margem, sem perder o essencial”, reconheceu.

Todo este movimento e crescimento levou Eddie a conquistar diversos prémios e a integrar ambientes de relevo profissional. A sua obra é conhecida por integrar referências portuguesas, elementos da tradição andaluza e ligação ao espaço latino-americano. É membro votante da Academia Latina da Gravação e da Recording Academy, além de integrar a Academia da Música de Espanha e a Sociedade Portuguesa de Autores. Com mais de duas décadas de percurso, Eddie conta com distinções atribuídas em cidades como Madrid, Los Angeles, Miami e Nova Iorque. Agora, os “Premios Europa Multicultural” fazem cruzar uma dimensão artística, humana e social.

“Vejo muito valor nessa combinação entre dimensão artística, humana e social. Considero importante que os “Premios Europa Multicultural” reúnam pessoas de diferentes países, áreas e percursos, porque isso dá ao evento um carácter plural, vivo e coerente com o espírito multicultural e solidário da AMUDI. É enriquecedor poder cruzar-me com pessoas talentosas, com trajetórias relevantes e vindas de universos distintos. Isso alarga o olhar e dá mais densidade ao significado da distinção, porque a coloca num quadro mais amplo do que o reconhecimento artístico em sentido estrito”, explicou, além de acrescentar que “creio também que esse sentido resulta de uma visão clara”, pois, “nesse aspeto, faz sentido reconhecer o trabalho desenvolvido por Killa Tedesqui, enquanto diretora dos “Premios Europa” e presidente da AMUDI, na construção de uma plataforma onde o reconhecimento público convive com valores humanos, sociais e multiculturais”.

“No meu caso, esta distinção ganha ainda mais significado por surgir num contexto com o qual me identifico de forma genuína, precisamente pelos valores que os “Premios Europa” e a AMUDI procuram afirmar”, atestou.

“Mais do que somar distinções, interessa-me transformar tudo isso em novos passos”

Após a gala, Eddie diz sentir-se “num ponto em que várias dimensões do meu trabalho já se revelam de forma mais integrada”.

“A obra, os reconhecimentos, a presença mediática, a circulação internacional e o contacto com diferentes espaços institucionais e profissionais foram ganhando densidade ao longo dos anos, e hoje percebe-se com mais clareza a forma como tudo isso se cruza. Mais do que somar distinções, interessa-me transformar tudo isso em novos passos. Reforçar ligações já existentes, aprofundar colaborações, dar ainda mais circulação à minha música e continuar a afirmar esse lugar entre diferentes contextos e geografias. Tudo isso já faz parte da minha realidade”, reforçou o nosso entrevistado, que aproveitou para deixar um conselho a novos cantautores que procuram reconhecimento internacional.

“É essencial trabalhar, estudar e desenvolver pensamento crítico. Não tentar replicar o que já existe.

É importante ter objetivos e construir um plano. O crescimento é gradual e exige consistência. Construir uma identidade própria leva tempo. O foco deve estar na criação de uma obra com base sólida e sentido”, assegurou, salientando que a sua música “parte de uma base autoral e integra diferentes linguagens, como pop, eletrónica, urbano e fusão, com presença de uma sensibilidade ibérica e ligação ao universo lusófono e latino-americano”. Em alguns trabalhos, por exemplo, “aproxima-se do fado, flamenco e outras sonoridades de raiz”.

Luis Aznal López, apresentador do evento (esq.); Eddie após ser premiado; e Killa Tedesqui, diretora dos “Premios Europa Multicultural” e presidente da “AMUDI”. Foto: Mario Pazmiño

“O trabalho em estúdio foi central na minha formação. A produção colocou-me em contacto com diferentes artistas e projetos, o que contribuiu para a construção da minha linguagem musical”, argumentou.

Relativamente ao reconhecimento nos “Premios Europa Multicultural”, Eddie frisa que o momento “teve significado particular pelo contexto, pelos valores associados e pela leitura do meu percurso como cantautor. (…) O que procuro agora é levar tudo isso mais longe, com consistência, abertura e verdade, permitindo também que a obra toque mais pessoas e encontre novos espaços de escuta”, finalizou Edgar Pinto.

A gala 2026 reuniu em Madrid galardoados de diferentes países e perfis profissionais, num encontro de vocação multicultural e solidária ligado à AMUDI. Killa Tedesqui, diretora dos “Premios Europa” e presidente da AMUDI, esteve à frente desta iniciativa, apresentada por Luis Aznal López.

Nesta edição foram também distinguidas figuras como María Casado e Carlos Latre. Em anos anteriores, os “Premios Europa Multicultural” reconheceram nomes como Antonio Banderas, Rafa Nadal e Ágatha Ruiz de la Prada.

Eddie passa agora a integrar este conjunto de nomes, reforçando a projeção internacional do seu percurso artístico. ■

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