Escritoras Fátima Moniz e Pituka Nirobe unem Angola e Brasil em “Lembranças de Infância”

Nova obra infantil recupera memórias de infância vividas pela escritora Fátima Móniz em Angola e pela escritora Pituka Nirobe no Brasil, utilizando a aprendizagem da bicicleta como ponto de encontro entre duas geografias lusófonas e como homenagem ao direito das crianças de viver plenamente a sua infância

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Escritora Fátima Moniz. Foto: divulgação
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O livro infantil “Lembranças de Infância – Contos de Brasil e Angola”, da autoria da escritora angolana Fátima Moniz e da escritora quilombola brasileira Pituka Nirobe, será apresentado oficialmente no próximo dia 6 de junho, às 16h00, no Magistério Mutu-Ya-Kevela, antigo Liceu Salvador Correia, em Luanda, numa obra que reúne recordações de infância das duas autoras e estabelece uma ponte entre Angola e o Brasil através de histórias inspiradas nas suas vivências pessoais.

Natural de Luanda, mas criada em Benguela, cidade que considera a sua terra, Maria Fátima da Glória Moniz Manuel, conhecida literariamente como Fátima Moniz, é mestre em Ciência Política pela Universidade Cândido Mendes, no Brasil, e licenciada em História pelo Instituto Superior de Ciências de Educação de Benguela. Atualmente, desempenha funções como especialista para a América do Sul na Direção América do Ministério das Relações Exteriores de Angola.

Ao longo do seu percurso profissional, Fátima Moniz trabalhou entre 2011 e 2019 como agente consular no Consulado-Geral de Angola no Rio de Janeiro, realiza regularmente conferências no Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto, organiza oficinas de poesia para crianças e adolescentes e integra a Academia de Ciências e Letras do Brasil, além de ter sido distinguida com o título de Doutora Honoris Causa pela Academia de Ciências e Letras de Espanha.

Segundo apurámos, a ideia do livro nasceu da “amizade construída” entre Fátima Moniz e Pituka Nirobe, escritora quilombola, atriz e bibliotecária da Ilha de Marambaia, no estado brasileiro do Rio de Janeiro. 

De acordo com a autora angolana, o projeto surgiu durante conversas sobre as respetivas infâncias, depois de se terem conhecido quando exercia funções diplomáticas no Brasil.

“Numa das nossas conversas falámos da nossa infância, dos lugares que passámos e das nossas brincadeiras. Daí surgiu a ideia de escrever sobre a bicicleta da infância”, começou por explicar Fátima Moniz.

Obra com sentido de “memória”

A obra constitui o primeiro volume de uma coleção que as autoras pretendem desenvolver em conjunto, baseada em memórias pessoais e experiências marcantes da infância. Com apenas 16 páginas e ilustrações de Felipe Tognoli Santos, o livro centra-se na aprendizagem da bicicleta, recorrendo à imagem da “bina amarela” e da “bicicleta cor-de-rosa” para aproximar os universos de Angola e do Brasil.

Para Fátima Moniz, estes elementos simbolizam aquilo que une as crianças independentemente da sua origem.

“A bina amarela e a bicicleta cor-de-rosa são o testemunho dentro da narrativa que as crianças do mundo inteiro são iguais. Gostam de brincar aos carros, às bonecas, de andar de bina ou bicicleta, de trotinete e de tantas outras coisas”, sublinhou a autora, que considerou que estas imagens representam igualmente o encontro entre duas culturas e uma mensagem dirigida aos adultos.

“Na narrativa, a bina amarela e a bicicleta cor-de-rosa são o nosso entrelaçar de duas culturas, Angola e Brasil, e testemunham a força das crianças e o seu vigor. Constituem uma chamada de atenção aos adultos: deixem as crianças serem crianças”, enfatizou.

Num tempo em que a infância é cada vez mais marcada pela presença das tecnologias digitais, Fátima Moniz defendeu a importância de preservar espaços de descoberta, brincadeira e convivência.

“Uma criança andar de bicicleta é um aspeto universal. Ensinemos nossos pequenos a andar de bicicleta. Teremos crianças saudáveis, atentas e equilibradas”, sustentou.

A escritora acredita também que o livro contribui para transmitir uma mensagem de proximidade que reforça os laços entre os países de língua portuguesa, mostrando que as diferenças geográficas não impedem a existência de experiências comuns.

“Somos duas escritoras que falam o português e pensam e alinham uma história que une não só as crianças dos dois países, mas igualmente da Comunidade dos Países de Língua portuguesa. É uma forma de dizer: estamos distantes, mas ao mesmo tempo muito próximos. A língua é um fator de unidade”, concluiu.

Após a apresentação oficial em Luanda, Fátima Moniz prevê realizar várias sessões de encontro com crianças em espaços educativos e catequéticos da capital angolana, promovendo a leitura e o contacto dos mais novos com a literatura infantil.

“Lembranças de Infância – Contos de Brasil e Angola” apresenta-se como uma celebração da infância, da amizade e da partilha cultural entre Angola e Brasil, valorizando a memória, a língua portuguesa e as raízes que aproximam diferentes comunidades do espaço lusófono.

 

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