Espanha conquista segundo Mundial ao vencer Argentina no prolongamento

Golo de Ferran Torres, aos 106 minutos, decidiu a final da primeira edição disputada por 48 seleções; Brasil, Portugal e Cabo Verde ficaram afastados antes dos quartos de final

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Espanha é campeã do Mundial de Futebol masculino FIFA 2026. Foto: FIFA/divulgação
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A Espanha conquistou, no domingo, 19 de julho, o segundo título mundial da sua história, ao derrotar a Argentina por 1-0, após prolongamento, na final do Campeonato do Mundo de futebol de 2026. Disputado no Estádio Nova Iorque/Nova Jérsia, em East Rutherford, nos Estados Unidos, o encontro foi decidido por Ferran Torres, lançado no decorrer da partida pelo selecionador Luis de la Fuente.

O golo surgiu aos 106 minutos. Pedro Porro cruzou do lado direito, Nico Williams ganhou a bola de cabeça e Ferran Torres rematou de primeira, sem dar possibilidade de defesa a Emiliano Martínez. A Argentina disputava o prolongamento com dez jogadores, depois de Enzo Fernández ter recebido o segundo cartão amarelo nos descontos do tempo regulamentar. A equipa espanhola controlou a posse de bola e criou mais oportunidades, mas encontrou resistência no guarda-redes argentino até ao lance que definiu o título.

Este foi apenas o segundo confronto entre Espanha e Argentina na história do Campeonato do Mundo. O primeiro ocorreu na fase de grupos da edição de 1966, disputada em Inglaterra, quando a seleção argentina venceu por 2-1. Sessenta anos depois, as duas equipas voltaram a encontrar-se na competição, desta vez na final, com a Espanha a equilibrar o histórico mundialista entre ambas.

Foto: FIFA/divulgação

O desfecho repetiu o resultado da final de 2010, quando a Espanha venceu os Países Baixos por 1-0, também no prolongamento. Há 16 anos, Andrés Iniesta marcou o golo que entregou o primeiro título mundial à seleção espanhola. Com a conquista de 2026, a Espanha igualou Uruguai e França, ambos com dois títulos, e passou a ocupar o quinto lugar no historial da competição, liderado pelo Brasil, com cinco.

A equipa de Luis de la Fuente terminou a prova sem derrotas e sofreu apenas um golo em oito encontros. A campanha começou com um empate sem golos diante de Cabo Verde, num jogo em que o guarda-redes Vozinha travou o ataque espanhol. Seguiram-se as vitórias sobre a Arábia Saudita, por 4-0, e o Uruguai, por 1-0, resultados que garantiram o primeiro lugar no Grupo H.

Na fase a eliminar, a Espanha venceu a Áustria por 3-0 nos 16 avos de final e afastou Portugal nos oitavos, por 1-0, com um golo de Mikel Merino nos descontos. Nos quartos de final, superou a Bélgica por 2-1, antes de derrotar a França por 2-0 nas meias-finais. Na decisão, voltou a manter a baliza sem golos e encerrou a competição com 14 golos marcados e apenas um sofrido.

Foto: FIFA/divulgação

A conquista juntou o Mundial de 2026 ao Campeonato da Europa de 2024, colocando a seleção masculina espanhola na posse dos dois principais títulos internacionais. A Espanha tornou-se ainda a primeira federação a deter simultaneamente os Mundiais masculino e feminino, depois do triunfo da seleção feminina em 2023. Unai Simón terminou o torneio com sete jogos sem sofrer golos, enquanto Luis de la Fuente, aos 65 anos, passou a ser o treinador mais velho a conquistar um Mundial.

A Argentina chegou à final como campeã em título e procurava repetir a conquista alcançada no Qatar, em 2022. A seleção orientada por Lionel Scaloni entrou na decisão depois de sete vitórias, com 19 golos marcados. No percurso, eliminou Cabo Verde, Egito, Suíça e Inglaterra, mas não conseguiu superar a organização defensiva espanhola. Com a derrota, manteve os três títulos conquistados em 1978, 1986 e 2022 e somou a quarta final perdida, depois de 1930, 1990 e 2014.

Formato alargado e protagonismo lusófono

A 23.ª edição do Campeonato do Mundo realizou-se entre 11 de junho e 19 de julho, nos Estados Unidos, México e Canadá. Pela primeira vez, três países organizaram conjuntamente a competição, que também estreou o formato com 48 seleções, distribuídas por 12 grupos. Foram realizados 104 encontros em 16 cidades, 11 norte-americanas, três mexicanas e duas canadianas. O jogo inaugural decorreu na Cidade do México e a final teve lugar em East Rutherford, no estado norte-americano de Nova Jérsia.

Entre os países lusófonos, o Brasil avançou até aos oitavos de final. A seleção orientada por Carlo Ancelotti empatou com Marrocos por 1-1 e venceu Haiti e Escócia por 3-0 na fase de grupos. Nos 16 avos de final, derrotou o Japão por 2-1, com Gabriel Martinelli a marcar o golo da vitória nos descontos. O percurso terminou diante da Noruega, com uma derrota por 2-1, naquela que foi a eliminação mais precoce do Brasil desde o Mundial de 1990.

Foto: FIFA/divulgação

Portugal também chegou aos oitavos de final. A seleção portuguesa empatou com a República Democrática do Congo, por 1-1, venceu o Uzbequistão por 5-0 e terminou a fase de grupos com um empate sem golos frente à Colômbia. Depois de afastar a Croácia por 2-1 nos 16 avos de final, Portugal perdeu com a futura campeã Espanha por 1-0. Cristiano Ronaldo disputou o sexto Mundial da carreira e marcou dois golos diante do Uzbequistão, tornando-se o primeiro jogador a marcar em seis edições da competição.

Cabo Verde encerrou a estreia num Campeonato do Mundo com a passagem à fase a eliminar. A seleção orientada por Bubista não perdeu na fase de grupos, após empates com Espanha, por 0-0, Uruguai, por 2-2, e Arábia Saudita, por 0-0. Nos 16 avos de final, os cabo-verdianos obrigaram a Argentina a disputar 120 minutos, mas foram eliminados por 3-2. Deroy Duarte e Sidny Lopes Cabral marcaram os golos de Cabo Verde, que chegou a restabelecer a igualdade por duas vezes antes de um autogolo de Diney Borges decidir o encontro. ■

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