
Mercosul e Japão iniciaram formalmente as negociações para um acordo de Parceria Econômica durante a Cúpula de Chefes de Estado do bloco, realizada em Assunção, no Paraguai. A proposta prevê a ampliação das relações comerciais por meio da redução gradual de tarifas, estímulo a investimentos, facilitação do comércio e cooperação em tecnologia e inovação.
O Brasil ocupa posição central nessa relação comercial. Segundo os dados apresentados, responde por 93% das exportações do Mercosul destinadas ao mercado japonês e por 77% das importações do bloco provenientes do Japão.
De acordo com a professora de Relações Internacionais do CEUB, Gleisse Alves, a negociação pode ampliar o acesso de empresas brasileiras ao mercado japonês, atrair investimentos e fortalecer a inserção do país nas cadeias globais de valor. Entre os setores com potencial para serem beneficiados estão o agronegócio, mineração, a energia, indústria automotiva e a produção de máquinas e equipamentos.
A negociação ocorre em meio à reorganização da economia internacional, marcada por mudanças nas cadeias de produção e pela busca de maior segurança no fornecimento de alimentos, energia e minerais estratégicos.
As tratativas, no entanto, envolvem temas considerados sensíveis, como a abertura do mercado automotivo, regras sanitárias, exigências ambientais, propriedade intelectual e o cronograma para redução das tarifas de importação. Segundo a especialista, o desafio será conciliar maior abertura comercial com a preservação da competitividade de setores estratégicos da economia brasileira.
Ainda não há prazo para a conclusão das negociações. ■






