Emigração portuguesa para Angola cresce 7% em 2025, mas continua longe dos níveis registados antes da crise económica

Os mais recentes dados sobre a mobilidade entre Portugal e Angola revelam uma ligeira recuperação da emigração portuguesa para este país africano, embora os fluxos permaneçam muito abaixo dos valores registados antes da crise económica angolana desencadeada pela quebra dos preços do petróleo

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Dados resultam da soma dos vistos emitidos pelos consulados angolanos em Lisboa e no Porto, não estando incluídos os vistos emitidos pelo Consulado de Angola em Faro por inexistência de informação estatística disponível. Foto: divulgação/AICEP
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Segundo dados dos consulados da República de Angola em Lisboa e no Porto, analisados pela investigadora Inês Vidigal, do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL) e do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-IUL), do qual faz parte o Observatório da Emigração, 686 portugueses entraram em Angola ao longo de 2025, o que representa um aumento de 7% face ao ano anterior.

Após a forte quebra registada em 2024, quando a emigração portuguesa para Angola diminuiu 37% face a 2023, os dados de 2025 apontam para uma recuperação moderada dos fluxos migratórios entre os dois países.

Apesar desta evolução positiva, o número de entradas continua muito distante dos valores observados na década passada, permanecendo significativamente abaixo dos níveis registados antes da pandemia e longe do máximo de 6.715 entradas, alcançado em 2015.

A redução da emigração portuguesa para Angola, verificada desde esse período, está diretamente associada ao impacto da crise dos preços internacionais do petróleo e à consequente desaceleração da economia angolana, que se intensificou a partir de 2016.

A quebra do investimento, a contração da atividade económica e a deterioração das condições do mercado de trabalho reduziram significativamente a procura de trabalhadores estrangeiros, refletindo-se na diminuição do número de portugueses que escolheram Angola como destino de emigração.

Neste sentido, a ligeira recuperação observada em 2025 poderá indicar uma estabilização parcial destes fluxos migratórios, embora ainda insuficiente para inverter a tendência de redução registada na última década.

Os dados agora divulgados resultam da soma dos vistos emitidos pelos consulados da República de Angola em Lisboa e no Porto, abrangendo vistos de trabalho – a categoria mais representativa -, vistos privilegiados, vistos ao abrigo de protocolos, vistos de fixação de residência e outras modalidades, nomeadamente para estudo e permanência temporária. 

Não estão incluídos os vistos emitidos pelo Consulado de Angola em Faro, por inexistência de informação estatística disponível. 

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