“Bar Glória”: à mesa, Portugal e Brasil encontram-se no centro do Rio de Janeiro

Entre pratos portugueses e brasileiros, o espaço liderado por Domingos Cunha mantém a tradição de reunir amigos, promover encontros e criar ligações em torno da mesa

26
Um encontro de amigos à mesa do “Bar Glória”, no Rio de Janeiro, com representantes que atuam na Procuradoria-Geral da República (PGR), órgão de cúpula do Ministério Público Federal (MPF) do Brasil, e o amigo Toninho, presença conhecida nas casas portuguesas. Grupo foi recebido por Domingos Cunha no restaurante para saborear a paleta de cordeiro e partilhar um momento de convívio. Foto: divulgação/acervo pessoal
- Publicidade -

No número 6 da Rua do Acre, no bairro central do Rio de Janeiro, junto à Praça Mauá, o Bar e Restaurante Glória mantém uma rotina que ultrapassa o serviço de refeições. Fundado em 1945 e com Domingos Cunha na sociedade desde os anos 1980, o estabelecimento tornou-se um ponto de encontro carioca e luso-brasileiro, onde clientes e amigos se sentam à mesma mesa, profissionais conversam, negócios começam e relações entre portugueses e brasileiros ganham espaço. Natural de Póvoa de Lanhoso, no distrito de Braga, Domingos chegou ao Brasil em 1964, aos 14 anos, e fez do “Glória” uma das referências da sua trajetória no comércio da cidade maravilhosa.

Essa convivência ganha forma também através da cozinha. O menu cruza receitas de Portugal e do Brasil, numa proposta gastronómica que acompanha a história luso-brasileira do espaço. Bacalhau, bolinhos de bacalhau, leitão à Bairrada e feijoada à transmontana convivem com pratos ligados à mesa brasileira, como feijoada, dobradinha, carne assada, carne seca com abóbora e frango com quiabo, por exemplo. A paleta de cordeiro integra igualmente esta viagem gastronómica, enquanto a banana flambada surge entre as sobremesas servidas no restaurante.

Mas uma das características do estabelecimento está precisamente na relação construída entre quem recebe e quem chega. Domingos Cunha não permanece apenas na posição de proprietário. Em muitos desses encontros, aproxima-se das mesas, senta-se com os clientes e amigos, sugere os pratos a servir e participa nas conversas. Entre histórias do Rio de Janeiro, memórias de Portugal e assuntos que atravessam o quotidiano das duas comunidades, a refeição transforma-se num momento de partilha. Muitos dos que entram como clientes passam a integrar uma rede de relações que se reencontra em torno da mesma mesa.

É também Domingos quem, em diferentes momentos, apresenta a gastronomia da casa aos convidados. Fala dos pratos, explica referências portuguesas e brasileiras e acompanha a experiência de quem chega ao restaurante pela primeira vez. A paleta de cordeiro, os pratos de bacalhau e outras receitas da cozinha do “Glória” tornam-se, assim, parte do “bate-papo”.

Um encontro de amigos à mesa do “Bar Glória”, no Rio de Janeiro, com representantes que atuam na Procuradoria-Geral da República (PGR), órgão de cúpula do Ministério Público Federal (MPF) do Brasil, e o amigo Toninho, presença conhecida nas casas portuguesas. Grupo foi recebido por Domingos Cunha no restaurante para saborear a paleta de cordeiro e partilhar um momento de convívio. Foto: divulgação/acervo pessoal

Mais do que colocar comida sobre a mesa, o anfitrião procura apresentar a origem e a identidade gastronómica que o restaurante construiu ao longo das décadas, num endereço onde Portugal e Brasil se encontram também através dos sabores.

Nos encontros promovidos em torno do “Glória”, a mesa assume, por isso, outra função. É ali que amigos voltam a encontrar-se, novas pessoas são apresentadas e diferentes gerações da comunidade luso-brasileira partilham conversas. Domingos Cunha já resumiu esse papel ao reconhecer a dimensão que o restaurante adquiriu para além da gastronomia.

“Hoje, fico feliz quando vejo o meu negócio cumprir um papel social e estratégico, onde as pessoas conversam, debatem, realizam negócios e constroem vínculos duradouros”, afirmou.

Ao longo dos anos, empresários, jornalistas, representantes institucionais, servidores públicos, membros da comunidade portuguesa e profissionais que circulam pelo centro carioca passaram pelo estabelecimento.

O “Bar Glória” acaba por recuperar algo que permanece central nas culturas portuguesa e brasileira: “sentar-se à mesa como exercício de convivência”. Entre uma paleta de cordeiro, um prato de bacalhau, sabores brasileiros e conversas que não obedecem ao relógio, sucedem-se encontros, apresentações e reencontros. E, muitas vezes, o próprio Domingos puxa uma cadeira e junta-se aos amigos e clientes. No centro do Rio de Janeiro, o “Glória” é notícia, é local, mantém uma tradição feita de gastronomia e relações humanas, onde a mesa continua a ser um “palco” que permite conhecer pessoas, criar ligações e manter vivas histórias que atravessam o Atlântico. ■

- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.