Brasil: Flitabira homenageia Conceição Evaristo, Maria Mazzarello e Leda Maria Martins

Sexta edição do Festival Literário Internacional de Itabira decorre entre 29 de outubro e 1 de novembro, no estado de Minas Gerais, com entrada gratuita; programação reúne literatura, memória, identidade e reflexão sobre o antirracismo, com transmissão das principais sessões pela Internet

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Foto: Flitabira/Agência Incomparáveis - montagem
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A cidade brasileira de Itabira, no estado de Minas Gerais, recebe, entre 29 de outubro e 1 de novembro, a sexta edição do Festival Literário Internacional de Itabira (Flitabira), que este ano presta homenagem à escritora Conceição Evaristo, à editora Maria Mazzarello e à investigadora Leda Maria Martins. O encontro decorre no Teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA) e nos espaços envolventes, reunindo escritores, investigadores, editores e artistas numa programação dedicada à literatura e à cultura brasileira.

As três homenageadas participam, no dia 31 de outubro, às 20h00, na mesa-redonda “Leitura, Antirracismo e os Novos Tempos”, moderada por Afonso Borges. O encontro abordará o papel da literatura na representação da população negra, a circulação de obras de autores afro-brasileiros e os desafios enfrentados pelo setor editorial na promoção da diversidade cultural.

Uma das figuras centrais da programação é Conceição Evaristo, escritora, poeta, contista e professora, cuja obra aborda questões relacionadas com a memória, a identidade e as experiências das mulheres negras. A autora desenvolveu o conceito de “escrevivência”, que relaciona a criação literária com as experiências individuais e coletivas, tornando-se uma referência nos estudos sobre literatura afro-brasileira.

Além da homenagem conjunta, Conceição Evaristo participa, a 30 de outubro, às 21h15, numa sessão dedicada a Dona Rosinha e Dona Tita, com representantes das respetivas famílias e moderação de Sérgio Abranches. O encontro destaca a ligação da escritora à comunidade do Quilombo Morro Santo Antônio, em Itabira, e a importância da preservação das memórias comunitárias.

A editora Maria Mazzarello será igualmente homenageada pelo seu percurso na divulgação de autores negros no Brasil. Natural de Ponte Nova, em Minas Gerais, e radicada em Belo Horizonte desde 1954, fundou a Mazza Edições no início da década de 1980, depois de experiências profissionais no setor editorial e de uma formação em editoração realizada em Paris.

A Mazza Edições desenvolveu um catálogo dedicado à literatura, à história e à cultura afro-brasileira, contribuindo para ampliar os espaços de publicação de escritores que encontravam dificuldades de acesso ao mercado editorial. O percurso da fundadora foi retratado na biografia “Maria Mazarello: Preto no Branco, Lutas e Livros”, publicada em 2021 e escrita pela jornalista Márcia Maria Cruz.

A terceira homenageada, Leda Maria Martins, é poeta, dramaturga, professora e investigadora, com trabalho dedicado à ancestralidade, à oralidade, à memória e às expressões culturais afro-brasileiras. A sua investigação aborda as relações entre literatura, teatro, performance e transmissão de conhecimento, com particular atenção às tradições e práticas culturais das comunidades negras.

Leda Maria Martins participa também, no dia 30 de outubro, às 19h00, na conversa “Corpo e Palavra”, ao lado de Ricardo Aleixo, com moderação de Natália Alves. No dia seguinte, junta-se a Conceição Evaristo e Maria Mazzarello para a homenagem coletiva.

A sexta edição do Flitabira decorre sob o tema “A Máquina do Mundo em Nós”, assinalando os 75 anos da publicação de Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade. A obra, publicada em 1951, inclui o poema “A Máquina do Mundo”, que serve de referência à programação deste ano. O festival propõe encontros sobre memória, política, natureza, conhecimento e relações humanas, estabelecendo uma ligação entre a criação literária e os debates contemporâneos.

A curadoria é assegurada por Sérgio Abranches, Calila das Mercês e Afonso Borges, com programação local de Sandra Duarte e Carolina Peixoto e curadoria infantojuvenil de Rafael Nolli. Para além das conversas literárias, o festival inclui atividades destinadas a crianças e jovens, prémios de redação e desenho, sessões de autógrafos, uma livraria com mais de cinco mil títulos, exposições, apresentações musicais e espaços dedicados à gastronomia e ao empreendedorismo local.

O Flitabira conta com patrocínio da Vale, através da Lei Rouanet, no âmbito do Ministério da Cultura do Brasil, e com o apoio da Prefeitura de Itabira, da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade e do Itaú. Todas as atividades são gratuitas, estando prevista a transmissão das mesas e palestras através do canal oficial do festival no YouTube, @flitabira, com recursos de acessibilidade, incluindo interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras) e audiodescrição.

A programação completa pode ser consultada em: https://flitabira.com.br/ ■

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