A cidade de Leiria, em Portugal, prepara-se para receber, no próximo dia 7 de novembro, a sexta edição das Jornadas Internacionais de Etnografia de Leiria (JIEL), uma iniciativa dedicada ao estudo, à preservação e à valorização do património cultural. O encontro decorrerá na Casa da Música de Maceira, no Auditório da Filarmónica, entre as 9h30 e as 17h00, reunindo investigadores e especialistas de Portugal, Brasil, Espanha e México.
Organizadas pela Câmara Municipal de Leiria e pelo Agromuseu Municipal Dona Julinha, as jornadas pretendem “promover o diálogo entre a investigação académica, as instituições culturais e as comunidades, tendo como referência as práticas, os saberes, as tradições e as identidades que integram a memória coletiva dos territórios”.
A coordenação da edição de 2026 está a cargo de Adélio Amaro, que também participará como orador no primeiro painel. O encontro procurará relacionar o estudo das tradições com questões contemporâneas, incluindo a utilização das tecnologias digitais na preservação da memória, os movimentos migratórios e a transformação das manifestações culturais.
A sessão de abertura contará com as intervenções de Adélio Amaro, coordenador das JIEL 2026, de Vítor Santos, presidente da Junta de Freguesia de Maceira, e de Gonçalo Lopes, presidente da Câmara Municipal de Leiria. O programa incluirá ainda momentos musicais protagonizados por grupos folclóricos e associações culturais.
Património e etnografia na era digital
O primeiro painel, subordinado ao tema “Do Território ao Espaço Digital”, terá início às 10h e será moderado por André Camponês, da Câmara Municipal de Leiria, através da Divisão de Museus e Património Cultural.
Tiago Pereira, responsável pelo projeto “A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria”, apresentará uma intervenção sobre o Lastro.net, a memória, o arquivo e a inteligência artificial, abordando as possibilidades de utilização das ferramentas digitais na documentação e divulgação das expressões culturais.

António José Santos, etnógrafo português, apresentará o tema “Ethnos-Folk Livros: Um Espaço do Passado, Aberto ao Mundo”, enquanto Adélio Amaro, doutorando na Universidade dos Açores, através da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, abordará os espaços etnográficos existentes no concelho de Leiria.
A intervenção do coordenador das jornadas permitirá analisar a relação entre os equipamentos culturais, a preservação da memória local e a valorização dos testemunhos materiais e imateriais das comunidades.
O segundo painel, “Folclore e Etnografia: Desafios Contemporâneos”, terá início às 11h15, com moderação de Luís Miguel Narciso, do Arquivo Municipal de Leiria.
A investigadora mexicana Tatiana Bernaldez, mestre em Antropologia Ibero-Americana pela Universidade de Salamanca, apresentará uma comunicação sobre a problemática dos têxteis indígenas e os desafios da investigação etnográfica.
O português Ludgero Mendes, do Centro Etnográfico Celestino Graça, abordará os movimentos migratórios e a emergência de novos terrenos antropológicos, relacionando a mobilidade das populações com as transformações culturais.
A participação brasileira estará representada por Ana Beatriz M. Mattar, doutoranda em Artes na Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul, que apresentará uma investigação sobre o sapateado brasileiro, os seus diálogos culturais e as relações com manifestações tradicionais do México e de Portugal.
O painel contará também com Jesús Javier Piñero Rodríguez, do Instituto Val de Xálima, em Espanha, que analisará a experiência da Associação Folclórica Cultural U Fresnu, enquanto estudo de caso sobre associativismo e preservação cultural.
Música, tradição e memória coletiva
Durante a tarde, a programação prosseguirá com o painel “Música e Tradição”, marcado para as 14h30, sob moderação de Sofia Francisco, da Junta de Freguesia de Maceira.
Alberto Roque, maestro português, abordará a presença da canção popular portuguesa na música para banda filarmónica. Nuno Brito, professor e músico, apresentará a comunicação “Do sotaque ao sucesso: Já se sabe!”, dedicada às relações entre música, identidade e expressão cultural.
O investigador brasileiro Ronaldo Augusto Pires, psicólogo e historiador, participará com uma intervenção intitulada “Do Mastro à Coroa: Fé, Liderança e Tradição na Festa de Sant’Ana e do Divino Espírito Santo”, abordando manifestações religiosas e práticas culturais associadas à memória das comunidades.
O último painel, “Património, Memória e Território”, começará às 15h30, com moderação de Rui Cunha, chefe da Divisão da Ação Cultural do Município de Leiria.
Celeste Afonso, especialista em Gestão Cultural Integrada do Território, apresentará uma reflexão sobre as relações entre memória, práticas culturais e a devoção a Nossa Senhora da Gaiola.
Ana Moderno, conservadora de museu, abordará a história das minas de carvão da Batalha, a partir das experiências das populações, dos testemunhos locais e da investigação participada.
A participação espanhola ficará ainda marcada pela intervenção de Carlos Montes Perez, da Universidade de Salamanca, que apresentará um estudo sobre memória e etnografia industrial, centrado no comboio de La Fregeneda a Barca d’Alva.
A programação contará igualmente com apresentações do Rancho Folclórico de Maceira, do Rancho Folclórico Roda Viva do Telheiro, do Rancho Folclórico da Costa, da Sociedade Philharmonica Maceirense e do Grupo Coral Anima Choralis, associando as comunicações académicas à participação de agentes culturais do território.
Ligação entre investigação e comunidades
Sob a coordenação de Adélio Amaro, as VI Jornadas Internacionais de Etnografia de Leiria procuram consolidar um espaço de encontro entre investigadores, instituições e associações que trabalham na documentação e transmissão do património cultural.
A participação de especialistas de quatro países permitirá cruzar experiências sobre folclore, memória, migrações, património industrial e tecnologias digitais, contribuindo para uma reflexão sobre a forma como as tradições são preservadas e reinterpretadas pelas comunidades.
A sessão de encerramento, prevista para as 17h00, contará com a apresentação do livro das JIEL 2025 e com intervenções de Adélio Amaro e de Anabela Graça, vice-presidente da Câmara Municipal de Leiria.
A iniciativa conta com parcerias de instituições culturais, académicas e associativas, incluindo entidades de Portugal e do estrangeiro, reforçando a dimensão internacional do encontro.
A participação nas jornadas é gratuita, mas exige inscrição prévia, até ao dia 2 de novembro, através do endereço eletrónico jieleiria@gmail.com
O número de lugares é limitado.
Com esta sexta edição, as Jornadas Internacionais de Etnografia de Leiria dão continuidade ao debate sobre a preservação das práticas culturais, a investigação do património e a transmissão da memória entre gerações, num programa que articula conhecimento académico e participação comunitária. ■







