
O Ministério da Agricultura do Brasil está a aplicar novas restrições à entrada de produtos alimentares trazidos por viajantes, proibindo neste momento a entrada de qualquer produto de origem suína no país. A informação foi confirmada por Cleverson Freitas, coordenador-geral da Vigilância Agropecuária Internacional (VIGIAGRO), em entrevista ao DN Brasil.
Segundo Cleverson Freitas, a decisão está relacionada com o risco sanitário associado à peste suína africana, doença que não está presente no Brasil, mas que continua a afetar diversos países.
“No momento, devido ao acontecimento de evento sanitário, nenhum produto de origem suína é permitido entrar no Brasil por causa da peste suína africana. Então, não importa se ele está identificado, se ele está industrializado, embalado; nesse caso, do produto de origem suína, não é permitido no momento”, afirmou.
A proibição aplica-se inclusive a produtos industrializados e devidamente embalados, como presuntos ou enchidos tradicionais de países europeus.
Durante a entrevista ao DN Brasil, a jornalista questionou se produtos como o presunto espanhol poderiam entrar no país caso estivessem embalados e certificados. A resposta foi clara.
“No momento, não está permitido pela existência da peste suína africana, que o Brasil é livre, e alguns países do mundo não são livres, como é o caso de muitos países da Europa”, explicou Cleverson Freitas.
Além dos produtos suínos, as autoridades brasileiras também mantêm restrições à entrada de alguns produtos lácteos, especialmente aqueles produzidos com leite cru.
Como exemplo, o responsável referiu o conhecido queijo português Serra da Estrela, frequentemente encontrado na bagagem de passageiros.
“Em Portugal, existe o famoso queijo Serra da Estrela, e a gente encontra direto na bagagem dos passageiros. Só que, infelizmente, ele é feito com leite cru, e o leite cru não está permitido o ingresso”, afirmou.
De acordo com Cleverson Freitas, nesses casos os produtos são apreendidos e destruídos pelas autoridades sanitárias, o que representa prejuízo para os viajantes.
“É frequente a apreensão, destruição desses produtos, e ninguém gosta de ter um produto apreendido. Além do prejuízo financeiro, existem diversas outras consequências em virtude disso”, disse.
O responsável acrescentou ainda que a proibição aplica-se independentemente do país de origem sempre que o produto seja feito com leite cru.
“Independente do país, sendo a matéria-prima leite cru de bovinos e bubalinos, não é permitido”, reforçou.
Apesar das restrições, alguns produtos lácteos industrializados podem ser autorizados, desde que cumpram todas as exigências sanitárias e estejam devidamente embalados e identificados.
Contudo, também existem limitações adicionais relacionadas com outras doenças animais, como a dermatose nodular, que afeta alguns países.
Por essa razão, segundo Cleverson Freitas, há atualmente mais de 30 países com restrições à entrada de determinados produtos lácteos no Brasil, incluindo países europeus como França e Itália. ■




