O jornalista da SIC e formador Luís Maia estará no Fundão, no dia 21 de fevereiro, para conduzir uma Masterclass de Media Training dirigida a entidades públicas e privadas, autarcas, empresários e responsáveis institucionais, numa iniciativa organizada pela Câmara de Comércio da Região das Beiras (CCRB). A sessão decorre a partir das 15h30 no auditório da Caixa de Crédito Agrícola do Fundão, com entrada gratuita, e coloca a comunicação profissional no centro dos desafios contemporâneos da região.
A Masterclass propõe uma abordagem prática e aplicada aos principais eixos da comunicação estratégica, desde a capacidade de comunicar eficazmente até à gestão de situações de crise, controlo de narrativas, desenvolvimento de presença e autoridade e comunicação orientada para o exercício de influência. Com um percurso consolidado no jornalismo televisivo e na formação em Media Training, Luís Maia defende que o domínio destas competências é hoje determinante para a afirmação de pessoas, organizações e territórios, em particular no Interior do país.
“Esta Masterclass pode ser um passo seguro e importante, no sentido da afirmação das Beiras” – Luís Maia
A presidente da CCRB, Ana Correia, sublinha que a realização da Masterclass resulta de uma opção estratégica clara da entidade, enquadrada numa visão de médio e longo prazo para a afirmação do território.
“Num tempo em que a imagem se constrói em segundos e a reputação pode definir o futuro de uma região, era imperativo trazer às Beiras uma formação que durante anos esteve concentrada nos grandes centros urbanos”, afirmou esta responsável, acrescentando que o objetivo passa por “capacitar líderes, empresários e instituições para comunicarem com método, clareza e credibilidade, sobretudo no Interior”.
“Queremos contribuir para inverter a perceção periférica associada ao Interior, reforçando a capacidade da região para contar a sua própria história”, disse Ana Correia, sublinhando que as inscrições gratuitas decorrem até 10 de fevereiro, mediante envio de e-mail para: ccrbeiras@gmail.com ou geral@ccrbeiras.pt
Em entrevista à nossa reportagem, Luís Maia sublinha que esta iniciativa representa uma oportunidade concreta para as Beiras reforçarem a sua posição num contexto cada vez mais competitivo.
O que o motivou a aceitar o desafio de liderar a Masterclass Media Training no Fundão?
Era impossível recusar. Tenho uma enorme paixão pela comunicação enquanto indústria e enquanto manifestação livre do espírito humano. Para além disso, sou um admirador incondicional do Interior, pelas pessoas que lá vivem, pela portugalidade da sua gastronomia e dos seus costumes. Em relação ao Fundão, em específico, ali sinto-me em casa, por ser a terra de gente que conheço há décadas e de quem gosto imenso. Por fim, esta Masterclass em Media Training é uma oportunidade de trazer para a agenda das Beiras esta importante discussão acerca da comunicação vista de uma perspetiva profissional e avançada. O tema é urgente e inevitável, nos dias que correm. Tenho a certeza de que será uma experiência enriquecedora para mim e para todos os participantes.
Que trabalhos realiza enquanto formador, com foco na gestão de narrativas e pela comunicação em contextos exigentes?
Dou formações na área do Media Training e do Public Speaking. Muita gente acha que é tudo a mesma coisa, mas isso não corresponde à verdade. O Public Speaking é sobre criar estratégias para os oradores conseguirem enfrentar uma plateia e fazer passar a sua mensagem de forma eficaz. O Media Training é um pouco mais completo e mais complexo também, porque está pensado para pessoas que têm interação frequente com os media e que precisam de entender as regras do jogo mediático, de forma a poder tirar partido dele. Em qualquer dos casos, o treino é fundamental para que alguém possa comunicar como um profissional, uma vez que há estratégias que ajudam a superar barreiras psicológicas ou culturais, sejam elas o receio de falar em público, ou o medo de dizer algo descabido durante uma entrevista. Onde sinto que posso fazer a diferença é no treino individual, porque é o terreno propício para identificar lacunas comunicacionais, angustias pessoais e agir sobre situações concretas que possam ser sensíveis para os formandos. Sei que no mundo da comunicação não existem milagres, mas existe algo bem mais palpável, que é o trabalho sério e metódico, com atenção ao detalhe. Acredito muito nisso e o que a experiência me tem ensinado é que todos os problemas comunicacionais têm solução. Não é que desapareçam com um estalar de dedos, mas, a partir do momento de delineamos a estratégia certa e que a cumprimos, estamos no caminho certo para resolver o que quer que seja.

Tendo em conta os temas abordados, como a comunicação eficaz, a gestão de crises e o controlo de narrativas, o que pode o público esperar, em termos práticos e aplicáveis, desta sessão e que competências considera hoje indispensáveis para quem comunica em ambientes institucionais, empresariais ou mediáticos?
O que as pessoas podem esperar desta sessão é um entendimento mais amplo da importância do treino em comunicação. A diferença entre comunicar com critério e com estratégia, pode significar a diferença entre o êxito e o fracasso. Quem estiver nesta Masterclass vai ficar com uma ideia muito clara acerca dos aspetos essenciais a ter em conta para poder comunicar como um profissional. Obviamente, não vamos resolver todos os problemas do mundo durante aquela hora, mas tenho a certeza de que a plateia do auditório da Caixa de Crédito Agrícola, irá adquirir ferramentas importantes para comunicar melhor.
De que forma podem as Beiras usufruir desta iniciativa?
Qualquer região do país fica mais rica a partir do momento em que tiver mais ferramentas para enfrentar desafios emergentes. Ora, os desafios comunicacionais são emergentes e têm um peso cada vez maior na construção da imagem e reputação de pessoas, empresas e regiões. Só com um investimento forte na imagem e na reputação é que uma região como a das Beiras pode impor a sua agenda e posicionar-se para alcançar lugares de destaque nas mais diversas áreas da vida social, económica e até política. Posto isto, esta iniciativa tem tudo para servir os interesses da região.
Em que medida o seu percurso multidisciplinar influencia a abordagem pedagógica desta Masterclass e que exemplos concretos da sua vivência profissional serão trabalhados com os participantes?
Na indústria da televisão já trabalhei na área do entretenimento puro e trabalho agora na área criminal. Também já vivi em Angola, onde coordenei equipas no processo de abertura do primeiro canal privado daquele país. Sob o ponto de vista académico também tenho procurado a multidisciplinariedade, uma vez que sou licenciado em Comunicação Social (pré Bolonha), mestre em Política Social e dou aulas na Pós-Graduação em Criminologia, no ISCSP, bem como na Pós-Graduação em Enfermagem Forense, na CESPU. Diria, portanto, que consigo abarcar os desafios da comunicação sob uma perspetiva ampla e abrangente. Mais do que isso, utilizo constantemente exemplos da minha experiência no terreno e de formações anteriores, para ilustrar as ideias que pretendo transmitir, salvaguardando sempre e a confidencialidade relativamente à identidade das pessoas envolvidas. As minhas formações nunca serão apenas monólogos. Acabam sempre por se tornar em debates e trocas de ideias. Para dizer a verdade, divirto-me imenso e sinto-me um privilegiado por ter este tipo de oportunidades.
Numa região do interior como as Beiras, onde líderes locais, empresários e instituições enfrentam desafios próprios de visibilidade e afirmação, qual considera ser o principal valor acrescentado desta Masterclass e que impacto espera que tenha na forma como os participantes comunicam e exercem influência nos seus contextos profissionais?
Creio que os líderes locais, empresários e instituições têm aqui uma oportunidade de ficar mais alerta relativamente à importância das formações em comunicação e do valor que estas podem acrescentar às suas vidas, às suas carreiras. O que vai acontecer no dia 21 de fevereiro, no auditório da Caixa de Crédito Agrícola, poderá ser o início de um caminho que deve ser trilhado por estas pessoas e estas entidades, no sentido de dar um passo em frente, que as destacará entre os seus pares. Como acredito que é nos detalhes que se consegue fazer a diferença, diria que esta Masterclass pode ser um passo talvez pequeno, porém seguro e importante, no sentido da afirmação das Beiras.
Como poderão ser feitas as inscrições, apesar de o evento ser gratuito?
As inscrições decorrem até 10 de fevereiro, mediante envio de e-mail para: ccrbeiras@gmail.com ou geral@ccrbeiras.pt

Por fim, quem é Luís Maia?
Nasci a 15 de outubro de 1976, na Póvoa de Varzim, licenciei-me em Comunicação Social no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, a mesma faculdade à qual regressei mais de duas décadas depois para me tornar mestre em Política Social. Em 1999 troquei um emprego em part-time, num call center, por um estágio pago apenas com senhas de refeição, na redação da TVI. Iniciei aí uma carreira que me levou a produtoras como a Duvideo, Teresa Guilherme Produções, Comunicassom e Fremantle, para além do jornal 24 Horas, de estações como TVI e SIC, bem como a colaborações esporádicas com a imprensa estrangeira. Entre 2008 e 2009 vivi em Angola, onde contribuí para um momento histórico, ao coordenar os conteúdos de entretenimento do primeiro canal privado daquele país, a TV Zimbo. Como locutor, empresto a voz a canais como História, Odisseia, Discovery e AMC Crime. Como autor, já assinei nove livros de não-ficção, sete deles em co-autoria com o também jornalista Hernâni Carvalho. Atualmente, trabalho para a produtora Coral Europa e faço reportagens em directo no segmento de análise criminal (segmento que, aliás, coordeno), do programa Casa Feliz, da SIC. É também comentador especializado em assuntos de segurança interna, na SIC Notícias. considero-me um profissional determinado, gosto de sair da zona de conforto e nunca escondi a felicidade que sente de cada vez que sobe ao palco para apresentar um evento corporativo. Mais recentemente, decidi ter tempo para partilhar com outros aquilo que aprendi ao longo de 26 anos de carreira, através formações em Media Training e Public Speaking. Como se não bastasse, também dou aulas na pós-graduação em Criminologia, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), bem como na pós-graduação em Enfermagem Forense, na Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário (CES-PU). ■





