Fragmentação geopolítica “redefine” rotas comerciais e reposiciona países lusófonos, afirma presidente da Funcex

Instabilidade acelera diversificação de parceiros e aproxima Europa, África lusófona e América Latina e em eixo comercial alternativo

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Antônio Carlos da Silveira Pinheiro, presidente da Funcex, destaca a mudança nas prioridades do comércio internacional em cenário de fragmentação geopolítica. Foto: divulgação
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O comércio internacional atravessa uma reconfiguração estrutural, impulsionada por crises geopolíticas, conflitos regionais e tensões entre grandes potências. A fragmentação das cadeias globais de valor tem alterado os fluxos comerciais, elevado custos logísticos e reduzido a previsibilidade das trocas internacionais, obrigando Estados e empresas a revisar rotas tradicionais e modelos de dependência econômica. Europa, América Latina e África lusófona emergem como vértices de um eixo comercial alternativo.

Segundo o presidente da Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais (Funcex), Antônio Carlos da Silveira Pinheiro, a instabilidade atual redefine prioridades no comércio global.

“A dependência excessiva de poucos fornecedores e rotas concentradas mostrou os seus limites. Segurança das cadeias de abastecimento e diversificação de parceiros passaram a ser critérios determinantes nas decisões comerciais”, afirmou.

Na Europa, a busca por maior autonomia estratégica orienta políticas de redução de vulnerabilidades externas e à diversificação de parceiros. Esse movimento recoloca a América Latina no centro das discussões, não apenas como fornecedora de matérias-primas, mas como espaço para investimento produtivo, cooperação industrial e integração de cadeias de valor. O relançamento do diálogo entre União Europeia e Mercosul insere-se nesse esforço de reequilíbrio.

Para os países latino-americanos, o desafio está em transformar oportunidades conjunturais em ganhos estruturais. A reconfiguração abre espaço para maior integração regional e atração de investimento estrangeiro direto, desde que acompanhadas por estabilidade regulatória e previsibilidade institucional.

Brasil, Portugal, Angola, Moçambique e Cabo Verde consolidam-se como plataformas de ligação entre a Europa, África lusófona e a América do Sul, beneficiadas por afinidades linguísticas, históricas e jurídicas. Projetos em infraestrutura, energia, agricultura e logística ampliam a presença desses países nas novas rotas comerciais que surgem além dos eixos tradicionais.

Segundo Antônio Carlos da Silveira Pinheiro, o ambiente internacional exige leitura estratégica e coordenação entre governos e empresas.

“O comércio deixa de ser meramente transacional e passa a exigir relações econômicas sustentadas e de longo prazo”, avaliou este responsável, que sublinha que “diversificação de parceiros, segurança no abastecimento, sustentabilidade e proximidade geográfica passam a orientar decisões públicas e privadas”.

“Para a Europa, América Latina e África lusófona, o momento exige dados confiáveis, coordenação e visão estratégica, sob pena de o redesenho do comércio internacional ocorrer à margem de seus interesses”, finalizou Antônio Carlos da Silveira Pinheiro.  ■

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