
O historiador açoriano Manuel Rosa defende que os navegadores portugueses terão alcançado a costa do Brasil antes de 1493, uma hipótese que é apresentada no livro “1494 – D. João II e o Segredo do Brasil”, que será lançado a 15 de abril em São Paulo. A obra baseia-se em décadas de investigação sobre mapas antigos, ciência da navegação e documentação diplomática do final do século XV.
Segundo o autor, a análise de mapas redescobertos no século XX e de documentos históricos indica que a Coroa portuguesa poderia possuir conhecimento de territórios além do Atlântico muito antes das datas tradicionalmente ensinadas nos manuais de História.
Esse conhecimento reservado poderá ajudar a explicar a posição de Portugal nas negociações que levaram ao Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494 entre Portugal e Castela – o acordo estabeleceu uma linha divisória no Atlântico que acabou por colocar o território do atual Brasil dentro da esfera de influência portuguesa.
A investigação revisita também episódios da exploração atlântica do século XV, incluindo o chamado mapa das Antilhas de 1424, redescoberto em 1953, e os relatos das viagens de Cristóvão Colombo ao Novo Mundo.
Segundo a interpretação apresentada na obra, Colombo procurava alcançar terras situadas a sul do Equador, uma região que, de acordo com os seus próprios relatos, já lhe teria sido mencionada por D. João II.
Dedicado há mais de três décadas ao estudo da Era dos Descobrimentos, Manuel Rosa baseia o seu trabalho sobretudo na análise de arquivos europeus e de fontes cartográficas antigas. A investigação procura reavaliar o papel de Portugal na expansão atlântica e no desenvolvimento do conhecimento náutico no final da Idade Média.
O estudo propõe ainda uma nova leitura da viagem de Pedro Álvares Cabral, em 1500, sugerindo que a chegada ao Brasil pode ter representado uma proclamação pública de um território já conhecido pela Coroa portuguesa, e não um achamento acidental.
A investigação tem gerado debate entre historiadores: enquanto o professor Onésimo Teotónio Almeida considera que os documentos apresentados pelo autor são relevantes para a discussão e que suportam a sua tese, alguns investigadores defendem a necessidade de continuar a analisar as fontes e o contexto histórico antes de rever a cronologia tradicional da descoberta do Brasil. ■




