Opinião: “Democratizar a comunicação para afirmar as Beiras”

“Não queremos apenas ajudar a formar oradores; queremos ajudar a formar embaixadores”

Ana Correia, presidente da Câmara de Comércio da Região das Beiras
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Enquanto presidente da Câmara de Comércio da Região das Beiras, a tomada de decisão de trazer uma Masterclass de Media Training ao Fundão, liderada pelo conceituado jornalista Luís Maia, não é um acaso no calendário da CCRB. É um passo estratégico, deliberado e necessário. Num tempo em que a imagem se constrói em segundos e a reputação de uma região pode definir o seu futuro, percebemos que era imperativo democratizar o acesso a um conhecimento que tem sido privilégio dos grandes centros urbanos. E fazemo-lo com uma convicção: o Interior, frequentemente marginalizado, é um território de excelência que precisa de aprender a contar a sua história com a mestria que a sua realidade merece.

As Beiras estão a apenas duas horas de Lisboa, três do Porto e quatro de Madrid. Somos, por geografia e potencial, um território central. Contudo, a narrativa dominante ainda nos coloca na periferia. Esta Masterclass é uma pedra no caminho para inverter essa perceção. Integra-se numa estratégia clara da CCRB que assenta em três pilares: a capacitação dos nossos líderes, a valorização do território através de uma comunicação assertiva e o reforço da credibilidade institucional e empresarial. Não queremos apenas ajudar a formar oradores; queremos ajudar a formar embaixadores.

Vivemos na era da exposição mediática total. Empresários, reitores, docentes, autarcas, dirigentes associativos e comandantes operacionais são, quer queiram quer não, rostos e vozes públicas. A sua capacidade de comunicar influencia a atração de investimento, a gestão de uma crise ou a simples transmissão de confiança à população. A memória recente dos incêndios deste verão deixou-nos uma lição dolorosa: por vezes, a maior tragédia não é o fogo, mas o desespero de quem fica no escuro, sem informações claras, porque a ponte comunicacional ruiu. Treinar para ser ouvido, compreendido e para inspirar confiança é, hoje, uma competência de sobrevivência cívica e económica.

É por isso que direcionamos esta formação a um público tão abrangente: desde CEOs, autarcas, a presidentes de junta, de comandantes de bombeiros a reitores. Todos têm, na sua esfera de ação, o poder de melhorar ou prejudicar a imagem coletiva. As competências prioritárias são as que transformam a reação em proatividade: a construção de uma mensagem clara, a gestão de uma entrevista difícil, a condução de uma comunicação em crise e a arte de influenciar positivamente.

Ao trazermos um profissional da craveira do Luís Maia, não procuramos apenas um treino de técnicas. Procuramos um salto qualitativo na ambição comunicacional da região. A médio prazo, esperamos ver os nossos líderes a ocupar mais espaço nos media com discursos estruturados, a promover os seus projetos com maior impacto e a gerir contratempos com transparência e tranquilidade.

A longo prazo, o objetivo é mais profundo: queremos forjar uma narrativa coesa para as Beiras. Que “Beira” deixe de ser um sinónimo automatizado de desertificação ou de crise, e passe a ser associada a conceitos tangíveis e modernos: à inovação no agro-tech, à sustentabilidade do turismo de natureza, à qualidade de vida que atrai talento, à indústria resiliente. Queremos que a região se afirme não pelo que falta, mas pelo que exuberantemente oferece. Esta Masterclass é o início de um processo para equipar os nossos principais agentes com as ferramentas para serem os arquitetos dessa nova história.

A participação foi gratuita porque o retorno que ambicionamos é coletivo. Quando um autarca comunica melhor, a sua cidade, vila ganha. Quando um empresário apresenta melhor o seu projeto, a economia local beneficia. Quando um comandante transmite serenidade, toda a comunidade se sente mais segura. Uma região que comunica bem é uma região que atrai, que fixa, que cresce.

Esta iniciativa foi um investimento no ativo mais valioso das Beiras: as suas pessoas. É uma declaração de que acreditamos que o futuro se constrói também com palavras, com convicção e com uma voz própria, audível do Fundão para o mundo.

Das Beiras para o mundo. O mundo à nossa Beira.  ■

Ana Correia

Presidente da Câmara de Comércio da Região das Beiras

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