Quando falamos da Filoxera, a primeira questão que nos vem à mente é a devastação feita por uma praga que arrasou as culturas europeias no final do séc. XIX.
Algo que não era esperado, perante uma agricultura que estava a desenvolver de forma desenfreada com a presença e ajuda da mentalidade da Revolução Industrial, e a sua capacidade de produção em série linhas de montagem, a mecanização etc.
A preparação e prevenção não existiam, sendo aplicados métodos caseiros e artesanais no combate às pragas das culturas tradicionais
Com a expansão do comércio e vias de comunicação, a exigência para uma maior produção de vinho faria com que houvesse um aproveitamento de maiores áreas de cultivo, para responder aos pedidos dos novos mercados.
A estrutura de plantação não era ordenada e, muitas vezes, adotavam o processo de tutor vivo para a plantação de uma planta, em que tudo o que a rodeava, denominava um microclima estável para o seu desenvolvimento.
Resultado?
Vinhas completamente desordenadas, dificuldade na colheita, devido aos acessos e as suas localizações dispersas, inclinações de terreno, etc.
Com o surgimento da praga, tornaram se visíveis as limitações que existiam em todos os parâmetros anteriormente comentados, e diretamente sentidos perante aqueles que, com o objetivo de eliminar o “mal”, teriam que arrancar todas as vinhas pela raiz e queimarem, e nenhuma poderia ficar “esquecida”.
Com a compra de castas dos Estados Unidos veio também a questão organizacional proposta por parte dos que venderam, sugerindo métodos de cultivo ainda hoje existentes.
Quando vemos na atualidade uma vinha devidamente ordenada em linha muitos não denotam a “revolução” de qualidade de produção a que se sujeitou a Europa.
Assim sendo, podemos constatar que a perspetiva “positiva” da Filoxera no final do se XIX e a rapidez da reposição destas com a presença dos processos ao dispor destes agricultores, com a “presença” da Revolução Industrial. ■
João Carlos Farrapa
Petit Sommelier, empresário, apresentador do programa “Uvas e Personalidades”
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