Opinião: “Trabalho europeu em 2026: a IA mudou o mercado”, por André Aguiar

“Quem já tem 40 ou 50 anos sente outro tipo de pressão”

André Aguiar, Especialista em Marketing, Escritor, Professor, Palestrante e Referência em Inteligência Artificial Aplicada aos Negócios
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O que está acontecendo na Europa não é um filme de robôs tirando o trabalho das pessoas. É uma mudança concreta dentro das empresas. A inteligência artificial já está em uso real. Em 2025, segundo a Eurostat, quase 20% das empresas da União Europeia utilizavam IA. Entre as grandes empresas, esse número já passava de 55%. Isso significa que uma parte importante da economia europeia começou a trabalhar de outra forma.

O efeito imediato não foi uma explosão de demissões. Foi a mudança das tarefas. A IA escreve rascunhos, organiza dados, acelera análises. O profissional continua empregado, mas precisa revisar, corrigir e decidir com mais rapidez. O trabalho ficou mais exigente e mais comparável. Produz-se mais em menos tempo. Nem sempre o salário acompanha esse aumento de produtividade.

Para quem está começando, o cenário é mais sensível. Muitas vagas de entrada eram baseadas em tarefas repetitivas, exatamente o tipo de atividade que a IA já consegue executar. O resultado é um primeiro emprego mais difícil, estágios mais disputados e exigência maior logo no início. Jovens enfrentam um mercado onde experiência é pedida antes mesmo da primeira oportunidade.

Quem já tem 40 ou 50 anos sente outro tipo de pressão. A necessidade de reaprender ferramentas digitais tornou-se constante. Não é apenas uma questão tecnológica, é uma questão de segurança profissional. Em um continente onde o custo de vida sobe e a estabilidade é valorizada, a sensação de ter que se atualizar o tempo todo gera tensão real.

Em 2026, o emprego europeu ainda existe. O que mudou foi o nível de cobrança. A IA não eliminou o trabalho médio, mas aumentou a concorrência, apertou a porta de entrada e elevou a pressão por produtividade, muitas vezes sem aumento proporcional de rendimento.

E agora?

Se o mercado está ficando mais rápido e mais seletivo, estamos ajustando educação, políticas públicas e empresas na mesma velocidade, ou vamos normalizar uma geração mais qualificada e, ao mesmo tempo, mais insegura?  ■

André Aguiar

Especialista em Marketing, Escritor, Professor, Palestrante e Referência em Inteligência Artificial Aplicada aos Negócios; Licenciatura em Matemática, MBA em Marketing Digital e Analista de Sistemas

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*Os artigos de opinião são de inteira responsabilidade dos seus autores e não refletem, necessariamente, a visão do nosso órgão de comunicação social

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