Ouro Preto: Nova edição do Encontro Nacional do Associativismo Luso-Brasileiro reforçou pontes entre Portugal e Brasil em diversos níveis

Evento, organizado pela Câmara Portuguesa de Minas, afirmou-se como “espaço estratégico de articulação” entre personalidades e instituições, onde sustentabilidade, cooperação económica e identidade cultural convergiram para reforçar e valorizar o papel da comunidade luso-brasileira; autoridades portuguesas e brasileiras marcaram presença em Minas Gerais

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Segunda edição do encontro ficou marcada por discussões sobre diversos temas relacionados à comunidade luso-brasileira. Foto: Agência Incomparáveis
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Ouro Preto, no Estado brasileiro de Minas Gerais, recebeu o segundo Encontro Nacional do Associativismo Luso-Brasileiro, entre os dias 25 e 27 de março, um evento organizado pela Câmara Portuguesa de Minas e que reuniu dirigentes associativos, autoridades políticas dos dois países, além de representantes empresariais para debater o futuro da cooperação entre Portugal e Brasil. O governo português fez-se representar pelo Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, pela nova embaixadora de Portugal no Brasil, Isabel Brilhante Pedrosa, além do Diretor-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas (DGACCP), embaixador António Moniz, e José Cesário, deputado eleito pela emigração pelo círculo de Fora da Europa. Da parte brasileira, participou a secretária de Desenvolvimento Económico de Minas Gerais, Mila Corrêa, e o prefeito de Ouro Preto, Ângelo Oswaldo, entre outros nomes.

Ao longo de três dias, o encontro combinou momentos institucionais, debates temáticos e iniciativas culturais, consolidando-se como uma plataforma de diálogo entre diferentes atores do universo luso-brasileiro.

O primeiro dia foi dedicado à receção dos participantes e ao encontro “Diálogos para a Sustentabilidade – Intercâmbio de Boas Práticas”, seguido de um programa cultural com fado e folclore. No início da noite, a programação ganhou um peso cultural com um concerto de fado no Anfiteatro Tiradentes, reunindo os fadistas Tarcísio Costa e Letícia Ferreira, acompanhados por viola de fado, com Sérgio Borges, e guitarra portuguesa, com Wallace Oliveira.

Fado integrou programa em Minas Gerais. Foto: Gabriel Caetano

“O fado carrega histórias, memória e identidade. Estar aqui hoje é também fortalecer esses laços culturais que atravessam gerações”, destacou Tarcísio.

Fadistas Tarcísio Costa e Letícia Ferreira. Foto: Gabriel Caetano

Na sequência, houve a cerimónia de posse da nova diretoria da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil – Minas Gerais, que “marcou a renovação institucional da entidade, reforçando seu papel na articulação entre iniciativas empresariais, culturais e governamentais”. A nova gestão, que assume o triénio 2027–2029, continua presidida por Miguel Jerónimo, com atuação voltada ao fortalecimento do associativismo e à ampliação de parcerias estratégicas entre os dois países.

Após a posse, o público acompanhou a apresentação do Grupo Folclórico Gil Vicente, que levou ao palco manifestações tradicionais portuguesas por meio da música e da dança, ampliando a dimensão cultural do encontro e sua conexão com a memória das comunidades luso-brasileiras.

Grupo Folclórico Gil Vicente. Foto: Gabriel Caetano

Já o segundo dia concentrou os principais momentos políticos e institucionais, com a sessão solene de abertura e painéis dedicados ao associativismo, sustentabilidade e governança, além de reuniões entre associações, câmaras de comércio e a rede consular portuguesa em salas reservadas. O último dia ficou marcado por debates sobre a participação associativa de jovens e mulheres, formas de financiamento e ligação à academia, culminando na apresentação da “Carta de Minas Gerais”, um documento que reúne as propostas que foram discutidas durante o evento.

Em declarações à Agência Incomparáveis, Miguel Jerónimo, presidente da Câmara Portuguesa de Minas, destacou que o objetivo do encontro passou pelo reforço da articulação entre entidades.

“O que espero alcançar é que haja uma proximidade das associações, das Câmaras de Comércio e dos consulados, e que possamos juntos construir uma grande força de melhorar as condições das comunidades portuguesas e luso-brasileiras, especialmente aqui no Brasil, para que haja mais negócios, mais investimentos, mais bem-estar, mesmo a nível cultural, que haja mais divulgação da nossa cultura”, afirmou este responsável, que sublinhou ainda que o tema da sustentabilidade foi escolhido por refletir uma preocupação atual. Nesse sentido, defendeu a necessidade de mudança de paradigma económico.

Miguel Jerónimo, presidente da Câmara Portuguesa de Minas. Foto: Gabriel Caetano

“Nós, neste momento, em muitos países, ainda estamos num modelo de economia linear, em que vai colher, usa e joga fora, e nós temos que começar a colher, usar e reciclar”, destacou.

Também em declarações à Agência Incomparáveis, Flávio Martins, presidente do Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Portuguesas (CP-CCP), destacou a importância do encontro enquanto espaço de partilha e construção de soluções, explicando que a troca de experiências entre conselheiros e associações permite reforçar o diálogo institucional com o Estado português.

Flávio Martins, presidente do Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Portuguesas. Foto: Agência Incomparáveis

“Ao trabalharmos em redes, e isso hoje está cada vez mais certo e determinado, conseguimos galvanizar esses interesses para podermos levar […] ao governo de Portugal […], de forma a melhorarmos a ligação, a aproximação entre Portugal e as nossas comunidades”, disse, acrescentando que a principal mensagem a retirar do evento passa pela necessidade de maior participação das associações e conselheiros, reforçando a importância desta dinâmica colaborativa.

José Cesário, deputado eleito para atuar na Assembleia da República portuguesa pela emigração pelo círculo de Fora da Europa e antigo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, sublinhou à nossa reportagem que iniciativas deste tipo são fundamentais para o futuro do movimento associativo.

“O futuro do associativismo passa muito pela criação de redes, pela colaboração entre dirigentes associativos, o conhecimento mútuo, a troca de experiências”, referiu o deputado, que recordou experiências anteriores com resultados concretos na renovação de lideranças associativas, além de defender a replicação deste modelo noutros países.

“Nós tivemos no passado algumas experiências muito interessantes que deram os seus resultados exatamente com encontros deste género, neste caso realizados em Portugal, que permitiram que, por exemplo, hoje tenhamos um grupo significativo de dirigentes novos em várias associações, em países como a Argentina, o caso mais evidente, que de outra forma nunca apareceriam, provavelmente nunca se sentiriam motivados para este trabalho”, referiu.

Entidades e autoridades portuguesas e brasileiras deslocaram-se a Ouro Preto. Foto: Agência Incomparáveis

No balanço dos trabalhos, o antigo governante destacou ainda a importância da integração de novos temas no debate.

“Houve aqui coisas interessantes […] ligar a atividade, a ação associativa, ao combate pela sustentabilidade […] e também […] por ter visto que ainda continuamos a manter aqui uma atividade cultural mais tradicional”, referiu.

Representando o Governo de Minas Gerais, Petterson Tonini, superintendente de Políticas de Turismo e Gastronomia da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo, avançou que o encontro serviu como espaço de conexão e promoção internacional.

“Este evento fortalece uma parceria que já vem sendo construída ao longo dos anos. Tivemos recentemente uma atuação conjunta em Lisboa, onde apresentamos os nossos atrativos turísticos e, principalmente, a gastronomia mineira, que sintetiza influências portuguesas, indígenas e africanas e hoje se posiciona como um dos pilares do turismo no estado”, reforçou.

Importância do associativismo e da comunidade brasileira

Ainda no âmbito deste edição do Encontro Nacional do Associativismo Luso-Brasileiro, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, conversou com a nossa reportagem, quando destacou a relevância destes encontros para o fortalecimento do movimento associativo e a ligação entre Portugal e as suas comunidades no exterior.

“É óbvio que fiquei muito agradado, porque penso que estes encontros potenciam muito a troca de experiências, o conhecimento, alguma informação, e alguma formação também que é feita”, enfatizou este governante, que sublinhou que o governo português, liderado por Luís Montenegro, dá grande atenção ao movimento associativo, disponibilizando anualmente, através do Orçamento de Estado, “um milhão e meio de euros para apoio ao movimento associativo, quer aos projetos, quer à comunicação social da diáspora”.

Emídio Sousa frisou ainda os principais desafios enfrentados pelas associações portuguesas na diáspora.

“Houve ali alguns temas que são comuns, como a necessidade da renovação de quadros, a forma de manter vivas as associações, o financiamento, portanto, todo um conjunto de desafios comuns, que penso que este tipo de encontros ajuda a encontrar soluções e a partilhar experiências”, comentou.

“A comunidade brasileira é muito ativa”

Sobre a comunidade luso-brasileira, o secretário de Estado enfatizou a sua atividade e dinamismo.

“A comunidade brasileira é muito ativa, muito dinâmica, é uma comunidade que eu aprecio muito, muito empenhada”, salientou, reconhecendo que os desafios de associações mais antigas exigem respostas rápidas.

“Agora, provavelmente, nas comunidades luso-brasileiras, porque as nossas comunidades no Brasil são antigas, o nosso movimento associativo, em muitos casos, já ronda uns 100 anos, em alguns casos, até já ultrapassa, portanto, alguns destes problemas são ainda muito mais prementes e exigem respostas rápidas”, disse.

Por fim, Emídio Sousa abordou a relação do evento com a iniciativa “Portugal, Nação Global”, projetada para promover o intercâmbio de negócios e fortalecer laços entre as comunidades portuguesas no mundo.

“O Portugal Nação Global, e eu tive a oportunidade de o desenvolver, é um evento que estamos a lançar e visa, precisamente, potenciar o intercâmbio de negócios e as Câmaras de Comércio luso-brasileiras têm aqui um papel fundamental”, afirmou o governante, que explicou a ambição do projeto.

Emídio Sousa, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas. Foto: Gabriel Caetano

“No fundo, nós, na nossa língua portuguesa, no nosso movimento associativo, temos a possibilidade de nos entreajudarmos, de descobrirmos negócios, de potenciarmos negócios, de fazerem as coisas funcionarem para os nossos empresários. Portanto, é uma ambição grande e, se o conseguirmos, eu penso que vamos marcar a história da nossa relação enquanto comunidades”, enfatizou.

Emídio Sousa concluiu destacando a força da diáspora portuguesa.

“Somos nós, portugueses, que estamos presentes em 178 países, que temos centenas de comunidades, algumas até nos sítios mais recônditos, portanto, temos tudo para fazer sucesso. Haja agora esta vontade que eu senti em todos de avançar!”, adiantou.

Por seu turno, a embaixadora de Portugal no Brasil, Isabel Brilhante Dias, considerou que o evento proporcionou “um diálogo sobre os desafios que se perfilam ao movimento associativo, bem como a troca de experiências”.

Isabel Brilhante Dias, nova embaixadora de Portugal no Brasil. Foto: Gabriel Caetano

“Distintas plataformas associativas afirmam-se como atores-chave da presença da comunidade portuguesa no Brasil”, finalizou Isabel Brilhante Dias.

O palco do encontro foi o Vila Galé Collection Ouro Preto, um hotel resort de luxo situado no antigo Colégio Salesiano Dom Bosco, em Cachoeira do Campo, Ouro Preto. ■

* A Agência Incomparáveis foi Media Partner Internacional da segunda Edição do Encontro Nacional do Associativismo Luso-Brasileiro, em Ouro Preto.

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