
A Casa dos Açores reforça a sua programação cultural no início de 2026 com a inauguração da exposição “Memorial da Escravatura dos Açores”, que abre ao público no próximo dia 20 de janeiro, pelas 19h00, em Lisboa.
A sessão de abertura contará com uma comunicação do historiador Arlindo Manuel Caldeira, investigador do CHAM – Centro de Humanidades da Universidade Nova de Lisboa e da Universidade dos Açores.
A exposição resulta de uma colaboração entre o Museu da Horta e a Direção Regional das Comunidades, apresentando uma narrativa simples e pedagógica sobre a presença contínua da escravatura nos Açores e na sociedade açoriana entre os séculos XV e XIX.
O percurso expositivo aborda o fenómeno a partir de três perspetivas centrais: a presença de escravos magrebinos e subsaarianos no arquipélago, incluindo formas de integração e resistência, como a Revolta de Badail em 1522; o cativeiro de açorianos no Magrebe entre os séculos XVII e XVIII; e a chamada “escravatura branca” no Brasil, na segunda metade do século XIX, que envolveu emigrantes açorianos.
Ao revelar estas realidades, a mostra procura evidenciar a complexidade da história atlântica e os impactos culturais deixados por estas migrações forçadas nos territórios de destino.
A iniciativa assume também um caráter pedagógico e de memória histórica, defendendo que o conhecimento do passado pode contribuir para uma compreensão mais humana das migrações contemporâneas.
O “Memorial da Escravatura dos Açores” estará patente até 28 de fevereiro, podendo ser visitado de segunda a sexta-feira, entre as 10h30 e as 17h00, nas instalações da Casa dos Açores.
A conferência inaugural será proferida por Arlindo Manuel Caldeira, autor de diversas obras de referência sobre escravatura e tráfico atlântico, distinguido com prémios de investigação e reconhecido internacionalmente pelo seu contributo para o estudo da história da escravidão no espaço português.
Neste sentido, a Direção da Casa dos Açores de Lisboa convida associados e público em geral a participar na abertura da exposição e a acompanhar a programação cultural divulgada nas redes sociais da instituição. ■




