
O governo português reconheceu que a diáspora científica portuguesa representa um “ativo estratégico para o desenvolvimento nacional” e garantiu estar a trabalhar em mecanismos que permitam estabelecer uma relação contínua, organizada e duradoura com investigadores e diplomados portugueses que desenvolvem atividade no estrangeiro.
A posição foi transmitida pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação numa resposta a uma pergunta apresentada pelo Grupo Parlamentar do Partido Socialista (PS) sobre o papel da diáspora científica portuguesa no reforço da cooperação internacional em ciência, inovação e investigação.
Segundo o governo, liderado por Luís Montenegro, têm vindo a ser desenvolvidas várias iniciativas para fortalecer essa ligação, incluindo a celebração de protocolos de cooperação entre a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e associações de investigadores portugueses no estrangeiro. Estes acordos têm permitido apoiar programas de mobilidade, projetos colaborativos e ações de diplomacia científica.
O executivo referiu também que especialistas da diáspora têm sido integrados regularmente em painéis de avaliação de projetos de investigação e desenvolvimento empresarial pela Agência Nacional de Inovação (ANI), incluindo em áreas de grande dimensão científica e tecnológica.
Paralelamente, tem existido articulação com entidades como a Ciência Viva, que tem colaborado com associações de investigadores e diplomados portugueses no estrangeiro, apoiando encontros e iniciativas de cooperação internacional.
No âmbito da nova Agência para a Investigação e Inovação (AI2), o governo garantiu que serão asseguradas a continuidade e a expansão dos protocolos existentes entre a FCT, a ANI e associações da diáspora científica, já que a nova estrutura pretende reforçar a articulação entre ciência, tecnologia e inovação e manter uma ligação sistemática às comunidades científicas portuguesas no exterior.
A resposta referiu ainda que o mapeamento da diáspora científica está a ser desenvolvido em colaboração com associações internacionais, citando exemplos como relatórios sobre colaborações científicas entre Portugal e o Reino Unido e entre Portugal e os países nórdicos.
No que diz respeito à participação de empresas portuguesas em projetos científicos internacionais, o governo destacou o papel dos Industrial Liaison Officers (ILOs) da ANI e da Agência Espacial Portuguesa, responsáveis por dinamizar oportunidades de fornecimento e codesenvolvimento tecnológico em grandes organizações científicas internacionais, como o CERN, o ITER e a ESA.
A pergunta parlamentar do PS, subscrita, entre outros, pelo seu secretário-geral José Luís Carneiro, enquadrava-se na preocupação com o aproveitamento do potencial da diáspora científica portuguesa, que inclui investigadores e diplomados com posições relevantes em universidades, laboratórios e empresas de referência em vários países.
Os deputados socialistas questionaram a tutela sobre a existência de uma estratégia estruturada de relacionamento com estas comunidades, o estado do mapeamento da diáspora científica e as medidas destinadas a reforçar a participação de empresas portuguesas em projetos científicos internacionais. ■




