A Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM) apresentou, no dia 3 de março, na Biblioteca da Imprensa Nacional, em Lisboa, a coleção “Comunidades Portuguesas”, um projeto editorial que este ano celebra cinco anos de existência, dedicado à literatura e ao pensamento produzidos por autores portugueses e lusodescendentes espalhados pelo mundo.
A sessão contou com a participação do administrador executivo da INCM, Duarte Azinheira, bem como de membros do conselho editorial da coleção, entre eles Luís Filipe Castro Mendes e Onésimo Teotónio de Almeida. Estiveram também presentes vários autores cujas obras integram o catálogo da coleção, como Lúcio Marques Ferreira Filho, do Brasil, Michael Gouveia, do Canadá, José Alberto Postiga, da Suíça, e José Francisco Costa, dos Estados Unidos.
Editada pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda em parceria com o Ministério dos Negócios Estrangeiros e a Casa dos Açores de Lisboa, a coleção foi criada com o objetivo de dar visibilidade à produção literária da diáspora portuguesa, reunindo obras de ficção, poesia, ensaio e testemunhos relacionados com as experiências de emigração e com a identidade cultural das comunidades portuguesas no estrangeiro.
Durante a sessão, o administrador executivo da INCM, Duarte Azinheira, destacou a importância do projeto editorial enquanto instrumento de ligação entre Portugal e as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, sublinhando o papel da instituição na promoção da cultura e da literatura ligadas à diáspora.
Seguiu-se a intervenção de Luís Filipe Castro Mendes, presidente do conselho editorial da coleção, que explicou que o projeto procura aproximar Portugal das vozes literárias que emergem das comunidades emigrantes. Segundo o responsável, a iniciativa tem como objetivo “trazer as vozes destes portugueses da diáspora para junto de nós”, permitindo compreender melhor a diversidade cultural e as trajetórias das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.
O responsável sublinhou também o papel do conselho editorial na identificação de novos autores e na valorização da produção literária da diáspora, destacando o trabalho de investigadores e académicos que têm acompanhado o desenvolvimento cultural das comunidades portuguesas no estrangeiro.
Luís Filipe Castro Mendes referiu ainda que a coleção tem procurado integrar obras escritas em diferentes línguas, refletindo a realidade de muitos autores lusodescendentes que produzem literatura em inglês ou francês.
Também Onésimo Teotónio de Almeida, membro do conselho editorial, destacou a relevância da coleção enquanto espaço de encontro entre diferentes experiências da diáspora portuguesa, sublinhando a importância de preservar e divulgar as múltiplas expressões culturais das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.
Entre os testemunhos apresentados esteve o do escritor Lúcio Marques Ferreira Filho, que apresentou o livro “Cá Entre Nós”, uma obra inspirada na história familiar e na experiência da emigração portuguesa para o Brasil.
O autor explicou que o romance procura recuperar memórias e episódios ligados à presença portuguesa naquele país, refletindo sobre as ligações culturais e afetivas que se mantêm entre Portugal e o Brasil ao longo de várias gerações.
Seguiu-se o testemunho de Michael Gouveia, autor canadiano filho de emigrantes açorianos, que viu o seu romance “O Herdeiro” traduzido para português e publicado no âmbito da coleção.
O autor sublinhou que começou a escrever o livro durante o período de confinamento da pandemia, quando sentiu necessidade de refletir sobre as suas origens e sobre a relação com o país dos seus pais.
“Não me sentia completamente português nem completamente quebequense”, afirmou, referindo-se à experiência de crescer entre duas culturas. Segundo o autor, o romance aborda precisamente essa ambiguidade identitária e acompanha a trajetória de um jovem que procura compreender o seu lugar entre a cultura familiar de origem portuguesa e a sociedade onde cresceu.
Também José Alberto Postiga, escritor que viveu vários anos emigrado na Suíça, abordou na sua intervenção o impacto da experiência migratória na construção da identidade pessoal. A sua obra explora frequentemente temas como a ausência, a distância e o regresso, procurando traduzir literariamente a experiência emocional associada à emigração.
A sessão contou ainda com o testemunho de José Francisco Costa, poeta e investigador açoriano radicado nos Estados Unidos há várias décadas, que destacou que grande parte da literatura da diáspora nasce da relação entre o território de origem e a experiência migratória, refletindo a forma como memória, identidade e pertença se transformam ao longo do tempo.
Criada há cinco anos, a coleção “Comunidades Portuguesas” conta atualmente com 19 livros publicados e integra também obras vencedoras do Prémio Literário Imprensa Nacional/Ferreira de Castro, dedicado à literatura da diáspora portuguesa.
As obras encontram-se disponíveis para consulta e podem ser descarregadas gratuitamente no site da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, permitindo um acesso alargado a conteúdos dedicados à história, às experiências e à identidade das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.
A iniciativa da Imprensa Nacional procura, assim, contribuir para a valorização da produção cultural da diáspora e reforçar a ligação entre Portugal e as suas comunidades no estrangeiro através da literatura. ■





