
Após 45 anos de militância, Manuela Aguiar anunciou a sua saída do Partido Social Democrata (PSD), criticando a ultrapassagem de uma “linha vermelha” na relação do partido com o Chega, sobretudo em matérias de imigração.
Em entrevista à rádio TSF, a antiga governante alertou para os riscos de desinformação e de políticas que comprometem a integração de imigrantes em Portugal.
Manuela Aguiar, que foi ministra e secretária de Estado da emigração, revelou sentir profunda desilusão com a direção atual do PSD.
Segundo a antiga deputada, as “alianças constantes” e a aproximação do partido ao Chega, particularmente no segundo governo liderado por Luís Montenegro, violaram princípios fundamentais que sempre orientaram a sua ação política.
Aguiar sublinhou que, durante o primeiro governo, havia uma linha vermelha que assegurava uma relação prudente com o Chega.
Contudo, na sua opinião, essa fronteira foi ultrapassada em matérias sensíveis como a imigração, com promoção de fake news e perceções erradas sobre o fenómeno migratório.
De igual modo, a ex-ministra defendeu que Portugal não enfrenta excesso de imigrantes, mas sim uma falta de serviços que garantam a sua legalização e integração.
Para ela, a imigração é essencial para o desenvolvimento económico e cultural do país, e a sua gestão deficiente aumenta os riscos ligados ao tráfico de pessoas.
Manuela Aguiar sublinhou ainda que os valores defendidos para os emigrantes portugueses no estrangeiro devem ser aplicados igualmente aos imigrantes em Portugal, referindo que “é impossível estar no PSD de hoje” com esta visão.
Primeira mulher militante do PSD a integrar um governo, Aguiar também lamentou que o partido se tenha afastado dos princípios fundadores de Francisco Sá Carneiro e criticou a invocação do seu nome por atuais dirigentes.
Manuela Aguiar concluiu apontando falhas na nova lei da nacionalidade e algumas posições políticas recentes, descrevendo o discurso atual do PSD como distante dos valores cristãos que marcaram a sua origem. ■




