Presidenciais 2026: “A relação com os portugueses que vivem e trabalham no estrangeiro, bem como com os seus descendentes, será uma prioridade no exercício da Presidência”

Em entrevista exclusiva à Agência Incomparáveis, o candidato a Presidente da República portuguesa, António José Seguro, defendeu a diáspora como ativo estratégico e prometeu, caso seja eleito, usar o prestígio da Presidência para unir portugueses dentro e fora do país

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António José Seguro, candidato a Presidente da República portuguesa. Foto: divulgação
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A poucos dias da segunda volta das eleições presidenciais portuguesas, agendada para o próximo domingo, 8 de fevereiro, António José Seguro fala à Agência Incomparáveis numa entrevista exclusiva, realizada em plena reta final da campanha. O candidato assume a relação com as comunidades portuguesas no estrangeiro como prioridade estratégica caso seja eleito Presidente da República, sublinhando que Portugal se projeta no mundo através dos seus emigrantes e lusodescendentes, presentes em todos os continentes e ativos nos planos económico, cultural e cívico.

Ao longo da entrevista, Seguro afirma a intenção de usar a autoridade moral e o prestígio da função presidencial para defender a dignidade e os direitos dos portugueses espalhados pelo mundo, reforçando os laços institucionais com a diáspora. Destaca o contributo do Conselho das Comunidades Portuguesas e do Conselho da Diáspora, sem desvalorizar o papel dos deputados eleitos pelos círculos da emigração e do movimento associativo, que sustenta a língua, a cultura, a promoção económica e o apoio social. O candidato anuncia ainda a intenção de promover um Fórum Anual das Comunidades Portuguesas, como espaço estruturado de diálogo, reconhecimento e projeção externa do país.

Seguro insiste numa mensagem de inclusão e coesão nacional, defendendo que não existem portugueses de primeira nem de segunda e assumindo um compromisso com a juventude lusodescendente, através de intercâmbios e programas de aproximação a Portugal.

No âmbito da sua candidatura à Presidência da República, que visão estratégica defende para o reforço da ligação entre o Estado português e as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, considerando o seu peso demográfico, económico e cultural na projeção internacional de Portugal?

Assumi no meu Manifesto para as Comunidades que a relação com os portugueses que vivem e trabalham no estrangeiro, bem como com os seus descendentes, será uma prioridade no exercício da Presidência. Portugal é maior do que o seu território: somos uma nação com raízes profundas e ramos que se estendem a todos os continentes. A nossa diáspora é um ativo estratégico para o país, uma rede viva de talento, investimento, cultura e influência global. Pretendo fazer tudo para que os nossos compatriotas se sintam parte integrante do todo nacional, criando uma ligação permanente de valorização, reconhecimento e proximidade institucional, reforçando o contributo das comunidades para a projeção internacional de Portugal. Todos não somos demais para unir os portugueses.

Que papel atribui ao Presidente da República enquanto garante da coesão nacional alargada, num país que se estende muito para além das suas fronteiras geográficas, e de que forma pretende valorizar institucionalmente o contributo da diáspora para a economia, a diplomacia e a afirmação externa de Portugal?

O papel do Presidente da República é precisamente o de garante da coesão e unidade nacional, e isso compreende os portugueses que vivem no país tanto como os que estão no estrangeiro. Tenho detetado, em muitos compatriotas, um sentimento de afastamento que pretendo combater, chamando a atenção para os laços fortes que unem as comunidades ao país e estando atento à eficácia das políticas que lhes são dirigidas. O Presidente não governa, mas inspira, convoca e mobiliza. Quero usar a autoridade moral e o prestígio da função presidencial para unir vontades e defender sempre a dignidade e os direitos dos portugueses espalhados pelo mundo. Portugal afirma-se melhor no mundo quando conta com os portugueses que desempenham um papel relevante nos países de acolhimento, como embaixadores naturais dos nossos valores, da nossa cultura e da nossa influência.

Considera que os atuais mecanismos de representação das comunidades portuguesas, como o Conselho das Comunidades Portuguesas e o Conselho da Diáspora Lusa, respondem de forma eficaz às realidades contemporâneas da emigração e da mobilidade global?

Tanto o Conselho das Comunidades Portuguesas como o Conselho da Diáspora dão um contributo relevante para afirmar necessidades, prioridades e oportunidades da nossa diáspora e para a projeção de Portugal no mundo. Mas é igualmente essencial não esquecer o papel central dos deputados eleitos pelos círculos da emigração, bem como o movimento associativo, que representa e apoia as comunidades em múltiplos domínios: língua, cultura, promoção económica, apoio social, recreativo e desportivo. Como Presidente, quero também promover um Fórum Anual das Comunidades Portuguesas, como espaço de diálogo e reconhecimento de contributos.

Como avalia hoje as comunidades portuguesas?

As Comunidades Portuguesas são um dos mais importantes ativos do país, pela sua influência nos países de acolhimento e pelo que representam para Portugal. Hoje, as comunidades mudaram muito: há maior mobilidade, mais qualificação, novos interesses e uma influência crescente. São um dos nossos maiores instrumentos de afirmação do país. Portugal precisa de reconhecer este mérito e valorizar institucionalmente este capital humano, cultural e económico.

Que feedback recebeu desse mesmo público durante a campanha antes da primeira volta?

Percebi uma forte vontade de participar nos destinos de Portugal e de não ser esquecida. Também percebi que há temas decisivos, como o ensino da língua portuguesa e a qualidade do atendimento consular. É essencial termos serviços consulares mais modernos, digitalizados e próximos das comunidades. Há uma dimensão afetiva muito forte nas comunidades portuguesas que exige de Portugal uma resposta à altura. Os emigrantes que querem regressar que exigem que o estado funcione, a economia competitiva e possam aceder a tempo e horas aos cuidados de saúde em Portugal.

Que mensagem deixa às novas gerações de emigrantes e lusodescendentes, muitas vezes afastadas da língua portuguesa e da participação cívica, sobre o seu lugar no futuro político, cultural e simbólico de Portugal?

Que nunca desistam de Portugal. Que aprendam a língua portuguesa, que é uma das grandes línguas mundiais e uma porta aberta no mundo. Darei especial atenção à juventude lusodescendente, promovendo intercâmbios, bolsas e programas que reforcem o vínculo com Portugal e distingam jovens exemplos de liderança e mérito. Participem na vida cívica e política dos países de acolhimento e também em Portugal, porque o futuro de Portugal também se constrói convosco.

Por fim, por que a Diáspora deve depositar confiança na sua candidatura?

Num mundo de incerteza, tenho experiência política nacional e europeia, valorizo a estabilidade e a paz social e serei um fator de unidade nacional. Sou um fator de unidade nacional. Para mim, não há portugueses de primeira nem de segunda: todos contam, estejam dentro ou fora do país. Saberei valorizar e reconhecer a importância das nossas comunidades, estarei atento às suas necessidades e combaterei qualquer sentimento de afastamento. Assumo o compromisso de ser sempre o Presidente de todos os portugueses, onde quer que estejam. Onde está um português, está Portugal. ■

Ígor Lopes

*Nota da redação: A Agência Incomparáveis esclarece que as mesmas condições editoriais foram oferecidas e disponibilizadas ao candidato André Ventura, respeitando a isonomia e o rigor jornalístico, e, naturalmente, em respeito ao público que acompanha o nosso trabalho. Porém, após contactos com a equipa do referido candidato, não obtivemos respostas às perguntas dentro do prazo definido pela nossa redação, igual para os dois candidatos.

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