
Com 72.756 votos contabilizados fora de Portugal – mais do dobro do registado nas eleições presidenciais de 2021 -, a participação dos emigrantes voltou a crescer, mas continua condicionada por obstáculos logísticos, legais e consulares que, segundo a associação Também Somos Portugueses (TSP), tornam urgente a modernização do sistema eleitoral.
Em comunicado enviado esta segunda-feira ao jornal BOM DIA, a TSP congratulou-se com a adesão registada na primeira volta das presidenciais portuguesas de 2026, considerando que os números confirmaram uma vontade latente de participação política por parte dos portugueses residentes no estrangeiro.
Ainda assim, a associação sublinhou que o modelo de voto exclusivamente presencial continua a afastar milhares de eleitores.
Entre os principais entraves apontados estão as longas distâncias aos consulados, a insuficiência de mesas de voto e a impossibilidade de recorrer ao voto em mobilidade.
A TSP deu inclusive como exemplo situações em que eleitores residentes na Islândia teriam de se deslocar à Noruega ou, no caso da Nova Zelândia, à Austrália para exercer o direito de voto.
A associação denunciou ainda que alguns consulados recusaram pedidos para a criação de mesas de voto adicionais, apesar de a legislação prever essa possibilidade, e critica o facto de a Assembleia da República não ter legislado atempadamente para permitir o voto em mobilidade.
Para a TSP, estes constrangimentos demonstram que “as leis eleitorais portuguesas estão ultrapassadas” e que a única alternativa viável passa pela adoção do voto digital remoto no estrangeiro, um compromisso que a associação garantiu que continuará a defender ao longo da atual legislatura.
O movimento de emigrantes chamou também a atenção para o sentido do voto expressado fora do país, onde André Ventura obteve 40,93% dos votos e António José Seguro 23,69%, considerando que estes resultados devem ser interpretados como um sinal de descontentamento mais amplo das comunidades emigrantes.
De igual modo, a TSP enumerou outros problemas estruturais que afetam os portugueses no estrangeiro, como o ensino insuficiente da língua portuguesa, os custos e a distância dos serviços consulares, a dupla tributação dos reformados, as dificuldades de acesso a cuidados de saúde em Portugal e os obstáculos persistentes ao exercício dos direitos cívicos.
António José Seguro e André Ventura vão disputar a segunda volta das eleições presidenciais a 8 de fevereiro, pelo que os portugueses residentes no estrangeiro poderão votar nos dias 7 e 8, exclusivamente de forma presencial, um cenário que, segundo a TSP, voltará a representar dificuldades acrescidas para muitos eleitores.
De acordo com a Comissão Nacional de Eleições, novos boletins de voto serão distribuídos para a segunda volta, embora exista a possibilidade de alguns emigrantes terem de utilizar os boletins da primeira volta, caso os novos não cheguem a tempo. ■




