Rio de Janeiro: Cônsul-Geral de Portugal despede-se após quatro anos de reforço das relações com o Brasil

Primeira mulher a exercer o cargo de cônsul-geral de Portugal no Estado do Rio de Janeiro, Gabriela de Albergaria encerra um ciclo marcado pelo fortalecimento das relações luso-brasileiras a nível diplomático, cultural e comercial

Embaixadora Gabriela de Albergaria. Foto: divulgação
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A embaixadora Maria Gabriela Vieira Soares de Albergaria, que assumiu funções como cônsul-geral de Portugal no Rio de Janeiro em abril de 2022, prepara-se para deixar o Brasil, dentro de cerca de um mês, após quatro anos de intensa actividade diplomática. 

Primeira mulher a desempenhar o cargo neste estado brasileiro, a diplomata encerra um mandato pautado pela modernização das relações luso-brasileiras e pela criação de novas sinergias entre os sectores público e privado.

Consciente da importância estratégica das relações entre Portugal e o Brasil, Gabriela de Albergaria marcou a sua actuação por uma visão contemporânea da presença portuguesa no país. 

“Eu sempre tive a noção de que a presença portuguesa no Brasil passa não só pela herança e pelo legado da comunidade portuguesa, como passa agora, num tom mais de modernidade, pelos negócios, pelos relacionamentos profissionais, pelo intercâmbio de pessoas entre um país e o outro”, afirmou a embaixadora, em entrevista ao jornal brasileiro Monitor Mercantil.

Durante o seu mandato, o Consulado-Geral de Portugal no Rio de Janeiro – com jurisdição também sobre o estado do Espírito Santo – promoveu activamente iniciativas de intercâmbio empresarial, cultural e educativo. 

A estratégia implementada procurou ultrapassar a dimensão exclusivamente histórica da relação bilateral, apostando igualmente nas oportunidades contemporâneas de cooperação e lançando bases sólidas e estruturais “para que este relacionamento que se aproximou tanto agora persista para além da nossa presença física no Brasil”.

De igual modo, o ano de 2025 assinalou um marco simbólico nas relações entre os dois países: os 200 anos do Tratado de Amizade entre Portugal e o Brasil.

A este propósito, Albergaria recordou: “Estes dois países estão ligados há mais de 500 anos, primeiro por um regime colonialista, depois, a partir do momento em que o Brasil se tornou um país independente, por relações fraternais de amizade e de cooperação”.

Reforçando a dimensão estrutural desta ligação, acrescentou que a relação entre Portugal e Brasil é “uma relação que existe muito para além de quem está à frente do consulado, de quem está à frente dos governos”.

Em agosto de 2025, a cônsul-geral foi distinguida com a Medalha Pedro Ernesto, a mais alta condecoração da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. 

Na cerimónia, Gabriela de Albergaria foi destacada como “uma personalidade ímpar” e “uma ponte sólida e afetuosa entre o Rio de Janeiro e Portugal”, sublinhando-se que “ao conferir-lhe a Medalha Pedro Ernesto, o município do Rio de Janeiro expressa publicamente a gratidão pela sua dedicação, profissionalismo e, sobretudo, pela sua paixão pelo Rio e pelo seu povo”.

A distinção foi por si considerada “uma imensa honra e alegria” e “um chamamento a um ainda maior compromisso e a um maior empenho”, sendo também “uma inspiração para seguir trabalhando por um futuro mais justo, solidário e humano no Brasil em Portugal”.

No mesmo ano, no Dia Nacional de Portugal, recebeu, no Palácio São Clemente, o título de Professora Emérita da Universidade Santa Úrsula.

Nascida a 26 de novembro de 1966, em Díli, Timor-Leste, Gabriela de Albergaria é licenciada em Direito pela Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa e pós-graduada em Estudos Europeus pela mesma instituição.

Ingressou na carreira diplomática em 1989, desempenhando funções em diversos postos internacionais, incluindo New Bedford, Belgrado, Brasília, Pretória, Harare e Bogotá, antes de assumir o Consulado-Geral no Rio de Janeiro.

Ao longo de quatro anos, consolidou uma trajectória marcada pela competência técnica, sensibilidade cultural e visão estratégica. 

Agora, ao despedir-se do Rio de Janeiro, deixa um legado de proximidade institucional e humana, reforçando uma relação bilateral que, como a própria sublinhou, ultrapassa governos e mandatos, permanecendo sustentada por laços históricos, culturais e afectivos profundos entre Portugal e o Brasil.  ■

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