
O mercado imobiliário português apresenta, em 2025, uma polarização acentuada entre Litoral e Interior. Na área da Serra da Estrela e em concelhos vizinhos, os valores praticados contrastam fortemente com os da capital. Enquanto o metro quadrado em Lisboa atinge 5.886 euros, alguns municípios do Interior registam preços inferiores a 500 euros/m², uma diferença de quase 12 vezes.
Entre os concelhos com valores mais baixos estão Pampilhosa da Serra, Penamacor e Nisa, localizados na região Centro e associados à dinâmica habitacional da região Centro. A disparidade impacta diretamente as escolhas residenciais e redefine o conceito de acesso à moradia para quem procura estabilidade financeira fora das áreas metropolitanas.
Em Lisboa, a renda mediana mensal alcança 1.810 euros, ao passo que em cidades da região Centro, como Castelo Branco ou Guarda, têm média em torno de 550 euros. Covilhã também conta com níveis semelhantes. Dados recentes indicam que 16 municípios das regiões de Lisboa e Setúbal já ultrapassam mil euros mensais de renda mediana, intensificando a pressão sobre o custo de vida nas grandes concentrações urbanas.
Segundo dados do portal Idealista sobre o terceiro trimestre de 2025, os 20 municípios com os preços imobiliários mais acessíveis concentram-se principalmente nos distritos de Coimbra e Guarda, onde está, nesta última região, a Serra da Estrela. A região Centro consolida-se como alternativa habitacional frente à escalada de preços no litoral português.
O movimento de migração interna ganhou força após a pandemia. Distritos tradicionalmente pouco procurados passaram a registrar aumentos expressivos no arrendamento. Em setembro de 2025, Castelo Branco registou alta de 27,5% em relação ao ano anterior; Vila Real subiu 23% e Viseu, 14,1%, sinalizando uma procura crescente por imóveis fora dos grandes centros urbanos.
Para o especialista imobiliário António Carlos, que atua na Covilhã, a mudança tem caráter estrutural.
“Com valores muito inferiores aos praticados na Grande Lisboa, o Interior permite acesso a habitações maiores e a um modo de vida mais tranquilo, sem comprometer a estabilidade financeira”, afirmou, reforçando que é também na região Centro que estão boas oportunidades de investimento e retorno.
Além do fator económico, o estilo de vida pesa cada vez mais nas decisões. Aldeias e pequenas cidades perto da Serra da Estrela oferecem menor pressão urbana, proximidade com a natureza, serviços essenciais acessíveis e oportunidades para atividades ao ar livre. O avanço do trabalho remoto e a saturação das áreas metropolitanas reforçam essa tendência, na opinião de especialistas.
Com a escassez de oferta habitacional acessível nas principais cidades e o potencial de valorização associado ao turismo de natureza, espera-se que o mercado continue a buscar municípios do interior.
Para 2026, a Serra da Estrela consolida-se como um dos principais destinos para quem busca equilibrar custo da habitação e qualidade de vida. ■




