Trinidad e Tobago celebrou 191 anos da chegada dos portugueses

Presente no evento a Conselheira da Diáspora Madeirense nas Caraíbas, Jo-Anne Ferreira, afirmou que os migrantes madeirenses que chegaram a Trindade e Tobago demonstraram uma notável resiliência e espírito empreendedor

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Foto: divulgação
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O espírito de resiliência e a herança madeirense continuam a prosperar em Trindade, no domingo 7 de dezembro do ano 2025, a comunidade luso-trinitária reuniu-se para um brunch comemorativo no Restaurante Tapas em Porto Espanha, celebrando 191 anos de história e cultura partilhadas.

A reunião contou com a presença de membros de famílias que remontam a várias migrações desde 1846 até o século XX, e que hoje representam uma parte importante da sociedade trinitária. Alguns dos apelidos representados incluem Andrade, del Castilho, Chaves, Ferreira, Jardim, Gomes, Gonçalves, Netto, Nóbrega, Pereira, Rodrigues, Santos, Silva e Soares, entre outros.

O momento foi ainda mais especial com o regresso do Capitão Gerard de Silva, natural da Calheta, que viajou da Madeira para passar o Natal com a família. O Capitão de Silva, facilmente reconhecível pela sua bandana característica, está na foto, com os seus pais sentados em posição de destaque na frente à direita.

Estes encontros anuais são fundamentais para manter viva a memória coletiva e o vínculo afetivo com a ilha da Madeira, assegurando que o legado do _Stralhista_ que chegou a Trindade Tobago um 7 de dezembro de 1834 é honrado por cada nova geração de luso-descendentes.

Esta chegada é crucial para a história demográfica da ilha. Embora a presença portuguesa em Trindade remonte a um período tão antigo quanto o século XVII, e a de açorianos ao início de 1834 (antes da abolição da escravatura), o_Stralhista_ marca o ponto de partida documentado da migração de madeirenses para a região. Este fluxo ocorreu meses após o fim oficial do trabalho escravo, sinalizando o início da imigração contratada que transformaria o panorama social e económico caribenho.

O _Stralhista_ partiu da Madeira em 12 de novembro de 1834, transportando 28 passageiros – 25 homens (incluindo menores) e 3 mulheres. Estes pioneiros, oriundos de diversos concelhos como Funchal, Machico, Santa Cruz e Porto Santo, representavam o espírito resiliente de um povo forçado a procurar novas oportunidades no estrangeiro. A viagem do _Stralhista_ estabeleceu a rota para uma das comunidades madeirenses mais influentes das Américas, que se consolidaria em Trindade e Tobago, São Vicente e as Granadinas, e Guiana, entre outros territórios.

Presente no evento a Conselheira da Diáspora Madeirense nas Caraíbas, Jo-Anne Ferreira, afirmou que os migrantes madeirenses que chegaram a Trindade e Tobago demonstraram uma notável resiliência e espírito empreendedor. Partindo frequentemente do trabalho agrícola nas plantações, ascenderam rapidamente ao comércio retalhista e estabeleceram-se como uma influente classe de pequenos e médios empresários nas cidades caribenhas, impulsionando a economia nacional.

“Celebrar esta efeméride é reconhecer o legado de coragem e a contribuição histórica desta diáspora. Através destas histórias de origem, a memória coletiva e a identidade de um povo trabalhador e resiliente mantêm-se vivas, mesmo a milhares de quilómetros de distância. Pelo tanto, a presença madeirense está hoje profundamente enraizada em Trindade e Tobago, enriquecendo a gastronomia, as festividades nacionais e a vida comunitária”, acrescentou.

As relações bilaterais entre Trinidad e Tobago e Portugal estabeleceram canais diplomáticas formais desde o 2 de setembro de 1977 e conta com um Consulado Honorário de Portugal em Porto Espanha, sendo chefiado por William Ferreira, baixo as ordens do Consulado Geral de Portugal em Caracas na Venezuela.  ■

Marcos Ramos Jardim

Correspondente na Venezuela

 

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