Entre os dias 7 e 8 de fevereiro, 64.077 cidadãos portugueses recenseados no estrangeiro, neste caso em países da Europa, votaram presencialmente nas eleições presidenciais de Portugal, num total de 1.050.427 inscritos (6,10% de votantes), destacando-se algumas variações territoriais na afluência e nos resultados eleitorais.
A votação dos portugueses da Europa na 2ª volta representou um crescimento não apenas no número total de votantes (na 1ª volta votaram 53.228 cidadãos portugueses) como também na percentagem de votantes face ao número de eleitores registados nos cadernos eleitorais (na 1ª volta foram 5,07% de votantes).
Além do voto presencial, alguns eleitores, em conformidade aos motivos previstos na lei, optaram por votar antecipadamente entre os dias 27 e 29 de janeiro nas embaixadas ou consulados, enquanto eleitores em mobilidade mas que estão recenseados em território nacional.
De acordo com os dados confirmados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), tendo já sido apurada a votação em todos os consulados, a distribuição da votação por país mostra diferenças significativas na participação e nos candidatos mais votados, refletindo as dinâmicas demográficas e políticas das comunidades portuguesas na Europa.
Neste contexto, António José Seguro conseguiu vencer André Ventura na Europa por uma margem muito reduzida: apenas 216 votos de diferença. Esta foi a primeira vez, nestas eleições presidenciais portuguesas, que Seguro ficou à frente de Ventura no conjunto dos votos europeus.
Na primeira volta, André Ventura tinha sido o candidato mais votado na Europa, obtendo 40,98% dos votos, enquanto António José Seguro tinha alcançado 24,74%. Ou seja, Ventura partia para a segunda volta com uma vantagem significativa no espaço europeu.
No entanto, na segunda volta, o cenário alterou-se. André Ventura manteve-se em primeiro lugar na Europa durante quase toda a contagem dos votos. Essa liderança prolongou-se até serem apurados os resultados dos portugueses residentes na Áustria, que foi o último consulado a concluir a contagem.
Como a diferença entre os dois candidatos era muito pequena nesse momento, o resultado da votação na Áustria revelou-se decisivo. Nesse país, António José Seguro obteve uma vantagem expressiva – 322 votos contra apenas 49 de André Ventura. Esta diferença foi suficiente para inverter o resultado global na Europa.
Assim, graças ao forte desempenho na Áustria, o candidato apoiado pelo Partido Socialista acabou por conquistar a vitória no conjunto dos votos europeus, superando André Ventura por 216 votos.
Resultados da 2ª volta por países da Europa
Na Suíça, país onde se registou a maior afluência eleitoral, 17.355 votantes compareceram às urnas, num universo total de 164.323 inscritos (10,56% de votantes). O candidato mais votado foi André Ventura (71,85%), com António José Seguro em segundo lugar (28,15%).
Em França, país com a segunda maior afluência eleitoral, 16.064 eleitores recenseados exerceram o seu direito de voto, num total de 428.936 inscritos (3,75% de votantes). O candidato mais votado foi novamente André Ventura (64,12%), sendo que António José Seguro ocupou a segunda posição (35,88%).
No Reino Unido, país com a terceira maior afluência eleitoral, 7.051 eleitores recenseados exerceram o seu direito de voto, num total de 193.243 inscritos (3,65% de votantes). O candidato mais votado foi António José Seguro (70,79%), com André Ventura em segundo lugar (29,21%).
Por ordem decrescente de votação, segue-se o Luxemburgo, com 4.975 votantes num total de 41.610 inscritos (11,96% de votantes). O candidato mais votado foi André Ventura (52,29%), com António José Seguro em segundo lugar (47,71%).
Em quinto lugar, está a Alemanha, onde votaram 4.515 eleitores num total de 81.806 inscritos (5,52% de votantes). O candidato mais votado foi António José Seguro (72,45%), sendo que André Ventura ficou em segundo lugar (27,55%).
Na Espanha, votaram 3.404 votantes num total de 52.548 inscritos (6,48% de votantes). O candidato mais votado foi António José Seguro (79,82%), com André Ventura em segundo lugar (20,18%).
Na Bélgica, votaram 3.112 eleitores, num total de 20.902 inscritos (14,89% de votantes). O candidato mais votado foi António José Seguro (73,68%), com André Ventura em segundo lugar (26,32%).
Nos Países Baixos, votaram 2.857 eleitores, num total de 21.678 inscritos (13,18% de votantes). O candidato mais votado foi António José Seguro (83,83%); André Ventura ficou em segundo lugar (16,17%).
Destaque ainda para a Itália, onde votaram 155 eleitores, num total de 4.687 inscritos (3,31% de votantes). O candidato mais votado foi António José Seguro (86,45%), com André Ventura em segundo lugar (13,55%).
Nos demais países europeus, a participação média foi mais reduzida, mas permitiu identificar tendências semelhantes em relação aos candidatos preferidos pelos eleitores.
Para além da Áustria, António José Seguro venceu na Bulgária, Chéquia, Chipre, Dinamarca, Eslováquia, Federação da Rússia, Finlândia, Grécia, Hungria, Irlanda, Noruega, Polónia, Roménia, Sérvia, Suécia, Turquia e Ucrânia.
Já André Ventura venceu em Andorra. ■





