Opinião: “O lado “positivo” da Filoxera”, por João Carlos Farrapa

“A Reordenação da Vinha”

João Carlos Farrapa, Petit Sommelier, empresário, apresentador do programa “Uvas e Personalidades”
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Quando falamos da Filoxera, a primeira questão que nos vem à mente é a devastação feita por uma praga que arrasou as culturas europeias no final do séc. XIX.

Algo que não era esperado, perante uma agricultura que estava a desenvolver de forma desenfreada com a presença e ajuda da mentalidade da Revolução Industrial, e a sua capacidade de produção em série linhas de montagem, a mecanização etc.

A preparação e prevenção não existiam, sendo aplicados métodos caseiros e artesanais no combate às pragas das culturas tradicionais

Com a expansão do comércio e vias de comunicação, a exigência para uma maior produção de vinho faria com que houvesse um aproveitamento de maiores áreas de cultivo, para responder aos pedidos dos novos mercados.

A estrutura de plantação não era ordenada e, muitas vezes, adotavam o processo de tutor vivo para a plantação de uma planta, em que tudo o que a rodeava, denominava um microclima estável para o seu desenvolvimento.

Resultado?

Vinhas completamente desordenadas, dificuldade na colheita, devido aos acessos e as suas localizações dispersas, inclinações de terreno, etc.

Com o surgimento da praga, tornaram se visíveis as limitações que existiam em todos os parâmetros anteriormente comentados, e diretamente sentidos perante aqueles que, com o objetivo de eliminar o “mal”, teriam que arrancar todas as vinhas pela raiz e queimarem, e nenhuma poderia ficar “esquecida”.

Com a compra de castas dos Estados Unidos veio também a questão organizacional proposta por parte dos que venderam, sugerindo métodos de cultivo ainda hoje existentes.

Quando vemos na atualidade uma vinha devidamente ordenada em linha muitos não denotam a “revolução” de qualidade de produção a que se sujeitou a Europa.

Assim sendo, podemos constatar que a perspetiva “positiva” da Filoxera no final do se XIX e a rapidez da reposição destas com a presença dos processos ao dispor destes agricultores, com a “presença” da Revolução Industrial.  ■

João Carlos Farrapa

Petit Sommelier, empresário, apresentador do programa “Uvas e Personalidades”

noicaron@hotmail.com

*Os artigos de opinião são de inteira responsabilidade dos seus autores e não refletem, necessariamente, a visão do nosso órgão de comunicação social

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