Acordo UE-Mercosul: “Não poderíamos ter tido melhor notícia na cena internacional”, celebrou o Embaixador de Portugal no Brasil

Para Luís Faro Ramos, no caso da interação entre Brasil e Portugal, haverá mais interação e mais qualidade, com destaque para produtos como carne, cereais, azeite e vinho, que poderão ter os seus preços de venda diminuídos “drasticamente”; acordo será assinado dia 17 de janeiro no Paraguai

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Luís Faro Ramos, Embaixador de Portugal no Brasil. Foto: divulgação
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“É uma notícia para ser recebida com enorme satisfação, e mesmo algum alívio, dada a incerteza que pairou até ao último momento sobre as dinâmicas de voto”. Foi desta forma que o Embaixador de Portugal no Brasil, Luís Faro Ramos, reagiu à decisão do Conselho da União Europeia que, aprovou, na última sexta-feira, 9 de janeiro, o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul. A formalização política será assinalada com a assinatura da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante uma visita oficial ao Paraguai nos próximos dias.

“Não poderíamos ter tido melhor notícia na cena internacional, no início de um ano em que o multilateralismo está mais uma vez ameaçado”, sublinhou este diplomata.

Segundo apurámos, o acordo vai criar a maior zona de livre comércio do mundo, reunindo aproximadamente 720 milhões de pessoas e um PIB combinado superior a 22 trilhões de dólares. A previsão é que esta iniciativa possa eliminar mais de quatro mil milhões de euros em impostos sobre as exportações da UE anualmente.

Especialistas em comércio internacional na América do Sul acreditam que, para além de ganhos comerciais, o acordo representará um importante instrumento de diversificação geopolítica, de fortalecimento do Mercosul como parceiro estratégico e de redução da dependência europeia de mercados como China e Estados Unidos, abrindo assim caminho para investimentos industriais, infraestrutura e inovação tecnológica no bloco sul-americano.

Entre Portugal e Brasil: carne, cereais, azeite e vinho serão beneficiados

Sobre a forma como Brasil e Portugal poderão se relacionar a partir deste momento, no campo do mercado internacional, Faro Ramos acredita que o acordo permitirá a Portugal e o Brasil atuarem com ainda mais interação.

Há muito que os benefícios do acordo, seja considerando os dois blocos (União Europeia e o Mercosul), seja considerando cada país individualmente, estão identificados. Com regras claras e um mercado de mais de 700 milhões de cidadãos, um dos maiores livres mercados do mundo, o acordo permitirá a Portugal e o Brasil, cujas relações comerciais são tradicionalmente significativas, passarem para um patamar qualitativamente e quantitativamente superior”, comentou Faro Ramos, que revelou que, “do ponto de vista de Portugal, e tendo em conta que uma parte muito significativa das nossas exportações para o Brasil pertence ao setor agroalimentar, o acordo trará benefícios muito relevantes para produtos como o azeite ou o vinho, cujo preço de venda virá a diminuir drasticamente”.

“O mesmo se poderá dizer do Brasil em relação a produtos onde são tradicionalmente fortes, como a carne ou os cereais. Importante é ressaltar que, num sistema de comércio livre internacional, ganha a qualidade e ganham os consumidores”, finalizou Faro Ramos, que aproveitou para alertar que, “o acordo alcançado dia 9 foi ainda um acordo a nível da União Europeia, a assinatura formal deverá ocorrer no final desta próxima semana, no Paraguai segundo as informações de que dispomos”. 

Em nota enviada à nossa redação, o governo brasileiro, através do Itamaraty, mostrou contentamento com a notícia da assinatura do acordo.

“Brasil saúda a decisão do Conselho da União Europeia (…) de aprovar a assinatura do Acordo de Parceria MERCOSUL-União Europeia. (…) A aprovação pelas instâncias comunitárias europeias permitirá que o Acordo de Parceria seja assinado após mais de 26 anos do início das negociações. O Acordo integrará dois dos maiores blocos económicos do mundo (…). Trata-se do maior acordo comercial negociado pelo MERCOSUL e um dos maiores dentre aqueles pactuados pela União Europeia com parceiros comerciais”, frisou o Itamaraty.

De acordo com a nossa apuração, o acordo será assinado dia 17 de janeiro no Paraguai.

“A parceria estratégica representa um marco nas relações externas do bloco, sendo o acordo mais significativo já alcançado em termos de acesso a mercados”, destacou o ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano, na qualidade de presidente pro tempore do MERCOSUL. 

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