
Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (ApexBrasil), a aprovação do acordo Mercosul–União Europeia (UE) poderá gerar um aumento de até US$ 7 bilhões nas exportações brasileiras para o bloco europeu, criando um mercado integrado com mais de 700 milhões de consumidores e um PIB próximo de US$ 22 trilhões.
Após 26 anos de negociações, a aprovação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia marca um novo capítulo para o comércio internacional brasileiro.
Para o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, o resultado reflete um esforço político e institucional consistente, com protagonismo do governo brasileiro.
“O presidente Lula teve um papel essencial. A Apex também, junto com o Itamaraty. Nosso escritório em Bruxelas trabalhou continuamente para esse resultado”, afirmou Viana, acrescentando que o acordo eleva o patamar da diplomacia económica brasileira num contexto internacional cada vez mais fragmentado.
“A diplomacia brasileira muda de patamar”, reforçou o chefe de Assuntos Estratégicos da ApexBrasil Europa, Aloysio Nunes, que estima em cerca de US$ 7 bilhões o aumento das exportações brasileiras para a União Europeia.
Jorge Viana destacou ainda que o acordo surge num momento de enfraquecimento dos mecanismos multilaterais tradicionais: “Esse acordo segue no sentido contrário ao que o mundo está andando. A própria Organização Mundial do Comércio perdeu importância, e nós estamos falando aqui do maior acordo económico do mundo”, afirmou.
De acordo com o presidente da ApexBrasil, o potencial económico do documento é expressivo: “Estamos falando de uma população de mais de 700 milhões de habitantes e de um PIB de perto de US$ 22 trilhões. Só perde para o dos Estados Unidos, em torno de US$ 29 trilhões, e supera o da China, que gira em torno de US$ 19 trilhões”, explicou.
Ainda de acordo com Viana, a União Europeia representa hoje o segundo maior fluxo comercial do Brasil, atrás apenas da China, com uma característica considerada estratégica: o equilíbrio da balança.
“É um comércio praticamente 50 a 50”, salientou.
Aloysio Nunes acrescentou que a ApexBrasil antecipou-se aos efeitos do novo cenário internacional, marcado por barreiras tarifárias: “A ApexBrasil se preparou e saiu na frente, buscando expansão do comércio com a Europa neste ano, em resposta ao tarifaço. Houve um aumento de 4% das exportações brasileiras para a região, e isso aumentará ainda mais”, afirmou.
Viana também destacou a qualidade da pauta exportadora brasileira para o bloco europeu, uma vez que mais de um terço das exportações do Brasil para a União Europeia é composto por produtos da indústria transformadora.
“Temos um comércio de excelente qualidade com a União Europeia”, ressaltou.
Impactos setoriais positivos
Na indústria, o acordo prevê a redução imediata de tarifas para máquinas e equipamentos de transporte, como motores e geradores para energia elétrica, motores de pistão utilizados em componentes de automóveis e de aeronaves, áreas consideradas estratégicas para a inserção competitiva do Brasil no mercado europeu.
Também são esperados efeitos positivos para setores como couro e peles, pedras de cantaria, facas e lâminas e produtos químicos.
Além disso, haverá uma redução gradual, até à eliminação total, das tarifas sobre diversas commodities, sujeitas a cotas. Entre os principais produtos brasileiros exportados em 2025 que serão beneficiados destacam-se carne de aves, carne bovina e etanol.
Para o presidente da ApexBrasil, a complementaridade entre as economias do Mercosul, majoritariamente tropicais, e uma das regiões com maior poder de consumo do mundo cria um cenário altamente favorável: “O Mercosul se associa a uma das regiões com o maior potencial de consumo do mundo. O resultado será muito bom para todos, inclusive para o mundo”, concluiu. ■




