A cantora e compositora portuguesa Bárbara Bandeira lançou o single “Marcha”, que marca o início do Ato II do projeto “Lusa”, uma série de quatro EPs concebida para explorar a identidade artística da intérprete entre Portugal e Brasil.
Filha da cearense Siara Holanda, natural de Fortaleza (Ceará), e do cantor português Rui Bandeira, a artista assume agora, de forma declarada, a ambição de consolidar a sua presença no mercado brasileiro.
Aos 24 anos, Bárbara Bandeira soma mais de 50 milhões de streams, 20 certificações em Portugal e distinções como o Globo de Ouro de Revelação do Ano e dois MTV Europe Music Awards, afirmando-se como um dos nomes mais relevantes da nova pop portuguesa.
Em declarações à g1 Ceará, a cantora reconhece que a herança brasileira molda diretamente a sua personalidade e o seu processo criativo: “Acho que meu lado brasileiro influencia primeiramente a minha personalidade, o que acaba influenciando o meu processo artístico e a forma como sinto as coisas”, afirmou.
“Sinto que o povo brasileiro é muito caloroso e emotivo. Eu sempre me senti assim e agora entendo que vem da minha mãe. Isso ajuda-me no trabalho, pois tenho uma certa impulsividade e sou muito ‘desenrolada’”, acrescentou.
O projeto “Lusa” foi concebido como uma narrativa em quatro atos, combinando música e imagem para traduzir estados emocionais, referências culturais e diferentes fases da identidade artística da cantora.
No Ato I, aproximou-se do público brasileiro através de colaborações com VEIGH e WIU; no Ato II, inaugurado por “Marcha”, regressa à tradição portuguesa, reinterpretando-a com uma linguagem contemporânea.
O objetivo passa por construir uma ponte cultural entre os dois lados do Atlântico: “A música brasileira está há muitos anos no topo em Portugal, mas o inverso não acontece tanto no Brasil. Eu estou aqui no meio, com um pezinho em Portugal e outro no Brasil, e quero fazer essa ligação”, referiu.
Neste sentido, a internacionalização da carreira tem o Brasil como destino prioritário, um caminho que deve surgir de forma natural e orgânica: “A ideia é a internacionalização, e quando eu penso nisso o que faz mais sentido é o Brasil, porque é o que eu tenho mais conexão. É o lado da minha mãe que eu sempre conheci. Eu cresci a ouvir música brasileira. Tenho ido várias vezes ao Brasil, trabalho com alguns profissionais daí, produtores e compositores”, sublinhou.
“Há mais coisas que nos unem do que nos separam”, acrescentou.
O vínculo emocional ao Brasil manifesta-se também no plano pessoal. Fortaleza, terra da família materna, permanece como referência afetiva central: “O lugar de que mais gosto no Brasil é a casa da minha avó em Fortaleza”, confessou.
A cultura brasileira também está presente à mesa. “Amo coxinha, baião de dois e brigadeiro de panela”, contou.
Entre influências musicais, destaca Liniker, Marina Sena, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Ana Carolina e Alcione, um encontro que descreve como marcante: “Chorei o concerto inteiro. Ela foi super carinhosa comigo”, enfatizou.
Com “Marcha” e o projeto “Lusa”, Bárbara Bandeira afirma-se como uma voz da nova geração capaz de unir tradição e contemporaneidade, Portugal e Brasil, memória e futuro, construindo uma carreira que atravessa o Atlântico com identidade própria e ambição internacional. ■





